
As eleições de outubro provocarão uma mudança significativa na composição do Senado independentemente do resultado das urnas.
Pelo menos 22 dos atuais ocupantes das 54 cadeiras em disputa não permanecerão como titulares dessas vagas a partir de 2027. O número corresponde a 40,7% dos assentos submetidos ao voto neste ano e poderá aumentar com eventuais derrotas de senadores que tentam a reeleição.
O Senado tem 81 integrantes, três por unidade da Federação, com mandatos de oito anos. A renovação ocorre de forma alternada: em uma eleição é escolhido um terço dos senadores e, quatro anos depois, dois terços.
Em 2026, cada estado e o Distrito Federal escolherão dois representantes, totalizando 54 cadeiras. Os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação serão eleitos, sem segundo turno.
Entre os 54 senadores que ocupam atualmente as cadeiras cujos mandatos terminam no início de 2027, 32 tentam permanecer na Casa por mais oito anos. Outros 13 não disputam nenhum cargo nestas eleições e nove participam da campanha, mas concorrem a outros postos ou integram chapas para o Senado como suplentes.
Isso significa que, antes da abertura das urnas, já é possível saber que pelo menos 22 das 54 cadeiras terão novos titulares em 2027.
A dimensão final da mudança dependerá principalmente do desempenho dos 32 senadores que concorrem à reeleição. Cada um que não conseguir um novo mandato acrescentará mais uma troca à composição da Casa.
Mudança completa em três estados
Em três estados, a troca dos titulares das duas cadeiras em disputa já está definida: São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Nenhum dos seis atuais ocupantes concorre à reeleição para o Senado.
No Paraná, Flávio Arns e Oriovisto Guimarães não participam das eleições deste ano. No Rio Grande do Sul, Luis Carlos Heinze e Paulo Paim também não são candidatos. Em São Paulo, Giordano não disputa a eleição, enquanto Mara Gabrilli concorre a uma cadeira de deputada estadual. Independentemente do resultado das urnas, portanto, os três estados terão novos titulares nas duas vagas em disputa.
Entre os nove atuais senadores que participam das eleições sem buscar a reeleição para o cargo, há candidatos a outros postos e parlamentares que decidiram integrar chapas como suplentes.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disputa a Presidência da República; Marcos Rogério (PL-RO), o governo de Rondônia; Izalci Lucas (PL-DF) e Roberta Acioly (Republicanos-RR) concorrem à Câmara dos Deputados; e Mara Gabrilli (PSD-SP), à Assembleia Legislativa paulista. Daniella Ribeiro (PP-PB), Dra. Eudocia (PSDB-AL), Jader Barbalho (MDB-PA) e Nelsinho Trad (PSD-MS) aparecem como primeiros suplentes em chapas para o Senado.
Outros 13 ocupantes de cadeiras em disputa não concorrem a nenhum cargo. Entre eles estão parlamentares de longa trajetória no Congresso, como Paulo Paim, do Rio Grande do Sul.
Mudança pode alcançar cadeiras que não estão em disputa
O efeito das eleições sobre a composição do Senado poderá ultrapassar as 54 vagas submetidas diretamente ao eleitorado.
Dos 27 senadores cujos mandatos seguem até 2031, nove disputam governos estaduais em 2026: Alan Rick, no Acre; Renan Filho, em Alagoas; Omar Aziz, no Amazonas; Wilder Morais, em Goiás; Wellington Fagundes, em Mato Grosso; Cleitinho, em Minas Gerais; Efraim Filho, na Paraíba; Sergio Moro, no Paraná; e Professora Dorinha Seabra, no Tocantins.
Caso algum deles seja eleito governador e deixe o Senado, o respectivo suplente assumirá o restante do mandato. A eleição estadual poderá, portanto, modificar também a identidade dos ocupantes de algumas das 27 cadeiras que não estão sendo renovadas neste ano.
Esse movimento deve ser contabilizado separadamente da disputa pelas 54 vagas. Nesse caso, não haverá eleição de um novo senador para a cadeira, mas substituição do titular pelo suplente.
Por que a composição importa
A dimensão da mudança ganha relevância pelas atribuições institucionais do Senado. Além de participar da elaboração das leis e de fiscalizar o Executivo, a Casa exerce competências que não pertencem à Câmara dos Deputados.
Cabe ao Senado, por exemplo, aprovar previamente indicações para cargos como ministros de tribunais superiores nos casos previstos pela Constituição, ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo presidente da República, presidente e diretores do Banco Central e procurador-geral da República. A Casa também participa da aprovação de chefes de missões diplomáticas permanentes e exerce atribuições relacionadas ao endividamento público.
Compete ainda ao Senado processar e julgar o presidente e o vice-presidente da República nos crimes de responsabilidade, além de ministros do Supremo Tribunal Federal e outras autoridades nas hipóteses previstas pela Constituição.
A composição partidária que emergir das urnas terá, portanto, efeitos que ultrapassam a aprovação de projetos de lei. Ela influenciará decisões institucionais e a relação entre o Senado e o governo federal durante os próximos anos.
Tamanho da mudança depende das urnas
A eleição de 2026 parte de um patamar mínimo de mudança já conhecido. Dos 54 atuais ocupantes das cadeiras que chegam ao fim do mandato, somente 32 tentam permanecer nelas por meio da reeleição. Os outros 22 já estão fora dessa disputa.
Em termos proporcionais, isso significa que 40,7% das cadeiras submetidas ao voto terão necessariamente novos titulares.
O percentual não deve ser confundido, porém, com uma renovação de 40,7% de todo o Senado. Consideradas as 81 cadeiras da Casa, esses 22 novos titulares equivalem a 27,2% da composição total.
O tamanho definitivo da mudança somente será conhecido após a apuração. Se todos os 32 senadores candidatos à reeleição vencerem, a troca de titulares nas cadeiras em disputa ficará no piso já determinado. A cada senador não reeleito, porém, esse número aumentará.
Há, portanto, uma mudança que as urnas de outubro ainda decidirão e outra que já está definida antes mesmo de o primeiro voto ser contabilizado: ao menos 22 das 54 cadeiras colocadas em disputa terão novos titulares no Senado em 2027.

Conheça os candidatos ao Senado pela Bahia
A Bahia tem dez candidaturas ao Senado registradas para as eleições de 2026. Como neste ano são renovados dois terços da Casa, o eleitor baiano poderá votar em dois candidatos diferentes, e os dois mais votados serão eleitos.
Angelo Coronel (Republicanos) -- Senador pela Bahia desde 2019, Angelo Coronel, 68 anos, tenta a reeleição. Engenheiro civil, empresário e gestor público, nasceu em Coração de Maria. Foi prefeito do município, exerceu sucessivos mandatos como deputado estadual e presidiu a Assembleia Legislativa da Bahia entre 2017 e 2019, antes de chegar ao Senado. Sua candidatura, portanto, é uma das duas na disputa que representam a continuidade de atuais senadores baianos no cargo, ao lado de Jaques Wagner.
Carlos Sodré (Mobiliza) -- Advogado, procurador federal, jornalista e professor, Carlos Eduardo Sodré nasceu em Itapé, no sul da Bahia, em 1946. Sua trajetória inclui passagens pela administração pública como secretário municipal de Itapé e secretário estadual de Relações Institucionais. Na campanha ao Senado, apresenta também como elemento de sua candidatura a defesa de maior representação política do sul da Bahia.
Gregorio Gould (UP) -- Escritor e dirigente sindical, Gregorio Motta Gould nasceu no Rio de Janeiro em 1986 e é candidato pela Unidade Popular. Sua trajetória política começou no movimento estudantil, com atuação na União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e na Associação Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro. Na Bahia, participou da fundação da UP e tem atuação relacionada à organização popular e aos movimentos sociais. É também coautor do livro A Esperança Nasce na Avenida Sete, relacionado à experiência de famílias da Ocupação Carlos Marighella, em Salvador, durante a pandemia.
Jaques Wagner (PT) -- Atual senador e candidato à reeleição, Jaques Wagner, 75 anos, possui uma das trajetórias políticas mais extensas entre os concorrentes. Ex-dirigente sindical, foi deputado federal, ministro do Trabalho, ministro das Relações Institucionais, ministro da Defesa e ministro-chefe da Casa Civil. Governou a Bahia por dois mandatos consecutivos, entre 2007 e 2014, e ocupa uma cadeira no Senado desde 2019. Na eleição de 2026, integra a chapa governista juntamente com Rui Costa.
João Roma (PL) -- Advogado e produtor agropecuário, João Roma, 53 anos, foi chefe de Gabinete da Prefeitura de Salvador entre 2013 e 2018, deputado federal entre 2019 e 2023 e ministro da Cidadania no governo Jair Bolsonaro, entre 2021 e 2022. Atualmente preside o PL na Bahia. Na disputa de 2026, integra a coligação encabeçada por ACM Neto (União Brasil) para o governo estadual. Durante a campanha, tem defendido temas como desenvolvimento econômico, geração de oportunidades, segurança pública e maior participação dos municípios.
Marcelo Carvalho (Rede) -- Professor de Filosofia, dirigente sindical e porta-voz estadual da Rede Sustentabilidade, Marcelo Carvalho Lavigne, 45 anos, concorre a uma das vagas pelo partido. Já disputou uma cadeira na Câmara Municipal de Salvador em 2020, sem se eleger. Durante o debate da TV Bahia realizado em 25 de setembro, defendeu o fortalecimento da democracia e das políticas afirmativas, além de se manifestar contra as apostas esportivas on-line. Sua chapa tem como suplentes Zem Costa e Cris Marques, ambos do PSOL.
Marcelo Millet (PCO) -- Motorista de aplicativo e particular, Marcelo Millet Oliveira, 40 anos, nasceu em Salvador e concorre pelo Partido da Causa Operária. Segundo seu perfil eleitoral, é filho de operários e ingressou formalmente na política partidária em 2017, quando se filiou ao PCO. Não registra exercício anterior de mandato eletivo. Seus suplentes são Robson José Leal Lyra e Maria do Carmo, também integrantes do PCO.
Marcelo Santtana (Democracia Cristã) -- Registrado eleitoralmente como Marcelo Santtana, Marcelino José Guimarães Santana nasceu em Salvador em 1958. É advogado, jornalista, professor, cientista político e procurador municipal. A Agência Senado registra que exerceu mandato de vereador em Lauro de Freitas entre 2001 e 2005. Sua trajetória eleitoral inclui ainda outras disputas por cargos públicos. Em 2026, concorre pelo Democracia Cristã, tendo Cinde Fátima e Lázaro Leite como suplentes.
Professora Delliana (PSOL) -- Delliana Ricelli Ribeiro da Silva, 43 anos, nasceu em Ubaitaba e construiu sua atuação profissional e política principalmente em Itabuna. Professora da rede pública, é formada em Filosofia e mestre em Linguagens e Representações pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Atua em movimentos feministas, antirracistas e populares e integra a direção estadual do PSOL. Durante a campanha, tem colocado entre suas principais pautas a educação pública, o enfrentamento à violência contra a mulher, o combate ao racismo e a ampliação da participação feminina nos espaços de poder. É a única mulher entre os dez candidatos ao Senado pela Bahia em 2026.
Rui Costa (PT) -- Economista, ex-dirigente sindical e ex-governador da Bahia, Rui Costa, 63 anos, disputa pela primeira vez uma cadeira no Senado. Foi vereador de Salvador, secretário estadual de Relações Institucionais, deputado federal e secretário da Casa Civil da Bahia. Governou o estado por dois mandatos, de 2015 a 2022, e, a partir de 2023, assumiu a Casa Civil da Presidência da República. Deixou o ministério em abril de 2026 para disputar o Senado e concorre na mesma chapa de Jaques Wagner.
