A Volta da Cabocla foi antecipada neste ano por causa do jogo da Seleção Brasileira
O cortejo refez, em sentido inverso, parte do caminho do desfile cívico do 2 de Julho
A programação da Independência do Brasil na Bahia ainda terá Festival de Fanfarras e Balizadores e Festa de LabatutA Volta da Cabocla levou, na noite desse sábado (4 de julho), as imagens do Caboclo e da Cabocla de volta ao Memorial 2 de Julho, no Largo da Lapinha, em Salvador.
O cortejo saiu da Praça 2 de Julho, no Campo Grande, onde os carros estavam abertos à visitação desde o desfile cívico de quinta-feira (2), e encerrou a etapa principal dos festejos da Independência do Brasil na Bahia.
Tradicionalmente realizada em 5 de julho, a Volta da Cabocla foi antecipada neste ano por causa do jogo da Seleção Brasileira pelas oitavas de final da Copa do Mundo.
Cortejo refez caminho em sentido inverso
Acompanhados por moradores, visitantes, músicos e grupos tradicionais, os carros com as imagens do Caboclo e da Cabocla percorreram o trajeto contrário ao do desfile do 2 de Julho.
Antes da saída do cortejo, a cantora Mariene de Castro se apresentou no Campo Grande. O show integrou a programação cultural da festa e antecedeu o retorno das imagens à Lapinha.
Presente à programação, a vice-prefeita Ana Paula Matos ressaltou o protagonismo das mulheres na Independência do Brasil na Bahia e na agenda realizada no Campo Grande.
“A Independência é feminina”, afirmou.
FGM vê retomada da participação popular
Para o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, o 2 de Julho vive um momento de fortalecimento da presença popular nas ruas. Ele citou a programação realizada no Campo Grande ao longo das comemorações.
“Eu sinto que a população baiana está voltando cada vez mais para a festa”, disse.
Guerreiro também destacou a importância da Volta da Cabocla dentro das celebrações da Independência do Brasil na Bahia.
“Muita gente não conhece, mas para mim é o melhor momento do 2 de Julho. O Caboclo e a Cabocla saem em alta velocidade do Campo Grande, com uma grande fanfarra. Chegando na Lapinha, tem uma multidão esperando. É uma festa lindíssima; para mim a festa mais bonita do estado, a independência do Brasil na Bahia”, afirmou.
Tradição reúne fé, memória e cultura popular
Moradores e visitantes acompanharam o cortejo pelas ruas do Centro Histórico. A caminhada reuniu elementos de religiosidade, memória histórica, música e cultura popular baiana.
Moradora da Liberdade, a técnica de enfermagem Kelly Cristina, de 54 anos, disse que participa da Volta da Cabocla todos os anos.
“Venho todo ano, até o dia que Deus quiser. É muito axé, muita luz e muita alegria. Eu gosto mais da volta, de levar eles [caboclos] para casa. O coração bate forte”, contou.
Orquestra mantém tradição de mais de 40 anos
O desfile foi acompanhado pela Orquestra do Maestro Reginaldo de Xangô, grupo que preserva uma tradição iniciada há mais de quatro décadas pelo músico que dá nome à formação. Há 14 anos, a apresentação é conduzida pela maestrina Rita Barbosa, filha do maestro.
Neste ano, a orquestra reuniu 80 músicos, organizados em dois grupos de 40 integrantes. Para Rita, a participação no cortejo tem dimensão cultural, musical e religiosa.
“Eu costumo dizer que isso aqui não é um trabalho; é um acerto de contas da orquestra, que tem todo esse arcabouço religioso e essa ligação com os Caboclos. É o momento de se reenergizar, de se sentir pertencente a esse projeto musical e cultural. Carregamos a nossa autoestima enquanto povo baiano e nordestino, enaltecendo os nossos heróis populares”, afirmou.
O babalaô Robson do Agogô, que participa da Volta da Cabocla há quatro anos, também ressaltou o significado da celebração. “Vamos levar o Caboclo e a Cabocla de volta com todo o amor, toda a emoção e todo o axé. São 203 anos de resistência. Viva os nossos caboclos e as nossas caboclas”, disse.
Batalhão Quebra-Ferro conduz carros alegóricos
A condução dos carros alegóricos ficou novamente sob responsabilidade do Batalhão Quebra-Ferro, grupo tradicional que participa da cerimônia da Volta da Cabocla.
Um dos coordenadores do grupo, Paulo Sérgio, de 55 anos, participa do batalhão há cerca de 20 anos. Ele destacou o caráter familiar e festivo do cortejo. “Eu digo sempre: quem nunca veio, venha, que não vai perder mais. É realmente um Carnaval, com muitas famílias. São duas a três horas de percurso, mas é prazeroso. Faria tudo duas, três vezes”, afirmou.
O Batalhão Quebra-Ferro conta com 100 integrantes, divididos em 50 participantes em cada carro.
Programação segue
Apesar do retorno do Caboclo e da Cabocla à Lapinha, a programação oficial do 2 de Julho ainda terá atividades no próximo fim de semana.
No sábado (11), o Campo Grande recebe o 4º Festival de Fanfarras e Balizadores. Entre sexta-feira (10) e domingo (12), será realizada a Festa de Labatut, no final de linha de Pirajá.
