Alberto Oliveira

O Banco Central tem dado sinais de que parece acometido da síndrome de Cristóvão Colombo: quando sai, não sabe para aonde está indo; quando chega, não sabe onde chegou.

Uma semana após a autoridade monetária anunciar o lançamento da cédula de R$ 200 - uma decisão difícil de entender - o Comitê de Política Monetária corta a taxa básica de juros (de 2,25 para 2% ao ano, o menor patamar da série histórica, iniciada em 1996), sinal ensurdecedor de que a inflação encontra-se sob controle.

A justificativa dada para a nova cédula é, no mínimo, bisonha: economizar as transações feitas com dinheiro-vivo, na tentativa de reduzir o entesouramento provocado pela pandemia do novo coronavírus.

Ora, a cédula de R$ 200, que chega 18 anos depois da de R$ 100, tem, no mínimo, três efeitos colaterais perversos: será um incentivo à falsificação (a Europa está desistindo da de 500 euros exatamente para desestimular os falsários) e, pior ainda, servirá como alimento da memória inflacionária que, não tenham dúvida, persiste no fundo da mente de grande parcela dos brasileiros. Por fim, afeta a credibilidade do IPCA-Índice de Preços ao Consumidor Ampliado, por exemplo.

Como raciocinarão muitos, equivocadamente? A necessidade de uma nota mais alta indica que a inflação não está sob controle, como afirmam os institutos que monitoram a variação de preços.

Além de tudo, nada indica que os brasileiros darão preferência à cédula de R$ 200, um dificultador para as compras miúdas, no que diz respeito ao troco. Em um primeiro momento até deverá ocorrer uma procura mais intensa, pela curiosidade, mas depois persistirão apenas os efeitos colaterais.

A nova cédula, decidiu o Banco Central, terá a cor cinza. Parece haver uma escassez de massa cinzenta, em Brasília.

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