Segurança

Veja como evitar o golpe do falso advogado e o que fazer se cair

Os criminosos utilizam nomes, fotografias e dados profissionais de advogados reais

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A Febraban alerta para o golpe do falso advogado, no qual criminosos utilizam dados reais de processos judiciais para exigir pagamentos antecipados, geralmente por Pix. Os fraudadores se passam por advogados ou representantes da Justiça. A orientação é confirmar cobranças diretamente com o advogado, guardar provas e registrar boletim de ocorrência.

Criminosos estão utilizando informações verdadeiras de processos judiciais para se passar por advogados e convencer vítimas a realizar transferências bancárias. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alerta para diferentes modalidades do chamado golpe do falso advogado, praticado principalmente por aplicativos de mensagens, ligações telefônicas e videochamadas.

Uma das abordagens mais frequentes começa com a informação de que a pessoa venceu uma ação judicial e tem dinheiro a receber. Para liberar o suposto valor, os fraudadores exigem o pagamento antecipado de taxas, impostos ou custas processuais, geralmente por Pix. A cobrança costuma ser acompanhada de pressão para que a transferência seja realizada imediatamente.

Para tornar a história convincente, os criminosos consultam informações públicas sobre ações judiciais e utilizam nomes, fotografias e dados profissionais de advogados regularmente inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Em alguns casos, afirmam integrar a equipe de um escritório ou ter assumido recentemente a responsabilidade pelo processo.

Os golpistas também podem se apresentar como promotores, juízes ou funcionários de tribunais. Outra estratégia consiste no envio de documentos falsificados e links maliciosos, capazes de facilitar o roubo de informações pessoais e financeiras ou comprometer a segurança do celular.

A Febraban recomenda desconfiar de solicitações inesperadas de pagamento, especialmente quando acompanhadas de urgência. Antes de realizar qualquer transferência, a pessoa deve procurar diretamente o advogado responsável pelo processo, utilizando canais de contato já conhecidos.

“Sempre desconfie de contatos que pedem pagamentos com urgência ou chegam por canais que você não reconhece como oficiais do advogado ou do escritório”, orienta Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban.

O executivo recomenda interromper a ligação suspeita e confirmar as informações diretamente com o profissional responsável pela ação. Sempre que possível, a verificação deve ser feita pessoalmente.

Vicente de Chiara, diretor Jurídico da Febraban, também alerta contra cobranças antecipadas apresentadas como condição para liberar indenizações ou resolver pendências judiciais. Segundo ele, quem receber uma tentativa de golpe deve guardar capturas de tela das mensagens, a chave Pix informada e o número de telefone utilizado pelos criminosos.

Como reconhecer as abordagens dos golpistas
-- Fazem contato por número desconhecido ou por canal diferente daquele normalmente usados pelo advogado ou pelo escritório de advocacia
-- Usam nome, fotografia e dados profissionais reais de um advogado para criar um perfil falso
-- Apresentam-se como advogado da causa, integrante do escritório, novo responsável pelo processo, promotor, juiz ou funcionário de tribunal
-- Mencionam informações verdadeiras de processos judiciais obtidas em consultas públicas para tornar a fraude mais convincente
-- Anunciam vitória na ação ou de um valor disponível para recebimento
-- Cobram taxa antecipada, custas ou impostos para liberar a quantia
-- Há pressão para pagamento urgente, principalmente por Pix
-- Podem enviar documentos falsos para dar aparência oficial à fraude
-- Enviam links maliciosos que podem roubar dados ou comprometer o celular
-- Pedem informações sigilosas, como senha bancária
-- Fazem ligações telefônicas e solicitam chamadas de vídeo se passando por um funcionário do escritório de advocacia, ou de um tribunal de Justiça, para dar mais veracidade ao golpe

Como se proteger
-- Não faça pagamentos antecipados para receber valores de ações judiciais. A Justiça não cobra quantias para liberar indenizações ou resolver pendências processuais
-- Interrompa a conversa ou desligue a ligação antes de tomar qualquer decisão
-- Confirme a informação diretamente com o advogado por um telefone que já esteja salvo em sua agenda ou por outro canal oficial conhecido
-- Não continue a verificação pelo mesmo número que iniciou o contato suspeito
-- Se puder, faça a confirmação presencialmente no escritório
-- Desconfie de qualquer pedido urgente de transferência, ainda que o contato conheça detalhes reais do processo
-- Nunca forneça por mensagem ou ligação documentos, senhas bancárias, dados de cartão ou outras informações pessoais e financeiras
-- Não clique em links enviados durante o contato
-- Lembre-se de que detalhes corretos sobre uma ação não comprovam a identidade de quem fez o contato, pois informações de processos podem ser públicas.

Cai no golpe, e agora?
-- No caso de o cliente ter sido vítima de algum crime, ele deve notificar imediatamente seu banco para que medidas adicionais de segurança sejam adotadas, como bloqueio do app e senha de acesso
-- Faça um boletim de ocorrência.