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Salvador tem queda na hotelaria mesmo com o aumento de voos

O crescimento oferta de voos para a capital baiana não impediu a queda da ocupação média dos hotéis

Foto: LEIAMAISba
A rede hoteleira de Salvador registrou taxa média de ocupação de 64,23% em julho
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A ocupação hoteleira de Salvador caiu de 69,64% em julho de 2025 para 64,23% em julho de 2026. A segunda quinzena teve recuperação da demanda, mas o RevPAR recuou 5,7%. A ABIH-BA associa o início fraco do mês à Copa e ao calendário escolar, hipótese que requer detalhamento.

A rede hoteleira de Salvador registrou taxa média de ocupação de 64,23% em julho de 2026, ante 69,64% no mesmo mês de 2025, uma queda de 5,41 pontos percentuais.

O desempenho foi marcado por forte diferença entre as duas quinzenas: na primeira metade do mês, a ocupação ficou em cerca de 58%, enquanto na segunda se aproximou de 70%.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Seção Bahia (ABIH-BA), a demanda mais fraca na primeira quinzena esteve relacionada à Copa do Mundo de 2026 e ao calendário escolar de parte dos estados brasileiros, onde o recesso de meio de ano começou em meados de julho.

Na primeira metade do mês, houve dias com ocupação inferior a 50%. Já na segunda quinzena, os principais picos ocorreram entre 15 e 17 e entre 21 e 25 de julho, quando as taxas ficaram acima de 70%, com alguns dias superando 75% entre os hotéis participantes do levantamento.

Oferta aérea cresceu no período

A oscilação na hotelaria ocorreu apesar do aumento da oferta de assentos no Aeroporto de Salvador. Segundo o Salvador Bahia Airport, estavam previstos quase 1,5 milhão de assentos entre 15 de junho e 31 de julho de 2026, volume 16% superior ao do mesmo período de 2025.

O crescimento da conectividade, portanto, não impediu a queda da ocupação média dos hotéis na comparação anual.

Além da redução da ocupação, os indicadores financeiros tiveram desempenho mais fraco em termos reais.

A diária média ficou em R$ 533,15, aumento nominal de 2,3% em relação a julho de 2025. Segundo o levantamento, a variação ficou abaixo da inflação do período.

O RevPAR, indicador que mede a receita por apartamento disponível, caiu 5,7% na comparação anual e encerrou julho em R$ 342,44.

A diária média também acompanhou o comportamento da demanda e foi maior na segunda quinzena.

Dias úteis tiveram ocupação maior

A demanda variou conforme os dias da semana. Nos fins de semana de julho, a ocupação ficou em aproximadamente 60%, abaixo dos quase 66% registrados nos dias úteis.

Para Wilson Spagnol, presidente da ABIH-BA, os números mostram maior fragilidade do turismo de lazer na primeira metade de julho. A entidade defende uma agenda mais intensa de eventos culturais, esportivos e corporativos para ampliar o fluxo de visitantes em períodos de menor demanda.

Spagnol também defende atuação conjunta entre poder público e iniciativa privada, associada à ampliação da conectividade aérea, a ações de promoção de Salvador nos mercados nacional e internacional e à melhoria da infraestrutura urbana e turística.

Como é feito o levantamento - Os dados são da Pesquisa Conjuntural de Desempenho (Taxinfo), realizada pela ABIH-BA e pela ABIH Brasil.

O levantamento é alimentado diariamente pelos hotéis participantes por meio do Portal Cesta Competitiva e produz médias para acompanhar a evolução da atividade de hospedagem em Salvador.

Os números da Prefeitura

A Prefeitura de Salvador cita dados do Observatório do Turismo de Salvador, vinculado à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), para garantir que a hotelaria de Salvador manteve um desempenho elevado no primeiro semestre de 2026.

Entre janeiro e junho, a diária média dos hotéis da capital baiana foi 9,2% superior à registrada no mesmo período de 2025, alcançando o melhor resultado para um primeiro semestre dos últimos anos, informa a Prefeitura.

"Em volume de hospedagens, os hotéis da capital registraram 1.890.649 diárias vendidas no primeiro semestre. Esta é a segunda vez nos últimos sete anos em que Salvador ultrapassa a marca de 1,8 milhão de diárias vendidas entre janeiro e junho", informa a Prefeitura.

Entenda por que a ocupação cai 

A queda da ocupação hoteleira em Salvador em junho (e, em menor grau, no começo de julho) é principalmente sazonal. Ela resulta da combinação entre clima, calendário escolar, São João e perfil da demanda turística.

Em junho, o fenômeno é particularmente forte. A própria ABIH-BA considera abril–junho o trimestre mais desafiador da hotelaria soteropolitana.

5 motivos para a queda na ocupação hoteleira:

1

Clima menos favorável ao turismo de sol e praia. Junho está dentro do período mais chuvoso e instável de Salvador. Isso reduz a atratividade do destino para quem associa Salvador principalmente a praia, sol e atividades ao ar livre.

Em 2025 e 2026, a instabilidade climática foi explicitamente apontada entre as causas da baixa ocupação.

2

Junho ainda antecede as férias escolares do Sudeste. Uma parte importante do turismo doméstico de lazer ainda está em período escolar.

3

A demanda familiar começa a crescer de maneira mais significativa em julho. A ABIH-BA aponta especificamente esse fator para explicar o desempenho de junho de 2026.

4

O São João favorece mais o interior da Bahia do que Salvador. Apesar de Salvador ter festas juninas, destinos como Cruz das Almas, Amargosa, Santo Antônio de Jesus e Senhor do Bonfim atraem grande fluxo nesse período.

Em 2025, a ABIH-BA atribuiu parte da queda da capital ao deslocamento de pessoas para o interior durante os festejos juninos.

5

A demanda corporativa e de eventos não compensa totalmente a queda do lazer. Congressos e eventos ajudam bastante, tanto que a Setur-BA atribui a eles parte do bom desempenho de abril de 2025, mas junho continua estruturalmente mais fraco.

Entenda
Curva de ocupação hoteleira em Salvador


-- Carnaval/verão: ocupação muito forte
-- Abril–junho: desaceleração 
-- Junho: vale da sazonalidade
-- Julho: recuperação
-- Segunda quinzena de julho: recuperação mais evidente

Isso também explica por que junho costuma exigir muito mais esforço de preço, eventos, grupos e turismo corporativo. Não é simplesmente que Salvador deixa de ter turistas: muda a composição da demanda e há menos hóspedes de lazer, o que é insuficiente para preencher a oferta hoteleira.