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Feminicídio cresce no Brasil e chega a 1571 casos em um ano

As tentativas de feminicídio cresceram 5,9% e chegaram a 4.189

Foto: Ilustração GPT Imagens IA
No Nordeste, o número de feminicídios consumados e tentados cresceu 4,8%
O feminicídio é a causa de 44,4% dos assassinatos de mulheres, no País
 É a maior proporção da série iniciada em 2015
No geral, as mortes violentas intencionais caíram 8,2%, para o menor nível desde 2012

Os feminicídios cresceram 4% no Brasil em 2025 e chegaram a 1.571 vítimas, média de 4,3 mulheres mortas por dia por razões de gênero. O avanço ocorreu mesmo com a redução de 5,5% no total de homicídios de mulheres e com a queda geral da violência letal no país.

As tentativas de feminicídio também aumentaram. Foram 4.189 sobreviventes em 2025, alta de 5,9% na comparação com o ano anterior. Para cada feminicídio consumado, o país registrou aproximadamente 2,7 tentativas.

Os dados fazem parte da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira, 23 de julho, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Em 2025, 44,4% dos homicídios de mulheres registrados no país foram classificados pelas autoridades policiais como feminicídio.

É a maior proporção da série iniciada em 2015, quando 9,4% das mortes de mulheres haviam recebido essa classificação. Em 2024, o percentual era de 40,3%.

O aumento da proporção mostra que os feminicídios passaram a representar uma parcela maior das mortes de mulheres. A comparação entre estados, porém, também deve considerar diferenças na identificação, investigação e classificação policial dos crimes.

Feminicídios aumentam enquanto homicídios de mulheres recuam

O Brasil contabilizou 3.539 homicídios de mulheres em 2025, incluindo os feminicídios. O total ficou 5,5% abaixo do registrado em 2024.

Dentro desse conjunto, porém, os movimentos foram diferentes. As mortes classificadas apenas como homicídio de mulher diminuíram, enquanto os feminicídios continuaram crescendo.

Dos 3.539 homicídios de mulheres registrados em 2025:

-- 1.571 foram classificados como feminicídio
-- 1.968 foram registrados em outras categorias de homicídio

A diferença evidencia que a redução geral dos homicídios de mulheres não significou diminuição dos crimes reconhecidos como motivados por razões de gênero.

Tentativas chegam a 4.189 casos

Além dos crimes consumados, o Anuário registrou 4.189 tentativas de feminicídio em 2025. O número representa aumento de 5,9% ante os 3.940 casos de 2024.

As tentativas passaram a representar 47,3% das tentativas de homicídio contra mulheres registradas no país. Em 2024, a proporção era de 44,3%.

O avanço simultâneo dos feminicídios consumados e tentados reforça o alerta sobre a permanência da violência letal de gênero, mesmo em um período de redução das mortes violentas no conjunto da população.

Mortes violentas caem ao menor nível desde 2012

Enquanto os feminicídios avançaram, o Brasil registrou queda de 8,2% nas Mortes Violentas Intencionais, conhecidas pela sigla MVI.

Foram contabilizadas 40.775 vítimas em 2025, ante 44.220 em 2024 — uma redução absoluta de 3.445 mortes.

A taxa nacional passou de 20,8 para 19,1 mortes por 100 mil habitantes. É o menor nível desde o início da série histórica, em 2012, e a primeira vez que o indicador fica abaixo de 20.

Entre 2012 e 2025, a taxa nacional diminuiu 31%.

A redução mais recente foi impulsionada principalmente pela queda dos homicídios dolosos, que representam a maior parte das mortes violentas.

Latrocínios e homicídios recuam, mas letalidade policial cresce

As mortes decorrentes de intervenções policiais passaram de 6.237, em 2024, para 6.602, em 2025. Com isso, a participação dessas ocorrências no total de mortes violentas subiu de 14,1% para 16,2%.

Os números mostram que a redução nacional não alcançou todas as categorias. Feminicídios e mortes provocadas em intervenções policiais avançaram em sentido contrário ao dos homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.

O que são Mortes Violentas Intencionais

A categoria MVI reúne vítimas de:
-- Homicídio doloso, incluindo feminicídio
-- Latrocínio, que é o roubo seguido de morte
-- Lesão corporal seguida de morte
-- Morte decorrente de intervenção policial
-- Mortes de policiais enquadradas nessas categorias

O Anuário é elaborado com informações fornecidas pelas secretarias estaduais de segurança pública, polícias civis, militares e Federal, além de outras bases oficiais.

Queda geral convive com avanço da violência de gênero

O resultado de 2025 apresenta duas tendências simultâneas.

Por um lado, o país alcançou a menor taxa de mortes violentas intencionais desde 2012, com reduções nos homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.

Por outro, os feminicídios e suas tentativas cresceram. A proporção de homicídios de mulheres classificados como feminicídio também atingiu o maior nível da série.

Os dados indicam que a melhora do indicador nacional não foi distribuída de forma uniforme entre estados, tipos de ocorrência e grupos da população.