A dermatite seborreica é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente o couro cabeludo, o rosto e outras regiões com grande concentração de glândulas sebáceas.
Embora a queda de cabelo não seja considerada uma manifestação clássica da doença, a inflamação persistente, a coceira e o trauma provocado ao coçar podem estar associados ao aumento temporário da queda ou à quebra dos fios.
Por isso, episódios de perda capilar acompanhados de descamação, coceira ou inflamação do couro cabeludo devem ser avaliados por um médico, inclusive para investigar outras possíveis causas de queda.
Entre os principais sintomas da dermatite seborreica estão descamação branca ou amarelada, coceira persistente, excesso de oleosidade, sensibilidade e sinais de inflamação.
Segundo a médica Danìelà Hermes, que atua há mais de 20 anos no cuidado da pele negra, quadros iniciais podem ser confundidos com caspa e permanecer sem o tratamento adequado.
“Muitas pessoas convivem durante anos com coceira intensa, descamação e excesso de oleosidade acreditando que seja apenas caspa. Quando a inflamação permanece ativa por muito tempo, ela compromete a saúde do couro cabeludo e pode provocar uma queda importante dos fios. Quanto antes iniciarmos o tratamento, menores são os riscos de danos persistentes”, afirma.
Como a dermatite seborreica pode aparecer na pele negra
Alguns sinais da dermatite seborreica podem ser menos evidentes na pele negra. A vermelhidão, por exemplo, pode ser mais difícil de perceber, enquanto alterações de pigmentação podem ganhar maior destaque.
Depois do processo inflamatório, podem surgir áreas mais escuras ou mais claras na pele, conhecidas como hiperpigmentação e hipopigmentação pós-inflamatória.
“Na pele negra precisamos observar detalhes que muitas vezes passam despercebidos. Além da descamação, é comum encontrarmos alterações de pigmentação que permanecem mesmo após o controle da inflamação. O tratamento precisa considerar essas particularidades para preservar tanto a saúde quanto a aparência da pele e do couro cabeludo”, explica Hermes.
Uma revisão científica publicada em 2024 nos Anais Brasileiros de Dermatologia, intitulada Dermatology in black skin [Dermatologia em pele negra], inclui a dermatite seborreica entre diagnósticos frequentemente observados em pessoas negras. O artigo cita pesquisas anteriores, entre elas um levantamento realizado nos Estados Unidos no qual a doença apareceu entre os cinco principais diagnósticos dermatológicos em pacientes afro-americanos atendidos em serviços de dermatologia.
O dado, portanto, se refere a um contexto populacional e assistencial específico e não deve ser interpretado como uma estimativa de prevalência para toda a população negra ou para a população brasileira.
A revisão também chama atenção para a histórica sub-representação da pele negra na literatura dermatológica, fator que pode dificultar o reconhecimento de manifestações clínicas em diferentes tons de pele.
O que pode desencadear ou agravar as crises
Segundo o Ministério da Saúde, a dermatite seborreica costuma alternar períodos de melhora e piora. Sua causa não é completamente conhecida, e diferentes fatores estão associados ao desenvolvimento e à manifestação da doença, entre eles características individuais da produção de sebo e a presença do fungo do gênero Malassezia.
Estresse emocional, fadiga, alguns medicamentos, consumo excessivo de álcool e mudanças climáticas também podem estar relacionados ao aparecimento ou à piora das crises.
A dermatite seborreica não é contagiosa e não deve ser interpretada como consequência de falta de higiene.
Produtos aplicados no couro cabeludo exigem atenção
Os hábitos de cuidado com cabelos crespos e cacheados também devem ser considerados. Segundo Hermes, em pessoas predispostas à dermatite seborreica, o uso excessivo de pomadas, óleos densos, géis e outros finalizadores diretamente sobre o couro cabeludo pode favorecer a piora dos sintomas.
“O cabelo crespo e cacheado necessita de hidratação, mas isso não significa aplicar produtos diretamente no couro cabeludo. O excesso de cosméticos nessa região pode piorar a inflamação e favorecer novas crises. O ideal é individualizar os cuidados de acordo com cada paciente”, afirma.
A literatura dermatológica também descreve determinadas práticas de cuidado capilar e o acúmulo de produtos sobre o couro cabeludo como fatores que podem contribuir para a piora do quadro em algumas pessoas.
Dermatite seborreica tem controle, mas pode voltar
A dermatite seborreica é uma condição crônica e recorrente. O tratamento tem como objetivo controlar a inflamação, a descamação e outros sintomas e pode envolver xampus terapêuticos, medicamentos antifúngicos e anti-inflamatórios, conforme avaliação médica.
A escolha do tratamento deve considerar a intensidade e a localização das lesões, além das características de cada paciente. A automedicação não é recomendada.
Hermes também orienta evitar manipular excessivamente o couro cabeludo e observar o acúmulo de produtos na região.
Descamação persistente, coceira intensa, sinais importantes de inflamação ou queda perceptível de cabelo são motivos para procurar avaliação médica. Quando há perda de fios, também é importante investigar outras causas possíveis, já que a queda não é uma manifestação exclusiva nem típica da dermatite seborreica.
