
Daniel Vorcaro reforçou sua equipe de defesa e tenta reabrir as negociações para um possível acordo de colaboração premiada, depois de duas propostas recusadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Até o momento, porém, não há indicação de que os órgãos tenham aceitado iniciar uma terceira rodada de tratativas.
A nova estratégia está sob responsabilidade do criminalista Daniel Bialski, contratado recentemente para atuar ao lado de Sérgio Leonardo, advogado que acompanha Vorcaro desde o início das investigações.
Segundo a Gazeta do Povo, Bialski pediu uma audiência ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), para apresentar a disposição da defesa de formular uma proposta mais ampla.
Na terça-feira (11), Bialski afirmou que Vorcaro quer prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações. O advogado disse, no entanto, que a nova equipe ainda precisa conhecer em maior profundidade as acusações e o conteúdo das duas propostas anteriores.
A defesa também pediu ao STF autorização para ampliar o tempo das visitas de Bialski a Vorcaro na Papudinha para até seis horas por dia. O objetivo, segundo o pedido, é permitir que o advogado reúna informações necessárias para avaliar o que o ex-controlador do Banco Master poderia apresentar às autoridades.
Por que as propostas anteriores foram recusadas
Segundo a Gazeta do Povo, a intenção da defesa não seria simplesmente modificar as propostas rejeitadas, mas tentar iniciar uma nova negociação com PF e PGR.
As duas tentativas anteriores, porém, teriam deixado obstáculos ainda não superados. Fontes ligadas à investigação ouvidas pelo jornal afirmam que um dos principais pontos de resistência foi a ausência de uma admissão formal de responsabilidade pelos crimes investigados.
Outro impasse envolve a recuperação de recursos. De acordo com a reportagem, as autoridades querem esclarecer quais valores poderiam ser objeto de ressarcimento e qual teria sido o destino de recursos investigados no caso.
A PF também consideraria insuficiente parte das informações apresentadas por Vorcaro nas tentativas anteriores. Segundo a reportagem, investigadores avaliam que diversos dados já estavam disponíveis em celulares e outros dispositivos eletrônicos apreendidos. Para que uma nova proposta tenha interesse para a investigação, afirmam essas fontes, seria necessário apresentar informações relevantes que ainda não fossem conhecidas pelas autoridades.
Na PGR, o cenário descrito pela Gazeta do Povo também é de resistência. Integrantes que acompanham o caso considerariam encerradas as negociações anteriores e, segundo o jornal, não demonstrariam neste momento disposição para discutir outra proposta.
Entrada de Bialski muda estratégia da defesa
A contratação de Daniel Bialski representa uma mudança em relação à linha adotada até então pela defesa. Sérgio Leonardo vinha concentrando sua atuação na contestação das acusações e das provas reunidas durante a investigação.
Segundo a Gazeta do Povo, a tentativa de retomar uma colaboração premiada teria partido do próprio Vorcaro. Fontes ouvidas pelo jornal atribuem ao ex-controlador do Master a avaliação de que um eventual acordo poderia favorecer um pedido de prisão domiciliar.
Antes da contratação de Bialski, Vorcaro teria conversado com integrantes de pelo menos três escritórios de advocacia. Conforme a reportagem, houve discussão de honorários e troca de minutas contratuais, mas as contratações não foram concluídas naquele momento.
Nesse período, Sérgio Leonardo divulgou nota na qual afirmou ser o único advogado constituído no caso. Cerca de uma semana depois, a entrada de Bialski na equipe foi confirmada.
Prisão e nova tentativa de colaboração
A Gazeta do Povo atribui também à situação de Vorcaro na prisão parte da mudança de estratégia. Segundo fontes citadas pelo veículo, ele teria demonstrado insatisfação com o andamento do caso após meses preso, duas propostas recusadas e alterações na condução da defesa.
Investigadores ouvidos pelo jornal avaliam que uma terceira tentativa também poderia enfrentar resistência por ocorrer depois das duas iniciativas anteriores e de um período em que a defesa passou a questionar as provas reunidas.
Além de Daniel Vorcaro, o pai, Henrique Vorcaro, um primo, Felipe Vorcaro, e seu cunhado, Fabiano Zettel, permanecem presos no âmbito das investigações. Todos negam irregularidades.
Investigadores avaliam que a situação do núcleo familiar pode influenciar a disposição de Vorcaro de buscar uma solução negociada. O material disponível não demonstra, contudo, que as prisões tenham sido determinadas ou mantidas com a finalidade de pressioná-lo a colaborar.
O que a Compliance Zero investiga
As apurações fazem parte da operação Compliance Zero, que investiga fatos relacionados ao Banco Master. A instituição teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025.
As investigações envolvem suspeitas relacionadas à emissão de títulos sem lastro real e ao uso de ativos que teriam sido superavaliados para elevar artificialmente o patrimônio do banco. As suspeitas permanecem sob investigação.
A operação também apura possíveis conexões de Vorcaro com autoridades públicas e parlamentares e busca identificar bens que possam estar mantidos fora do país.
Vorcaro e seus familiares citados na investigação negam irregularidades.
