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Astronautas sobrevoam o lado escuro da Lua e fazem história

Nenhum ser humano chegou tão longe, no espaço

Foto: Nasa
OS ASTRONAUTAS
Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen
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A missão Artemis II iniciou o sobrevoo final da Lua e deve atingir 406.700 km da Terra, superando o recorde da Apollo 13. Astronautas registrarão imagens raras do lado oculto lunar e enfrentarão interrupção de comunicação durante a passagem. Missão marca primeiro voo tripulado do programa Artemis.

Os quatro astronautas da missão Artemis II -- Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen -- realizaram testes com trajes espaciais, ajustes na trajetória da cápsula Orion e revisão final dos alvos científicos que serão observados durante a passagem pela Lua e iniciaram, nesta segunda-feira (6), a etapa final do sobrevoo ao redor da Lua.

A tripulação, a bordo da cápsula Orion desde o lançamento ocorrido na Flórida na semana passada, deverá atingir a maior distância já percorrida por humanos em relação à Terra, superando o recorde estabelecido pela missão Apollo 13.

Os astronautas iniciaram testes do traje Orion Crew Survival System, projetado para proteger a tripulação em fases críticas do voo. Durante a avaliação, os membros da missão realizaram verificações de vazamento, simulações de entrada nos assentos e análises de mobilidade. Também foram testadas as condições para alimentação e hidratação enquanto utilizam o traje.

O equipamento é utilizado durante momentos dinâmicos da missão e fornece suporte de vida em caso de despressurização da cabine, além de ser essencial em operações de sobrevivência após o pouso no oceano.

Após os testes, a tripulação passou a revisar a manobra de correção de trajetória prevista para refinar o caminho da cápsula Orion rumo à Lua. Segundo a NASA, a manobra estava programada para 11h03 da noite, no horário do leste dos Estados Unidos. As duas correções anteriores planejadas foram canceladas, já que a nave manteve trajetória considerada precisa.

Christina Koch e Jeremy Hansen ficaram responsáveis por revisar os procedimentos da manobra, enquanto Hansen monitorou a configuração da nave e os dados de navegação durante a preparação.

Ainda conforme a NASA, a tripulação também recebeu a lista final de alvos científicos que serão observados durante o sobrevoo lunar. O controle da missão enviou as informações no domingo, permitindo que os astronautas realizassem os ajustes finais e participassem de uma conferência com a equipe em solo.

A lista inclui 30 pontos de observação na superfície lunar. Entre os principais está a bacia Orientale, uma cratera com cerca de 960 quilômetros de diâmetro localizada entre o lado visível e o lado oculto da Lua. A formação, com aproximadamente 3,8 bilhões de anos, será observada com iluminação completa durante a aproximação da Orion.

Segundo a NASA, a bacia Orientale apresenta evidências preservadas do impacto que originou a cratera, incluindo formações geológicas marcantes em seus anéis. Os astronautas devem analisar a região de diferentes ângulos enquanto passam pela área.

Outro alvo importante é a bacia Hertzsprung, localizada a noroeste da Orientale. Com cerca de 640 quilômetros de diâmetro, a cratera fica no lado oculto da Lua e apresenta características mais desgastadas por impactos posteriores. A tripulação vai comparar as duas formações para entender melhor como essas estruturas evoluem ao longo do tempo geológico.

A NASA informou ainda que os astronautas utilizam um software específico desenvolvido pela equipe científica da missão. O sistema orienta a execução das observações e indica os alvos em tempo real durante o sobrevoo lunar.

Antes da aproximação final, a cápsula Orion deve entrar na esfera de influência gravitacional da Lua por volta de 12h41 da madrugada desta segunda-feira, no horário do leste dos Estados Unidos, marcando uma das etapas mais importantes da missão Artemis II.

Fase final

A fase final do sobrevoo começou às 1h42, no horário de Brasília. A tripulação inicia o sexto dia da missão com despertar previsto para 11h50, também no horário de Brasília. O sobrevoo lunar está programado para 15h34, quando os astronautas entrarão em uma região de escuridão e enfrentarão interrupções temporárias de comunicação.

Durante esse período, a Lua bloqueará o contato com a Rede de Espaço Profundo da NASA, sistema global de antenas utilizado para comunicação com a espaçonave. A ausência de sinal deve durar algumas horas, enquanto a cápsula Orion percorre o lado oculto do satélite natural.

Às 20h05, no horário de Brasília, a nave deverá alcançar a distância máxima da missão, cerca de 406.700 quilômetros da Terra. O marco ultrapassa em aproximadamente 6.600 quilômetros o recorde mantido pela tripulação da Apollo 13 por 56 anos.

Participam da missão os astronautas da NASA Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do astronauta canadense Jeremy Hansen. Durante a passagem pelo lado oculto da Lua, a equipe observará o satélite a cerca de 6.400 quilômetros de altitude, enquanto a Terra aparecerá ao fundo com tamanho aparente reduzido.

Após a perda temporária de comunicação, a travessia deverá durar cerca de seis horas. Nesse período, os astronautas utilizarão câmeras profissionais para registrar imagens detalhadas da superfície lunar e da luz solar contornando o satélite, criando um efeito semelhante a um eclipse lunar observado do espaço.

A tripulação também deverá registrar o momento em que a Terra reaparece no horizonte lunar, após a nave emergir do outro lado da Lua. O fenômeno será observado como uma versão espacial do nascer da Lua visto da Terra.