Política

Michelle e Flávio Bolsonaro planejam vídeo de reconciliação

A informação é da jornalista Natuza Nery, em sua coluna no g1

Foto: Ilustração GPT Imagens IA
O PL tenta costurar uma reconciliação entre Michelle e Flávio Bolsonaro
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Michelle Bolsonaro planeja publicar vídeo aceitando pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro após desentendimento público. Segundo Valdemar Costa Neto, a reconciliação busca reduzir impactos da crise na campanha presidencial do senador e facilitar alianças do PL antes da convenção partidária.

Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) planejam aparecer juntos em um vídeo para tornar pública a reconciliação entre os dois, segundo apuração da jornalista Natuza Nery, do g1. A gravação ainda não tem data definida.

O vídeo seria a última etapa de uma estratégia iniciada na quinta-feira, 23 de julho, quando Flávio publicou um pedido de desculpas e convidou a ex-primeira-dama a participar de sua campanha presidencial. Horas depois, Michelle divulgou outra gravação, aceitou as desculpas e disse que os dois conversariam para ajustar a atuação conjunta.

Como foi articulada a reconciliação

Segundo Natuza Nery, a reaproximação foi organizada em três movimentos:

-- 1. O pedido público de desculpas feito por Flávio
-- 2. A resposta de Michelle aceitando o pedido
-- 3. A futura publicação de um vídeo conjunto

Ao se dirigir à ex-primeira-dama, Flávio pediu desculpas por situações que, segundo ele, provocaram desconforto. O senador também afirmou que os dois deveriam caminhar juntos durante a campanha.

Michelle respondeu que aceitava o pedido e perdoava o enteado. Ela também declarou que os dois pretendem conversar e unir forças na disputa eleitoral.

Divergência envolveu articulações do PL no Ceará

O conflito tornou-se público em 24 de junho, quando Michelle divulgou vídeos relatando que havia sido desrespeitada, maltratada e humilhada por Flávio durante uma ligação telefônica.

De acordo com a versão apresentada por ela, o senador disse que seria melhor que a ex-primeira-dama permanecesse afastada das decisões partidárias e afirmou que ela ainda não compreendia o funcionamento da política.

O desentendimento ocorreu em meio às divergências sobre as alianças eleitorais do PL no Ceará, incluindo as articulações partidárias em torno de Ciro Gomes.

Flávio declarou posteriormente que não teve a intenção de ofender Michelle e pediu desculpas pelo episódio.

Reaproximação tem impacto na campanha

A exposição pública do conflito aumentou a pressão sobre a campanha presidencial de Flávio. Aliados consideram Michelle uma interlocutora importante com mulheres, evangélicos e integrantes do eleitorado conservador.

Com a reaproximação, integrantes do grupo político esperam reduzir o desgaste provocado pelo episódio e ampliar a participação da ex-primeira-dama na campanha.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 15 de julho mostrou que 42% dos entrevistados concordavam mais com Michelle no desentendimento. Flávio foi apontado por 18%, enquanto 22% disseram não concordar com nenhum dos dois.

O levantamento ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-07181/2026.

Oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro

O PL deve oficializar neste sábado (25 de julho), em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O partido chega à convenção nacional sem alianças formalizadas e sem um nome definido para ocupar a vaga de vice na chapa.

Segundo a comentarista de política Julia Duailibi, da GloboNews, as dificuldades para atrair outras legendas estão relacionadas à repercussão do caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master, além das divergências públicas entre integrantes da família Bolsonaro.
Caso Banco Master aumenta pressão sobre a candidatura

A controvérsia envolvendo Flávio Bolsonaro ganhou força depois da divulgação de informações sobre uma negociação de patrocínio com Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio confirmou que buscou o patrocínio privado, mas negou irregularidades ou a existência de contrapartida política. A repercussão do episódio passou a representar mais um obstáculo para a campanha nas negociações com possíveis aliados.

Divisão familiar provoca insegurança entre aliados

Na avaliação do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, partidos interessados em uma possível aliança enxergavam uma candidatura marcada por divisões internas. Para dirigentes da legenda, esse cenário aumentava a insegurança e prejudicava as conversas com outras siglas.

Valdemar participou de uma articulação para promover uma reconciliação pública entre Flávio e Michelle Bolsonaro. A intenção era demonstrar que as divergências haviam sido superadas e reduzir a percepção de desorganização na campanha.

Michelle condicionou sua reaproximação a um pedido público de desculpas. Flávio publicou um vídeo com o pedido na quinta-feira (23). Horas depois, a ex-primeira-dama divulgou outra gravação, afirmou que o perdoava e indicou que trabalharia por sua eleição.

PL tenta reduzir isolamento antes da convenção

A convenção deve confirmar Flávio como candidato do partido, mas a definição das alianças e do nome para vice ficará para depois do evento.

Michelle não deve participar presencialmente da convenção. Segundo informações publicadas pela imprensa, ela alegou dificuldades logísticas e a necessidade de cuidar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar da ausência, o vídeo em que Michelle aceita as desculpas e sinaliza apoio permite ao PL apresentar publicamente uma tentativa de reconciliação. Ainda não é possível afirmar, porém, se o gesto será suficiente para destravar negociações com outros partidos.

Um histórico da crise

A crise entre Michelle Bolsonaro e os filhos de Jair Bolsonaro ultrapassa divergências pessoais. Ao longo dos últimos anos, os episódios passaram a envolver influência sobre o ex-presidente, controle da comunicação, escolhas de candidatos e comando do Partido Liberal (PL).

A relação de Michelle com Carlos Bolsonaro é descrita como a mais difícil entre os vínculos dela com os filhos do ex-presidente. Na posse presidencial de 2019, Carlos ocupou o banco traseiro do veículo oficial ao lado do pai e da então primeira-dama. Aliados interpretaram a presença como sinal do espaço que ele mantinha no núcleo decisório do novo governo.

O conflito ganhou outra dimensão após a eleição de 2022. Quando Michelle e Jair Bolsonaro deixaram de se seguir no Instagram, ela negou uma crise conjugal e afirmou que a conta do marido era administrada por terceiros. Carlos comandava a comunicação digital do pai naquele período e deixou a função em 2023.

Em julho de 2024, Carlos reclamou publicamente porque Jair Bolsonaro aparecia em uma fotografia segurando a filha do deputado Nikolas Ferreira. Michelle respondeu no mesmo espaço com uma mensagem pedindo proteção contra “inveja e maldade”, interpretada como uma indireta ao enteado.

A distância foi confirmada por Michelle em março de 2025. Em entrevista, ela declarou ter perdoado Carlos, mas afirmou: “Não quero conviver.” Também relacionou parte do desgaste à resistência dele ao casamento com Jair Bolsonaro e à diferença de idade do casal.

Jair Renan reage em defesa da mãe

Outro episódio ocorreu durante a campanha de 2022. Michelle criticou pessoas que, segundo ela, tentavam crescer politicamente com o sobrenome Bolsonaro. A declaração foi entendida como referência a Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro e mãe de Jair Renan, que disputava uma vaga no Distrito Federal.

Jair Renan reagiu nas redes sociais e defendeu o direito da mãe de usar o sobrenome do ex-marido. Embora pontual, o confronto mostrou que as disputas eleitorais regionais já se misturavam às relações familiares.

Ceará transforma tensão familiar em disputa partidária

A posse de Michelle na presidência do PL Mulher, em março de 2023, ampliou sua presença política. Ela passou a viajar pelo país, organizar núcleos femininos e formar uma rede própria entre eleitoras conservadoras e evangélicas.

O novo espaço tornou-se fonte de tensão no fim de 2025. Durante um evento no Ceará, Michelle criticou a articulação do deputado André Fernandes, presidente estadual do PL, para apoiar Ciro Gomes na disputa pelo governo. Ela defendia o senador Eduardo Girão, do Novo.

Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro reagiram em defesa do acordo regional. Eles argumentaram que André Fernandes seguia uma orientação de Jair Bolsonaro e que a decisão do ex-presidente deveria prevalecer. A divergência revelou duas concepções de poder: Michelle reivindicava autonomia como dirigente partidária; os filhos defendiam a autoridade política do pai e a execução de suas decisões.

Discussão com Flávio leva crise ao ponto mais alto

Em junho de 2026, Michelle publicou vídeos nos quais relatou uma conversa telefônica com Flávio. Segundo ela, o senador foi ríspido, afirmou que ela deveria permanecer fora das decisões do partido e minimizou sua experiência política. Flávio negou ter pretendido humilhá-la e divulgou pedidos de desculpas.

Dias depois, Michelle deixou a presidência do PL Mulher. Em nota, disse que se dedicaria integralmente aos cuidados do marido e da filha. A decisão ocorreu em meio ao confronto com Flávio, e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, decidiu extinguir o comando nacional da ala feminina, sob o argumento de que ninguém no partido tinha o mesmo peso político da ex-primeira-dama.

A saída teve impacto eleitoral porque Michelle era considerada uma das principais pontes do partido com mulheres conservadoras e evangélicas. Pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada no fim de junho mostrava Flávio atrás de Luiz Inácio Lula da Silva entre as eleitoras em uma simulação de segundo turno, por 55% a 37%.

Reconciliação reduz crise, mas não resolve disputa

Valdemar Costa Neto reconheceu que o conflito prejudicava a campanha e dificultava negociações com partidos aliados. Às vésperas da convenção destinada a oficializar a candidatura presidencial de Flávio, o senador publicou um novo vídeo, reconheceu o trabalho de Michelle e renovou o pedido para que atuassem juntos.

Michelle respondeu em 23 de julho. Aceitou as desculpas, elogiou a iniciativa do enteado e propôs uma conversa para ajustar as diferenças. O gesto foi articulado com a participação da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e da senadora Damares Alves.

A reaproximação encerra a fase mais aberta do confronto, mas não elimina as causas estruturais da crise. O histórico mostra uma disputa recorrente sobre quem representa Jair Bolsonaro, quem define as alianças do PL e quem poderá administrar o capital eleitoral do ex-presidente. Essa interpretação é sustentada pela sequência de conflitos familiares, partidários e eleitorais registrados desde 2019.

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Matéria produzida com o uso de Inteligência Artificial