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Romance da jornalista Suzana Varjão tem lançamento nacional

"Cidade de bolhas e vãos" é o primeiro romance da jornalista baiana

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Primeiro romance de Suzana Varjão, “Cidade de bolhas e vãos” terá lançamento nacional em 18 de setembro. A distopia retrata uma sociedade dividida após crises ambientais e sanitárias e acompanha uma jovem negra em meio a conflitos envolvendo memória, inteligência artificial, desigualdade e resistência.

Editada pela Minimalismos, a obra -- com lançamento nacional marcado para o dia 18 de setembro -- apresenta uma sociedade devastada por crises ambientais e sanitárias, na qual uma jovem negra se vê diante da disputa por espaços físicos e simbólicos entre grupos privilegiados e populações submetidas a uma nova ordem social.

A distribuição será feita pela internet. No mesmo dia do lançamento, a partir das 18h, Varjão participa de um encontro no bistrô da Livraria Sebinho, na CLN 406, bloco C, em Brasília, cidade onde vive. A proposta é reunir leitores e amigos para uma conversa informal em torno da obra.

A primeira edição do romance é identificada pela editora como de 2025. O lançamento nacional, porém, ocorre em 2026, depois de uma trajetória que começou anos antes e foi atravessada, segundo Varjão, por coincidências entre situações imaginadas na ficção e acontecimentos sanitários posteriores.

Distopia divide cidade entre escolhidos e descartados

A trama se passa na “Cidade de bolhas e vãos”, organizada em três zonas. A cidade aérea abriga os escolhidos; a terrestre concentra os descartados; e uma faixa intermediária é ocupada pelos operadores do sistema. Nos três espaços, grupos insatisfeitos começam a se organizar contra a estrutura estabelecida.

A memória está no centro dessa disputa. Na narrativa, aqueles que controlam a cidade procuram apagá-la com o auxílio de sistemas de comunicação e inteligência artificial. Os insurgentes tentam recuperá-la como instrumento de resistência e de preservação de identidades, culturas e conhecimentos, além de lutar pela recuperação do ecossistema terrestre.

Na parte baixa da cidade, os chamados baldios e ninguéns sobrevivem em frestas urbanas e nos restos de uma região que já esteve entre as áreas florestais mais ricas do planeta. Depois de séculos de exploração e degradação, restaram árvores mortas e cursos d'água sem vida.

Acima deles está uma cidade aérea asséptica e abastecida, protegida por drones, robôs e humanos submetidos a uma rotina automatizada. As bolhas iluminadas que compõem esse espaço escondem a violência necessária para sustentar a divisão social.

É nesse cenário que a protagonista investiga as causas de um novo surto. Ao avançar na apuração, ela se depara com mecanismos que tornam cada vez menos nítidas as fronteiras entre mundo virtual e material, simulação e realidade, verdade e mentira, seres humanos e máquinas.

Em meio ao conflito, a personagem também vive uma relação amorosa com uma mulher branca, enquanto tenta compreender o sistema que organiza a cidade e as ameaças que cercam seus habitantes.

Romance começou a ser escrito antes da pandemia

Suzana Varjão começou a escrever “Cidade de bolhas e vãos” em 2019. Segundo a autora, em 2020, quando o trabalho se aproximava da conclusão, ela decidiu deixar os originais de lado após o início da pandemia de Covid-19.

A razão, relata, foi a proximidade inesperada entre a realidade e a ficção que estava construindo: o romance já retratava uma sociedade pós-pandêmica ameaçada pela possibilidade de um novo surto sanitário.

Varjão retomou posteriormente o projeto e, em março de 2025, enviou o original a diferentes editoras. De acordo com seu relato, enquanto aguardava respostas, os casos de intoxicação por metanol associados a bebidas alcoólicas registrados naquele ano provocaram novo incômodo pela semelhança que ela enxergou com elementos da trama.

A autora afirma que chegou a cogitar outra interrupção. Foi então que encontrou, na caixa de spam, um e-mail da Minimalismos informando que o romance havia sido selecionado para o catálogo da editora. Segundo Varjão, a mensagem tinha sido enviada meses antes. Depois que ela retomou o contato, o processo editorial avançou.

No prefácio do romance, a escritora relata que pessoas que tiveram acesso aos originais antes dos episódios sanitários chegaram a classificar as coincidências como uma espécie de premonição. Varjão rejeita essa leitura: para ela, a ficção resultou de uma projeção construída a partir de tendências que já observava na sociedade.

Jornalista, escritora e pesquisadora baiana radicada em Brasília, Suzana Varjão tem trajetória profissional ligada, entre outras áreas, à cultura e aos direitos humanos. “Cidade de bolhas e vãos” é seu primeiro romance.

Anote

Data: 18 de setembro
Horário: 18h
Local: Bistrô da Livraria Sebinho, CLN 406, bloco C, Brasília