Na França, 40 pessoas morreram afogadas desde 18 de junho, em meio à busca por alívio do calor em rios, canais e áreas de risco
A onda de calor é associada a um padrão atmosférico conhecido como bloqueio Ômega, que prende ar quente por vários dias
A onda atual é comparada à de 2003, mas ainda não há estimativa consolidada de mortalidade por calorA Europa enfrenta uma onda de calor intensa nesta terça-feira, 23 de junho de 2026, com impactos em escolas, transporte, trabalho ao ar livre e serviços públicos.
Na França, a previsão era de até 43 °C em partes do oeste do país, enquanto a Espanha emitiu alertas vermelhos para áreas com possibilidade de 44 °C.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que 40 pessoas morreram afogadas desde 18 de junho, a maioria jovens, enquanto tentavam se refrescar durante o período de calor extremo.

A lembrança de 2003 pesa sobre autoridades de saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a onda de calor daquele ano provocou cerca de 70 mil mortes na Europa entre junho e agosto. Na França, o episódio deixou cerca de 15 mil mortos, principalmente entre idosos.
A comparação, porém, não significa que o episódio atual terá o mesmo desfecho. O que existe até agora é um alerta de risco: temperaturas muito altas, noites quentes, população envelhecida, cidades pouco adaptadas e moradias sem refrigeração adequada aumentam a possibilidade de mortes evitáveis.
Por que o calor extremo mata
O calor extremo se torna perigoso quando o corpo perde a capacidade de se resfriar. O risco é maior para idosos, bebês, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores ao ar livre e moradores de casas mal ventiladas.
A OMS afirma que o calor pode agravar doenças cardiovasculares, respiratórias, diabetes e condições de saúde mental. A entidade estima que, entre 2000 e 2019, houve cerca de 489 mil mortes relacionadas ao calor por ano no mundo, sendo 36% na Europa.
Europa esquenta mais rápido que a média global
O calor atual ocorre em um continente especialmente vulnerável. A Organização Meteorológica Mundial afirma que a Europa é o continente que aquece mais rapidamente e que 2024 foi o ano mais quente já registrado na região.
O relatório europeu de 2025 do Copernicus e da OMM também apontou ondas de calor do Mediterrâneo ao Ártico, além de recordes de temperatura do mar, perda de gelo e incêndios em larga escala.
O que os governos estão fazendo
Governos locais abriram abrigos climáticos, suspenderam aulas, emitiram alertas vermelhos, restringiram atividades ao ar livre e adotaram medidas para proteger pessoas vulneráveis. Em Paris e outras cidades, o calor também pressiona transporte, energia e serviços públicos.
Depois da tragédia de 2003, países europeus criaram planos de alerta, protocolos para hospitais e medidas de acompanhamento de pessoas vulneráveis. O desafio agora é adaptar esses sistemas a ondas de calor mais frequentes, longas e intensas.
A onda de calor na Europa é associada a um padrão atmosférico conhecido como bloqueio Ômega, que prende ar quente por vários dias.



