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Trump promete fazer do Irã um 'inferno' se Estreito ficar fechado

O presidente dos EUA avalia assumir o controle do petróleo iraniano

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Trump ameaçou atacar usinas e pontes do Irã se o Estreito de Ormuz não for reaberto. O presidente também considera controlar petróleo iraniano. Declarações geraram críticas de democratas, apoio de aliados e reação do Irã na ONU. Tentativas recentes de acordo entre Washington e Teerã não avançaram.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que poderá ordenar ataques contra usinas de energia e pontes do Irã, na terça-feira (7 de abril), caso o país não reabra o Estreito de Ormuz. A declaração foi feita em publicação na rede Truth Social, onde Trump também alertou que o Irã enfrentaria consequências severas se não houver acordo.

Usinas elétricas, estações de dessalinização, poços de petróleo, estradas, pontes e outras estruturas formam a base do funcionamento cotidiano do Irã, destacou o New York Times, acrescentando que  a destruição desses alvos poderia provocar impacto humanitário amplo sobre a população do país, estimada em cerca de 93 milhões de pessoas.

"Terça-feira será o Dia das Usinas de Energia e o Dia das Pontes, tudo em um só, no Irã. Não haverá nada igual!!!" escreveu Trump nas redes sociais. "Abram a porra do estreito, seus malucos, ou vocês vão viver no inferno -- APENAS OBSERVEM."

O Estreito de Ormuz é considerado estratégico para o comércio global de energia. Localizado ao sul do Irã, o corredor marítimo é responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo e gás consumidos no mundo. A maior parte do volume transportado segue para a Ásia, enquanto Estados Unidos e Europa adquirem aproximadamente 3% e 4%, respectivamente, do petróleo bruto que passa pela rota.

Trump também afirmou, em entrevista ao jornalista Trey Yingst, da Fox News, que avalia assumir o controle do petróleo iraniano caso não seja alcançado um acordo. 

Na quinta-feira, Trump divulgou um vídeo que mostraria forças americanas destruindo partes de uma ponte importante próxima à capital iraniana, Teerã. Na publicação, o presidente voltou a pressionar o Irã, afirmando em letras maiúsculas que o país deveria fechar um acordo antes que "não reste nada do que ainda poderia se tornar um grande país".

As declarações provocaram reações divergentes. O senador Lindsey Graham afirmou que a possibilidade de solução diplomática está se reduzindo e disse que Trump demonstra firmeza ao exigir a reabertura do Estreito de Ormuz sob risco de resposta militar contra infraestruturas estratégicas iranianas.

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Já o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, criticou a postura do presidente, afirmando que Trump estaria ameaçando possíveis crimes de guerra e prejudicando relações com aliados, enquanto cidadãos norte-americanos celebravam a Páscoa.

Autoridades israelenses informaram, em 3 de abril, que tentativas de intermediar um acordo de paz entre Washington e Teerã não tiveram sucesso, indicando que as negociações permanecem sem avanços.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que a postura norte-americana pode agravar o conflito e aumentar o sofrimento.