Previsão da Selic no fim do ano sobe para 13,5% ao an
Mercado estima alta de 1,91% do PIB e dólar a R$ 5,15
Para 2027, a projeção da inflação variou de 4,02% para 4,03%
A previsão do mercado para a inflação de 2026 subiu pela 13ª semana consecutiva.
Com a nova estimativa, o IPCA projetado para o ano ficou acima do limite superior da meta definida para o Banco Central.
A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Com isso, o piso da meta é de 1,5% e o teto é de 4,5%.
A revisão ocorre em um cenário de pressão sobre preços de combustíveis e alimentos, em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado internacional.
Em abril, a inflação oficial foi pressionada principalmente pelos alimentos e fechou o mês em 0,67%. No acumulado de 12 meses, o IPCA chegou a 4,39%, ainda dentro do limite máximo da meta, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O resultado da inflação de maio será divulgado pelo IBGE na sexta-feira, 12 de junho.

Como ficam os juros nos próximos anos
A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para tentar cumprir a meta de inflação. Atualmente, a taxa básica de juros está em 14,5% ao ano, conforme decisão do Comitê de Política Monetária.
No Focus desta semana, a previsão para a Selic no fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,5% ao ano. Para 2027, a expectativa é de queda para 11,5% ao ano. Em 2028 e 2029, a taxa deve ficar em 10% ao ano.
Na última reunião, realizada em abril, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, por unanimidade. Foi o segundo corte consecutivo, apesar das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio. Entre junho de 2025 e março de 2026, a taxa permaneceu em 15% ao ano, maior patamar em quase duas décadas.
O corte mais recente ocorreu em um cenário de desaceleração da inflação, mas a alta de combustíveis e alimentos dificulta a condução da política monetária.
Na ata da reunião, o Copom não indicou os próximos passos para os juros. O Banco Central informou que acompanha a evolução do conflito e os possíveis efeitos de uma duração maior da guerra sobre os preços. O próximo encontro do comitê está marcado para os dias 16 e 17 de junho.
Juros altos buscam conter a demanda
Quando o Copom eleva a Selic, o objetivo é reduzir a pressão da demanda sobre os preços. Juros mais altos encarecem o crédito, estimulam a poupança e podem conter o consumo. Esse movimento, porém, também tende a dificultar a expansão da atividade econômica.
Além da Selic, os bancos consideram fatores como risco de inadimplência, margem de lucro e despesas administrativas ao definir os juros cobrados dos consumidores. Quando a taxa básica é reduzida, a tendência é de crédito mais barato, com estímulo à produção e ao consumo. Ao mesmo tempo, esse cenário diminui o grau de controle sobre a inflação e favorece a atividade econômica.
PIB tem leve alta na projeção
A estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2026 passou de 1,9% para 1,91%, segundo o Boletim Focus. Para 2027, a projeção do Produto Interno Bruto permanece em 1,7%. O mercado financeiro prevê expansão de 2% do PIB tanto em 2028 quanto em 2029. O indicador representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. N
o primeiro trimestre de 2026, a economia brasileira avançou 1,1% em relação ao último trimestre de 2025. Em 12 meses, o crescimento acumulado foi de 2%, de acordo com o IBGE. Em 2025, o PIB do Brasil cresceu 2,3%, com avanço em todos os setores e destaque para a agropecuária. O resultado marcou o quinto ano consecutivo de expansão da economia.
Dólar é estimado em R$ 5,15
Para o câmbio, o Focus desta semana manteve a previsão do dólar em R$ 5,15 no fim de 2026.
Para o encerramento de 2027, a estimativa é de que a moeda norte-americana chegue a R$ 5,20.

