
A suspensão do serviço de avaliação vascular especializada nas Unidades de Pronto Atendimento de Salvador, anunciada pela Prefeitura para vigorar a partir de 1º de abril, gerou preocupação da Secretaria da Saúde da Bahia e críticas do deputado estadual Robinson Almeida.
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia manifestou preocupação com a decisão da Prefeitura de Salvador de interromper a oferta de avaliação vascular especializada nas UPAs sob gestão municipal. A comunicação foi feita em 31 de março, com efeitos imediatos a partir de 1º de abril e sem previsão de retomada do serviço.
Segundo o governo estadual, a mudança ocorreu de forma abrupta e pode comprometer a organização da rede assistencial. Com a suspensão, pacientes atendidos nas unidades municipais com quadros vasculares deixarão de contar com avaliação especializada, o que pode aumentar o tempo de espera, elevar o risco de agravamento clínico e dificultar o acesso a tratamentos que ajudam a evitar amputações e outras complicações graves.
A diretora do serviço estadual de regulação, Rita Santos, explicou que as demandas eram avaliadas por médicos da própria estrutura municipal. Com a interrupção, os pacientes precisarão ser encaminhados para unidades estaduais, o que deve aumentar a pressão sobre uma rede que já opera com alta demanda.
O Governo do Estado afirmou que continuará atendendo os pacientes e reforçou o compromisso com a assistência à população. No entanto, destacou que a interrupção do serviço nas unidades municipais representa uma decisão da Prefeitura de Salvador, que pode fragilizar o atendimento e gerar sobrecarga na rede estadual. O fortalecimento do Sistema Único de Saúde, segundo a Secretaria, depende da atuação conjunta das diferentes esferas de gestão.

O deputado estadual Robinson Almeida (PT)
A suspensão também provocou críticas do deputado estadual Robinson Almeida, que responsabilizou o prefeito Bruno Reis pela decisão da Secretaria Municipal de Saúde. O parlamentar classificou a medida como irresponsável e afirmou que a gestão municipal estaria contribuindo para o agravamento do sistema de saúde.
“Salvador tem prefeito? Bruno Reis abandonou a cidade e transformou a prefeitura em comitê eleitoral do seu chefe, ACM Neto, nomeando aliados do interior do estado”, declarou o deputado.
Robinson Almeida afirmou ainda que a suspensão do serviço terá impacto direto na população e aumentará a pressão sobre a rede estadual de saúde. “Essa decisão tem impacto direto na vida das pessoas. É uma medida irresponsável, que penaliza quem mais precisa do serviço público de saúde do município”, afirmou.
O parlamentar também apontou falhas estruturais na gestão municipal da saúde, destacando baixa cobertura da atenção básica, falta de médicos e ausência de especialistas nas unidades. Segundo ele, a falta de investimento no atendimento preventivo compromete todo o sistema.
“A saúde municipal está precária, com baixa cobertura da atenção básica, ausência de médicos e especialistas nas unidades. O prefeito não cuida do preventivo, que salva vidas ao evitar que doenças se desenvolvam. Ao interromper serviços importantes nas UPAs, ele agrava o quadro da saúde pública, sobrecarregando a média e alta complexidade”, disse.
Além da área da saúde, o deputado também criticou a administração municipal em setores como mobilidade urbana e infraestrutura. Segundo ele, a cidade enfrenta problemas de trânsito, buracos nas vias, acúmulo de lixo e alagamentos frequentes.
“Salvador está abandonada pelo prefeito e isso a gente vê nas ruas. O trânsito é travado porque a prefeitura não apresenta soluções para fluidez e melhora da mobilidade, as ruas estão cheias de buracos e há lixo por todo lado. Qualquer chuva de 30 minutos já é suficiente para alagar ruas e avenidas, porque não há investimento também em drenagem pluvial”, afirmou.
