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Filha de brasileiros ajudava a pilotar avião que caiu nos EUA

Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, aprendeu a pilotar antes de dirigir e sonhava em trabalhar na aviação comercial

Foto: Redes Sociais
Nathalia Filgueiras, em foto de março de 2026
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O NTSB encontrou indícios de que o Learjet que caiu na Flórida perdeu partes ainda em voo. O acidente matou nove pessoas, incluindo a copilota Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, filha de brasileiros. A tripulação relatou gelo e turbulência antes da queda. As causas permanecem desconhecidas.

A copilota Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, filha de brasileiros, está entre as nove pessoas que morreram na queda de um jato executivo Learjet 60, no domingo (1º de novembro), no condado de Palm Beach, na Flórida, Estados Unidos.

A jovem, que havia conquistado sua licença de piloto aos 17 anos, antes mesmo de aprender a dirigir, integrava a tripulação da aeronave que caiu em uma área residencial após perder altitude rapidamente.

O avião havia decolado de Austin, no Texas, com destino às Bahamas. Segundo o secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, todas as nove pessoas que estavam a bordo morreram. O impacto provocou uma explosão, abriu uma cratera e espalhou destroços pela região de Greenacres, ao norte de Miami.

Antes da queda, a tripulação relatou formação de gelo, turbulência e dificuldades para controlar a aeronave. As causas do acidente ainda são investigadas pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), com apoio da Administração Federal de Aviação (FAA).

Investigadores americanos encontraram indícios de que o Learjet 60 começou a perder partes ainda no ar, antes de atingir o solo. A informação foi apresentada nesta segunda-feira (2) por Tom Chapman, integrante do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB).

Segundo Chapman, os investigadores analisam destroços espalhados por uma área de aproximadamente 800 por 640 metros. Ainda não foi possível determinar quais componentes se desprenderam durante o voo.

A investigação também confirmou que a tripulação relatou formação de gelo e turbulência moderada a 35 mil pés de altitude, sob temperatura externa de -47°C. Depois de receber autorização para subir a 37 mil pés, o avião começou a perder altitude rapidamente.

O NTSB informou ainda que tenta localizar o gravador de voz da cabine. Registros de manutenção indicam que o equipamento estava instalado na aeronave, mas sua recuperação ainda não foi confirmada.

Nathalia aprendeu a pilotar antes de dirigir

A paixão de Nathalia pela aviação começou ainda na adolescência. Em 2023, ela ganhou destaque na imprensa americana ao conquistar sua licença de piloto particular aos 17 anos, antes de obter a carteira de motorista.

Na época, cursava o último ano do ensino médio na West Boca Raton High School, na Flórida, e foi entrevistada pela emissora CBS12 News. Enquanto muitos colegas dedicavam os fins de semana a atividades esportivas e encontros com amigos, Nathalia aproveitava o tempo livre para aprender a pilotar.

"Eu até me gabo disso, porque as pessoas dizem: 'Ah, você não sabe dirigir', e eu respondo: 'É, mas sei pilotar'", contou à emissora.

O interesse pela profissão surgiu por influência do pai, que havia começado a pilotar por lazer em 2018. Em 2020, Nathalia iniciou seus estudos teóricos sobre aviação, ainda durante o ensino médio.

Sua formação incluiu aulas teóricas, simuladores, treinamento prático e exames de conhecimentos técnicos. O curso foi custeado pelo distrito escolar de Palm Beach County, por meio de uma academia de aviação voltada a estudantes.

Em setembro de 2023, conquistou a licença de piloto particular. Na época, já acumulava 88 horas de voo e estava habilitada a pilotar aeronaves particulares, inclusive transportando passageiros, desde que não recebesse remuneração pela atividade.

Nos Estados Unidos, a FAA permite a obtenção da licença de piloto particular a partir dos 17 anos, mediante treinamento e aprovação em exames. A formação regular exige, no mínimo, 40 horas de voo. Para a licença comercial, a idade mínima é de 18 anos e, em regra, são necessárias pelo menos 250 horas de experiência.

Jovem sonhava em trabalhar na aviação comercial

Na entrevista concedida à CBS12 News, Nathalia contou que pretendia seguir carreira como piloto de companhia aérea ou na aviação executiva, comandando jatos particulares.

O sonho profissional avançou nos anos seguintes. Nas redes sociais, ela compartilhava imagens de sua rotina na aviação e comemorava conquistas.

Em março de 2026, publicou uma fotografia na cabine de comando de uma aeronave, segurando um documento, acompanhada da mensagem: "Piloto em comando do Learjet 60! Toda a glória a Deus! Amém!".

A publicação indicava uma conquista profissional relacionada ao modelo de aeronave envolvido no acidente.

Áudio registra momentos de tensão antes da queda

As comunicações entre a tripulação e os controladores de tráfego aéreo registraram os momentos finais do Learjet.

Em um dos trechos, uma voz feminina relata problemas com gelo e turbulência. Pouco depois, declara emergência e informa que o avião estava perdendo altitude rapidamente.

"Mayday, Mayday! Estamos descendo 10 mil pés por minuto", diz a tripulante, segundo a transcrição.

Mayday é o sinal internacional utilizado para comunicar uma situação de emergência grave na aviação.

Na sequência, a tripulante informa que a aeronave havia atingido uma condição de velocidade excessiva e estava descendo a uma taxa de 20 mil pés por minuto, o equivalente a aproximadamente seis quilômetros por minuto.

A gravidade da situação aparece nas comunicações seguintes. "Vamos bater no chão", diz a voz feminina. Em outro momento, a tripulante grita: "Olhe lá fora, Jack, olhe lá fora! Estamos sem tempo".

Não há confirmação de que a voz feminina registrada nas comunicações seja de Nathalia. A identidade da pessoa que fez os alertas permanece sem confirmação.

Dados de rastreamento indicaram que a velocidade vertical de descida chegou a superar momentaneamente 32 mil pés por minuto, aproximadamente 163 metros por segundo.

Avião explodiu após atingir área residencial

O Learjet 60, de matrícula N722BD, decolou do Aeroporto Internacional Austin-Bergstrom, no Texas, às 9h36 do horário local, com destino ao Aeroporto de North Eleuthera, nas Bahamas.

A aeronave caiu por volta das 12h50, horário da Flórida, em uma área residencial de Greenacres, no condado de Palm Beach.

O impacto provocou uma explosão e abriu uma cratera no local. Equipes de emergência foram mobilizadas para isolar a área e atender aos moradores.

Investigadores apuram as causas do acidente

A investigação está sob responsabilidade do NTSB, com participação da FAA.

Entre os elementos examinados estão as condições meteorológicas, os registros de voo, as comunicações da tripulação e os destroços da aeronave.

A formação de gelo pode comprometer a segurança de um avião quando afeta suas superfícies aerodinâmicas ou sistemas essenciais. A turbulência também pode representar dificuldades operacionais, dependendo de sua intensidade e das condições de voo.

Entretanto, ainda não há conclusão de que esses fatores tenham provocado a queda.