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Refugiada afegã dá à luz em avião

Tanto a mãe quanto a recém-nascida estão em boas condições

Afegã é levada para centro médico após dar à luz uma menina em avião de evacuação

Uma refugiada afegã deu à luz uma menina dentro de um avião militar dos Estados Unidos usado para evacuação de civis de Cabul, capital do Afeganistão.

A notícia foi divulgada pelo perfil no Twitter no Comando de Mobilidade Aérea (AMC), que é ligado à Força Aérea dos EUA. O parto ocorreu logo após o pouso na Base Aérea de Ramstein, na Alemanha, onde a mãe e a recém-nascida receberam atendimento médico.

"Durante o voo de uma base intermediária no Oriente Médio, a mãe entrou em trabalhou de parto e começou a ter complicações. O comandante da aeronave decidiu então reduzir a altitude para aumentar a pressão do ar no avião, o que ajudou a estabilizar e salvar a vida da mãe", diz o AMC.

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Após o pouso na Alemanha, uma equipe médica subiu a bordo e fez o parto da criança no compartimento de carga da aeronave. A mãe e a menina foram transportadas para um centro médico nos arredores da base e estão em "boas condições".

Alerta dos EUA

A embaixada dos Estados Unidos no Afeganistão emitiu um alerta de segurança aconselhando que seus cidadãos não se dirijam ao aeroporto internacional de Cabul, que concentra as operações de evacuação de estrangeiros e refugiados.

Segundo a sede diplomática americana, existem "potenciais ameaças à segurança" fora dos portões do aeroporto, já que todas as estradas de acesso ao local estão sob controle do grupo fundamentalista islâmico Talibã.

Em nota divulgada em seu site, a embaixada diz que cidadãos dos EUA só devem ir ao aeroporto se "receberem instruções individuais de um representante do governo americano". "Vamos contatar cidadãos americanos registrados conforme a situação de segurança mudar para fornecer novas instruções", diz o comunicado.

O aeroporto internacional de Cabul vive uma situação caótica desde o último fim de semana, quando o Talibã tomou a capital sem enfrentar resistência e reassumiu o poder no Afeganistão 20 anos depois de ter sido derrubado pela invasão americana.

Apesar de o aeroporto estar sob controle de militares dos EUA, milhares de afegãos se aglomeraram no local para tentar entrar em voos de evacuação, sendo que alguns chegaram até a se pendurar do lado de fora de aeronaves.

Pelo menos duas pessoas morreram ao cair de um avião militar dos Estados Unidos após a decolagem.

Refugiados afegãos chegam à Itália

Mais um voo com 211 afegãos aterrissou na Itália neste domingo (22), dando continuidade a uma operação que já evacuou mais de 1,3 mil refugiados desde a tomada de Cabul pelo Talibã, em 15 de agosto.

O contingente é formado principalmente por ex-colaboradores da missão diplomática e militar italiana no Afeganistão e por seus familiares. Como de praxe, todos os passageiros foram submetidos a controles sanitários anti-Covid após o desembarque no aeroporto de Fiumicino, nos arredores de Roma.

Inicialmente, os refugiados evacuados pela Força Aérea da Itália são levados de Cabul para o Kuwait em aviões C-130 e depois viajam até Roma em Boeings KC-767, que têm maior capacidade.

As Forças Armadas italianas mantiveram até junho passado uma base militar em Herat, como parte da missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no país asiático.

A retirada das tropas ocidentais, no entanto, permitiu o rápido avanço do Talibã, que havia sido destituído pela invasão americana em 2001 e reconquistou o Afeganistão quase sem enfrentar resistência.

Desespero nos olhos

 Um dos pilotos italianos que trabalham há uma semana na operação de evacuação de refugiados afegãos contou que consegue ver o "desespero" nos olhos das pessoas que fogem do Talibã, mas também a "esperança" de encontrar um futuro melhor.

O piloto, que não se identificou, deu um depoimento em vídeo durante um voo proveniente do Kuwait e que aterrissou no aeroporto de Fiumicino, nos arredores de Roma, na última sexta-feira (20).

"Temos muitas crianças e mulheres a bordo. Vimos em seus olhos o desespero de deixar a própria casa, o próprio país. Mas eles com certeza entendem a oportunidade dada pela Itália de buscar um futuro melhor e um novo início", contou o militar, membro da tripulação de um KC-767 da Aeronáutica italiana.

A "ponte aérea" com Cabul foi aberta pela Itália no último domingo (15), quando o grupo fundamentalista islâmico Talibã reassumiu o poder no Afeganistão. Os refugiados são levados da capital afegã para o Kuwait em aviões C-130 da Aeronáutica e depois viajam até Roma em Boeings KC-767, que têm maior capacidade.

De acordo com o piloto, as crianças são aquelas que parecem mais traumatizadas com a fuga repentina, e os militares tentam aliviar seu sofrimento com pequenos gestos. "Demos às crianças brinquedos, doces e balas. É um gesto simples, mas acolhido com felicidade pelas crianças", disse.

Segundo ele, a situação no Afeganistão dá força aos militares para concluir a missão de evacuação. "Não deixaremos ninguém para trás", prometeu o piloto. A Itália manteve uma base militar em Herat, na parte ocidental do Afeganistão, até junho passado.

Desde então, mais de 1,5 mil afegãos já foram levados para o país europeu, sendo quase mil apenas na última semana.

O primeiro voo de evacuação após a queda de Cabul para o Talibã pousou no aeroporto de Fiumicino na segunda-feira passada (16), com 74 pessoas, incluindo aproximadamente 20 afegãos. O segundo chegou na quarta, com 85 refugiados, enquanto o terceiro aterrissou no dia seguinte, com 202.

Já o quarto, o quinto e o sexto voos pousaram na Itália na sexta-feira, carregando, respectivamente, 194, 104 e 103 afegãos. O sétimo voo aterrissou neste sábado (21), com 195 refugiados.