Bahia

Bahia soma 3.264 focos de calor em 2026 e risco elevado de queimadas

Estado ficou acima de sua média histórica de focos em uma semana entre julho e agosto

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A Bahia acumulava 3.264 focos de calor até 14 de agosto de 2026 e ficou acima de sua média histórica em uma semana analisada pelo Ministério da Saúde. O Inema prevê umidade abaixo de 15% e risco elevado de queimadas no Oeste, São Francisco e Sudoeste.

A Bahia acumulava 3.264 focos de calor entre 1º de janeiro e 14 de agosto de 2026, segundo o levantamento usado na apuração com dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O número coloca o estado na terceira posição no País, atrás apenas de Mato Grosso e Tocantins.

O cenário ocorre em meio ao tempo seco em parte do território baiano. Boletim do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), publicado em 14 de agosto, prevê para as regiões Oeste, São Francisco e Sudoeste umidade relativa do ar abaixo de 15% e risco elevado de queimadas.

Mato Grosso soma 4.838 focos de calor, e Tocantins, 4.214. O Pará registrou 3.250 registros e o Maranhão 3.130.

Bahia ficou acima da média histórica 

No informe do Ministério da Saúde referente à Semana Epidemiológica 31, de 26 de julho a 1º de agosto, foram registrados 164 focos de calor na Bahia.

Naquela semana, os seis estados com mais focos foram Pará, Mato Grosso, Maranhão, Tocantins, Minas Gerais e Bahia. Entre eles, a Bahia foi o único estado que o informe apontou como acima de sua média histórica para o período.

O boletim hidrometeorológico nº 146 do Inema, de 14 de agosto, prevê manutenção do tempo seco no Oeste, São Francisco e Sudoeste da Bahia. Nessas áreas, a umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 15%, principalmente no período de maior aquecimento. O órgão classifica como elevado o risco de queimadas.

Nas estações monitoradas em municípios do Oeste, o boletim também registra pouca ou nenhuma chuva recente em diferentes pontos, reforçando o quadro de estiagem.

Dados do Inema indicaram focos em municípios do Cerrado baiano, como Santa Rita de Cássia e São Desidério, mas esses registros isolados não permitem estabelecer quais municípios lideram o acumulado estadual em 2026.

O monitoramento do Ministério da Saúde também acompanha a concentração de material particulado fino, o MP2,5, um poluente associado à fumaça e capaz de alcançar as partes mais profundas do sistema respiratório.

Na Semana Epidemiológica 31, 746 municípios brasileiros, cerca de 13,4% do total do país, apresentaram concentrações de MP2,5 acima do valor recomendado pela Organização Mundial da Saúde durante pelo menos dois dias consecutivos. A população residente nesses municípios somava cerca de 68,5 milhões de pessoas, classificada pelo ministério como potencialmente exposta.

Como reduzir a exposição à fumaça

Para locais atingidos por fumaça de incêndios, o Ministério da Saúde recomenda acompanhar alertas meteorológicos e de qualidade do ar, aumentar a ingestão de água e reduzir atividades ao ar livre quando a qualidade do ar estiver comprometida.

O órgão também orienta manter portas e janelas fechadas durante períodos de maior poluição e, quando for indispensável sair em condições de fumaça intensa, dar preferência a máscaras N95, PFF2 ou P100, usadas de forma adequada.

Focos de calor e desmatamento medem fenômenos diferentes

O aumento de focos de calor em uma região não significa automaticamente aumento do desmatamento. Sistemas como o Deter, do INPE, monitoram alertas de alteração da cobertura vegetal, enquanto o Programa Queimadas acompanha ocorrências de fogo detectadas por satélites.

Por isso, uma eventual queda nos alertas de desmatamento não permite concluir que haverá redução proporcional dos focos de calor — e o crescimento do fogo também não prova, isoladamente, avanço do desmatamento.