Alberto Oliveira

Foto: Felipe Oliveira/ECBahia
Mano Menezes
Mano Menezes

O futebol brasileiro continua sendo - para repetir um chavão desgastado - "um celeiro de craques". É difícil encontrar uma equipe de primeira linha no mundo, hoje, sem que haja nela ao menos um jogador nascido no Brasil. Mas em um setor o futebol nacional está como rabo de cavalo: crescendo para baixo. Trata-se dos técnicos.

Ultrapassados, retranqueiros, medrosos, foram humilhados até os colarinhos pelo português Jorge Jesus - quem nem é dos melhores na Europa, situando-se em um patamar abaixo dos grandes nomes.

E em que se especializaram os técnicos brasileiros? Em enfileirar palavrões, à beira do gramado, em fazer cara feia, em reclamar de qualquer marcação da arbitragem, mesmo quando a infração cometida pelo time que treinam é claríssima. Tentam lançar na conta do árbitro do jogo as suas incompetências, a falta de qualidade do seu time, o desenho tático envelhecido, as substituições equivocadas.

Derrotados, culpam, sempre, o juiz do jogo, na esperança de que o torcedor - ao menos aquele que coloca o amor pelo clube à frente do cérebro - se convença de que a derrota deve-se a uma pretensa perseguição da arbitragem e não ao time mal treinado.

É o que fez, neste domingo (11 de outubro), o técnico do Bahia, Mano Menezes, derrotado pelo Fluminense no Maracanã, em jogo pelo Campeonato Brasileiro.

Chamou o juiz de "vagabundo" e negou-se a cumprimentar o técnico do Fluminense, Odair Hellmann, ao final da partida; mais do que uma descortesia, uma falta de educação. Fez mais: insinuou mandar no comitê de arbitragem, porque garantiu ao árbitro ser aquela a última vez em que apitava.

O destempero, a agressividade, a violência verbal do técnico Mano Menezes respingam sobre o Bahia, que não está perdendo seguidamente por causa de um imaginário complô da arbitragem.

O tricolor baiano está às portas da zona de rebaixamento e com o mesmo número de pontos do vice-lanterna, o Bragantino (foi salvo do Z4 por um gol de última hora do Ceará contra o Corinthians).

E o Bahia está onde se encontra por dois motivos claros como um dia de verão no Farol da Barra: a escassez de jogadores de qualidade e a falta de um bom técnico.

Simples assim.

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