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Disney demite funcionários presos em operação contra crimes sexuais

Investigação na Flórida resultou em 281 prisões, incluindo 17 pessoas ligadas aos parques da Disney e Universal

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Uma operação contra crimes sexuais e tráfico humano na Flórida prendeu 281 pessoas, incluindo 17 trabalhadores ligados à Disney e à Universal. Segundo a polícia, a Disney demitiu funcionários envolvidos. A situação dos empregados da Universal permanece indefinida. A investigação identificou 11 possíveis vítimas de tráfico humano.

A Disney demitiu funcionários presos em uma operação policial contra crimes sexuais envolvendo crianças e adolescentes, prostituição ilegal e tráfico de pessoas na Flórida, nos Estados Unidos.

A informação foi divulgada pelo xerife do condado de Polk, Grady Judd, e repercutida pela imprensa internacional neste domingo (1º de novembro).

A Universal, por sua vez, ainda não havia confirmado a situação dos seus trabalhadores envolvidos. Ao todo, 17 pessoas ligadas às duas empresas estão entre os 281 detidos na investigação.

Segundo a polícia, 13 dos presos declararam trabalhar na Disney World e quatro na Universal Orlando. As autoridades informaram que 31 pessoas foram detidas sob suspeita de tentar encontros sexuais com menores. Parte dos trabalhadores dos parques integra esse grupo.

A operação, batizada de Polk Around & Find Out II, foi realizada durante sete dias e teve seus resultados anunciados na sexta-feira (30 de outubro). Coordenada pelo Gabinete do Xerife do Condado de Polk, a investigação reuniu diferentes órgãos policiais estaduais, municipais e federais.

Os investigadores atuaram em duas frentes. Uma delas procurou identificar adultos que utilizavam a internet para marcar encontros sexuais com crianças e adolescentes. Policiais infiltrados se apresentavam como menores ou responsáveis por eles, estabeleciam contato com os suspeitos e organizavam encontros simulados, nos quais eram realizadas as prisões.

A outra frente concentrou-se em atividades relacionadas à prostituição e ao tráfico humano. Das 281 prisões, 239 envolveram infrações relacionadas à prostituição, 31 foram associadas a suspeitas de crimes sexuais contra menores e 11 decorreram de outras ocorrências.

Ex-intérprete do Mickey Mouse está entre os presos

Um dos casos destacados pelo xerife envolve Collin Klaco, de 24 anos, que trabalhou anteriormente como intérprete do personagem Mickey Mouse na Disney. Segundo os investigadores, ele manteve contato pela internet com um policial infiltrado que se apresentava como responsável por um menino de 13 anos.

Klaco foi preso após se dirigir ao local combinado para o encontro. De acordo com a polícia, ele foi acusado de tentativa de encontro com menor para fins sexuais, utilização de meios eletrônicos para aliciamento e tentativa de prática de ato sexual ilícito com menor. O suspeito declarou que já não trabalhava na Disney quando foi detido.

Outro trabalhador identificado é Adam Snyder, de 24 anos, que declarou atuar na área temática Toy Story Land, na Disney World. Segundo a polícia, ele marcou um encontro com um agente infiltrado que se apresentava como adolescente. Durante a abordagem, os investigadores encontraram parte de seu uniforme e sua identificação funcional no veículo.

Entre os demais presos estão um treinador de futebol americano infantil, um policial do condado de Orange e um militar da Marinha norte-americana.

O treinador, identificado como Rashion Crayton, de 31 anos, trabalhava com crianças de 11 a 14 anos. Segundo a polícia, ele trocou mensagens de conteúdo sexual com uma agente infiltrada que se apresentava como adolescente de 14 anos. Os investigadores também apuram a possibilidade de outras crianças terem sido vítimas de crimes relacionados ao suspeito.

11 possíveis vítimas de tráfico humano

Além das prisões, a operação resultou em 488 novas acusações criminais, das quais 198 foram classificadas como crimes graves pela legislação norte-americana.

As autoridades informaram que os detidos acumulavam 798 acusações anteriores, incluindo 358 por crimes graves. Esses registros não equivalem necessariamente a condenações judiciais.

Os investigadores identificaram 11 pessoas consideradas possíveis vítimas de tráfico humano. O trabalho contou com a participação da organização One More Child, especializada no atendimento a pessoas em situação de exploração.

Segundo a entidade, 93 pessoas receberam atendimento durante a operação e 18 aceitaram serviços de assistência. A identificação das possíveis vítimas ocorreu por meio de entrevistas e avaliações realizadas por policiais e profissionais de organizações sociais.

A polícia informou ainda que 24 suspeitos levaram armas de fogo aos locais dos encontros e que 32 pessoas foram acusadas de posse de drogas, incluindo cocaína, metanfetamina e fentanil. Nove dos presos estavam em liberdade condicional.

Outra informação repercutida neste domingo é que 16 dos 32 detidos identificados pelas autoridades como imigrantes em situação irregular já haviam sido transferidos ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). A transferência, entretanto, havia sido anunciada anteriormente pela polícia.

A investigação alcançou pessoas de diferentes regiões dos Estados Unidos e do exterior. Apenas 40 dos 281 detidos residiam no condado de Polk. Os demais vieram de outras localidades da Flórida, de 20 estados norte-americanos e de 18 países.

Polícia investiga possíveis novas vítimas

O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, participou da apresentação dos resultados e afirmou que as autoridades continuarão atuando contra suspeitos de crimes sexuais envolvendo menores.

Grady Judd classificou a operação como a maior já realizada pelo Gabinete do Xerife de Polk. A investigação continua, incluindo a apuração de possíveis vítimas adicionais relacionadas ao treinador de futebol americano infantil.

Apesar da ligação profissional de parte dos detidos com a Disney e a Universal, as informações divulgadas não demonstram que os crimes investigados tenham ocorrido dentro dos parques de diversões ou durante o expediente dos trabalhadores. Também não foram apresentadas evidências de participação institucional das empresas nas atividades criminosas.