
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) contestou as críticas feitas pelo prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (União Brasil), ao sistema estadual de regulação em saúde.
A reação ocorreu após o gestor feirense afirmar que uma mudança no comando do Governo do Estado poderia encerrar a chamada “fila da morte”, expressão usada por ele para se referir à espera por atendimento regulado.
Jerônimo disse ter estranhado a declaração, afirmou que manteve diálogo institucional com o prefeito nos últimos meses e cobrou da gestão municipal a construção de um hospital em Feira de Santana.
Segundo o governador, o Estado já discutiu alternativas para apoiar o município com terreno, recursos, equipamentos e contratualização de serviços.
O que Zé Ronaldo disse
Em discurso na última semana, Zé Ronaldo criticou a regulação estadual e associou o tema ao debate político sobre alternância no Governo da Bahia.
O prefeito afirmou que a população precisa de saúde, segurança e outros serviços públicos, e disse perceber um ambiente favorável à mudança política.
“É acabar com essa fila da morte. É trazer segurança pra gente, pra todos nós. Nós precisamos de segurança, nós precisamos de saúde, nós precisamos de tudo isso. Pessoas que eu vejo, muitas pessoas que não votaram com Neto em 22, hoje afirmam espontaneamente que vão votar com Neto. Há realmente um cheiro de mudança, um desejo de mudança”, afirmou Zé Ronaldo.
Como Jerônimo respondeu
O governador baiano afirmou que manteve uma relação institucional com o prefeito de Feira de Santana e que, mesmo diante de divergências políticas, buscou tratar demandas do município com respeito.
“Eu me relacionei durante esse um ano e meio com ele, buscando atender as demandas de Feira de Santana. Falei diversas vezes que, se ele pudesse caminhar comigo, seria uma alegria, mas isso não impediu de forma nenhuma uma relação diplomática, educada e amadurecida, sempre de respeito a ele e à história dele”, declarou.
O governador disse que Zé Ronaldo não havia tratado a regulação nesses termos nas conversas mantidas entre os dois.
“Ele conversou comigo durante um ano e meio e nunca tratou dessa forma, nunca. Então, não dá para a gente ter duas motivações de relacionamento”, afirmou Jerônimo.
Cobrança por hospital municipal
Na resposta, Jerônimo também cobrou do grupo político que administra Feira de Santana a construção de um hospital municipal. O governador afirmou que a cidade, maior município do interior baiano, precisa ampliar sua participação na rede de atendimento para reduzir a pressão sobre unidades estaduais.
“Feira de Santana é a maior cidade do interior da Bahia. E Feira de Santana não tem hospital municipal. Então, como é que uma pessoa, um grupo que nunca fez um hospital, abre a boca agora para dizer isso?”, questionou.
A Prefeitura de Feira de Santana mantém unidades municipais de saúde, como o Hospital da Mulher, mas a crítica do governador se refere à ausência de um hospital municipal geral ou de maior porte para absorver parte da demanda hoje direcionada à rede estadual. Em abril de 2025, a Prefeitura informou que o hospital municipal de Feira seria construído na avenida Maria Quitéria, em área onde funcionou a Associação de Proteção à Infância.
Estado cita ampliação do Clériston Andrade
Jerônimo também mencionou o Hospital Geral Clériston Andrade, unidade estadual localizada em Feira de Santana, como exemplo de investimento do Governo da Bahia no município.
O Governo do Estado autorizou, em abril de 2025, uma nova etapa de obras no HGCA, com reforma, ampliação e construção, em investimento superior a R$ 39,5 milhões.
A diretora do HGCA, Cristiana França, afirmou em março de 2026 que a meta era fazer o hospital chegar a “quase 500 leitos” até o fim da gestão, segundo o Acorda Cidade.
Apoio do Estado para nova unidade
O governador afirmou que chegou a tratar com Zé Ronaldo sobre alternativas para viabilizar um hospital municipal em Feira de Santana. Entre as possibilidades discutidas, ele citou terreno, apoio financeiro, equipamentos e contratação de serviços pelo Estado.
“Eu perguntei: prefeito, o senhor tem terreno? Caso os terrenos do Governo do Estado tenham disponibilidade, podemos usar o terreno ou desapropriar um. Depois perguntei: o dinheiro o senhor tem todo? Posso ajudar de alguma forma, com um percentual do investimento para construir esse hospital municipal? E depois com equipamentos, depois contratualizar serviços. Então, a gente não fica jogando uma hora de uma forma e outra hora de outra”, afirmou.
O que está em disputa
A troca de declarações expõe uma disputa sobre responsabilidades na saúde pública. Zé Ronaldo responsabiliza a regulação estadual pela demora no acesso a atendimento. Jerônimo, por outro lado, afirma que os municípios também precisam ampliar a atenção básica e a estrutura própria para reduzir a pressão sobre hospitais estaduais.
O Hospital Geral Clériston Andrade é uma das principais unidades públicas de referência em Feira de Santana e atende pacientes de diversos municípios da região, o que aumenta a pressão sobre a rede local.
Divergência política
Jerônimo disse discordar da postura adotada pelo prefeito no debate público. O governador afirmou que divergências políticas devem ser conduzidas com respeito e criticou mudanças de postura após reuniões institucionais.
“É só a forma de relacionamento. Eu aprendi isso em casa: quando o negócio não dá, vamos fazer as coisas com a delicadeza que o tempo exige. Mas a gente não pode ficar uma hora sentado na mesa e depois cuspir no prato. Dessa forma eu não concordo, eu não aprendi e não vou fazer política dessa forma”, concluiu.
