
A cesta básica de Salvador ficou 1,63% mais cara em outubro e passou a custar R$ 618,42, segundo levantamento da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Foi o segundo aumento consecutivo, depois da alta de 3,64% registrada em setembro.
Em dois meses, o custo dos 25 produtos pesquisados subiu 5,33%, ampliando a pressão sobre o orçamento das famílias da capital baiana.
O impacto é especialmente significativo para quem recebe um salário mínimo. De acordo com a SEI, a compra de uma cesta básica consumiu 41,24% do salário líquido considerado no levantamento, equivalente a R$ 1.499,43.
Para adquirir os produtos, o trabalhador precisaria dedicar 90 horas e 44 minutos de trabalho, uma hora e 28 minutos a mais que em setembro.
A pesquisa de outubro foi realizada com base em 3.366 cotações de preços coletadas em 87 estabelecimentos comerciais de Salvador. Dos 25 produtos acompanhados, 13 ficaram mais caros e 12 apresentaram redução.
Tomate, macarrão e cebola lideram aumentos
Entre os produtos que mais encareceram em outubro, o tomate apresentou a maior variação, de 25,76%, seguido pelo macarrão (25,11%) e pela cebola (20,95%). Também tiveram aumentos expressivos o arroz (7,08%), a linguiça calabresa (6,86%), a carne de segunda (5,87%) e a carne de primeira (5,64%).
Segundo o economista Denilson Lima, da SEI, as condições climáticas e as oscilações da oferta e da demanda influenciaram o comportamento dos preços. No caso do tomate, as chuvas e as temperaturas mais baixas nas regiões produtoras prejudicaram a oferta e retardaram o amadurecimento dos frutos.
Em contrapartida, alguns produtos ficaram mais baratos. As maiores reduções ocorreram no flocão de milho (-23,08%), na batata inglesa (-14,85%) e na banana-prata (-11,25%). O café moído também apresentou queda de 5,57%, enquanto o leite recuou 2,74%.

Alimentos do almoço ficaram 7% mais caros
A elevação dos preços foi particularmente intensa entre os ingredientes utilizados no almoço dos soteropolitanos. O grupo formado por feijão, arroz, carnes, farinha de mandioca, tomate e cebola registrou aumento de 7% em outubro e representou 39,88% do custo total da cesta básica.
O resultado contrasta com o comportamento dos produtos associados ao café da manhã, como café, leite, açúcar, pão, manteiga, queijos e flocão de milho. Esse conjunto apresentou redução de 0,49% no mês e respondeu por 34,61% do valor da cesta.
A diferença entre os dois grupos mostra que o encarecimento não atingiu todos os alimentos da mesma maneira. Enquanto produtos importantes para o almoço pressionaram o indicador, as reduções em parte dos itens consumidos pela manhã ajudaram a conter a alta geral.
Aumento reduz margem do orçamento familiar
A sequência de reajustes ocorre depois de dois meses de redução no custo da cesta básica. Em julho, o indicador havia recuado 6,08% e, em agosto, 4,09%. A trajetória mudou em setembro, quando a cesta passou a custar R$ 608,50, chegando aos R$ 618,42 registrados em outubro.
Apesar das duas altas consecutivas, o valor de outubro ainda ficou abaixo do patamar de junho, considerando as variações mensais divulgadas pela SEI. Isso indica uma recuperação parcial dos preços, e não a reversão integral das quedas anteriores.
Para as famílias, entretanto, o aumento recente representa uma despesa adicional com produtos essenciais. Quanto maior a parcela da renda comprometida com alimentação, menor tende a ser a disponibilidade de recursos para outras compras e serviços.
Essa pressão pode ganhar importância com a aproximação do fim do ano, quando despesas adicionais disputam espaço no orçamento doméstico. O levantamento da SEI, porém, não permite concluir que a alta da cesta básica já tenha provocado redução do consumo em outros segmentos do comércio.
A evolução dos preços nos próximos meses será decisiva para verificar se os aumentos recentes terão continuidade ou se a cesta voltará a apresentar redução.
