Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira (7), em São Paulo, aos 95 anos
A morte foi atribuída a complicações de insuficiência renal crônica
Entre suas novelas mais conhecidas estão “Renascer”, “Terra Nostra” e “Velho Chico”O dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira (7 de julho), em São Paulo, aos 95 anos.
Ele estava internado no Hospital do Coração, o HCor e o velório será realizado nesta terça-feira, das 15h às 21h, no Funeral Home, na Bela Vista, região central de São Paulo.
Em janeiro, Benedito Ruy Barbosa já havia sido internado no HCor para tratar uma infecção urinária associada a um quadro de insuficiência renal crônica.
Ele foi um dos autores que ajudaram a consolidar a novela rural no Brasil. Suas histórias levaram para o centro da televisão temas como campo, família, imigração, disputa por terra, poder político e relações entre gerações.
O Memória Globo define sua obra como marcada por sagas, pelo universo rural brasileiro, pela diversidade cultural e por histórias de amor de grande alcance popular.
Entre seus trabalhos mais conhecidos estão:
-- “Meu Pedacinho de Chão”
-- “Cabocla”
-- “Pantanal”
-- “Renascer”
-- “O Rei do Gado”
-- “Terra Nostra”
-- “Sinhá Moça”
-- “Velho Chico”
Infância no interior paulista
Benedito Ruy Barbosa nasceu em 17 de abril de 1931, em Gália, no interior de São Paulo. Mais velho de cinco irmãos, passou a infância em Vera Cruz, município vizinho situado em uma região de cafezais com forte presença de imigrantes japoneses e italianos.
Após a morte precoce do pai, Otávio Barbosa, Benedito começou a trabalhar ainda jovem para ajudar no sustento da família. Antes de se firmar como escritor e roteirista, atuou como auxiliar em firma comercial, vendedor, faxineiro, bancário, revisor e jornalista.
A experiência no interior paulista e no campo influenciou diretamente sua dramaturgia. Seu primeiro romance, “Fogo Frio”, foi transformado em peça de teatro em 1959 e recebeu prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte.
Da TV Tupi à Globo
A estreia de Benedito Ruy Barbosa na televisão ocorreu em 1966, com “Somos Todos Irmãos”, exibida pela TV Tupi. Depois, o autor passou por emissoras como Excelsior, Record, TV Cultura, Bandeirantes e Globo.
Em 1971, escreveu “Meu Pedacinho de Chão”, novela realizada em parceria entre TV Cultura e Globo. Em 1976, assinou contrato com a Globo e estreou na emissora com “O Feijão e o Sonho”.
Nos anos seguintes, consolidou-se no horário das 18h com novelas como “Cabocla”, “Paraíso”, “Sinhá Moça” e “Vida Nova”.
“Pantanal” ampliou o reconhecimento nacional
Em 1990, Benedito Ruy Barbosa transferiu-se para a TV Manchete, onde escreveu “Pantanal”. A novela se tornou um marco por usar locações externas, valorizar paisagens naturais e trazer para o horário nobre uma narrativa ligada ao bioma brasileiro, aos mitos regionais e aos conflitos familiares.
Após o sucesso de “Pantanal”, o autor voltou à Globo e escreveu “Renascer”, exibida em 1993. A trama ambientada no sul da Bahia apresentou o universo do cacau e o conflito entre gerações em torno do coronel José Inocêncio.
Décadas depois, “Pantanal” e “Renascer” ganharam novas versões escritas por Bruno Luperi, neto de Benedito Ruy Barbosa.
Terra, imigração e poder nas novelas
Em “O Rei do Gado”, exibida em 1996, Benedito Ruy Barbosa acompanhou a rivalidade entre famílias de origem italiana e levou à televisão discussões sobre posse de terra e reforma agrária.
Em “Terra Nostra”, exibida entre 1999 e 2000, o autor retomou a imigração italiana ao narrar a história de Matteo e Giuliana, jovens separados ao desembarcarem no Brasil no começo do século XX.
Benedito também revisitou obras próprias. Em 2006, assinou a nova versão de “Sinhá Moça”. Em 2014, escreveu o remake de “Meu Pedacinho de Chão”, produção marcada pelo visual colorido e pelo tom de fábula.
A última novela de Benedito Ruy Barbosa foi “Velho Chico”, exibida em 2016. Ambientada na fictícia Grotas do São Francisco, no sertão nordestino, a trama abordou disputas familiares, terra, poder e os conflitos em torno do rio São Francisco.
