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Visa e Mastercard saem de Cuba (veja o que muda para o turista)

Cuba perde acesso a pagamentos internacionais por cartões em meio à queda do turismo e à saída de hotéis

Cuba perdeu as transações com cartões Visa e Mastercard
A decisão está ligada a sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O impacto recai sobre turismo, divisas e serviços, em um país que ainda não recuperou o nível pré-pandemia

Cuba deixou de processar transações com cartões Visa e Mastercard no sábado (6 de junho). A interrupção ocorreu depois que o banco estrangeiro responsável por essas operações encerrou a relação com a Fincimex S.A., entidade financeira cubana ligada ao conglomerado estatal GAESA, alvo de sanções dos Estados Unidos.

O anúncio foi feito pelo Banco Central de Cuba (BCC), que atribuiu a medida ao endurecimento das sanções dos Estados Unidos (EUA).

A medida não foi anunciada diretamente por Visa ou Mastercard. Segundo o BCC, o elo rompido foi o do banco estrangeiro que processava as operações com cartões internacionais em Cuba. Na prática, porém, a consequência é a interrupção da capacidade do país de receber pagamentos por essas bandeiras em vendas de bens e serviços.

O bloqueio atinge um ponto sensível da economia cubana: a entrada de divisas por turismo. Visitantes estrangeiros, que já enfrentavam apagões, escassez de combustível, dificuldades de transporte e queda na oferta hoteleira, passam a depender mais de dinheiro vivo ou de meios alternativos aceitos localmente, como cartões nacionais pré-pagos, Mir e UnionPay, segundo o Banco Central de Cuba.

O que mudou para turistas e empresas

Com a suspensão, turistas que levarem cartões Visa ou Mastercard podem encontrar restrições para pagar hotéis, restaurantes, lojas, combustíveis, serviços turísticos e outras despesas na ilha.

A interrupção também reduz a conveniência para visitantes estrangeiros e dificulta a captação de receitas em moeda forte por estabelecimentos cubanos.

O Banco Central cubano informou que permanecem aceitos outros meios de pagamento, como efetivo, cartões pré-pagos nacionais Clásica e Tropical, além de cartões internacionais Mir e UnionPay. A alternativa, no entanto, não elimina o problema central: Visa e Mastercard são duas das principais redes globais de cartões e têm ampla aceitação entre viajantes internacionais.

Para o setor turístico, a perda é dupla. De um lado, o visitante precisa planejar a viagem com mais dinheiro físico ou buscar meios de pagamento menos comuns. De outro, hotéis, agências e serviços locais perdem uma ferramenta de venda que facilita consumo, reservas e gastos extras durante a estadia.

Sanção amplia risco para bancos estrangeiros

A origem imediata da crise está na Ordem Executiva 14404, assinada por Donald Trump em 1º de maio de 2026. O texto autoriza sanções contra pessoas, empresas e instituições financeiras estrangeiras que tenham realizado ou facilitado transações significativas em benefício de pessoas ou entidades bloqueadas pela ordem.

A ordem permite ao Departamento do Tesouro dos EUA impor restrições a instituições financeiras estrangeiras, inclusive com bloqueio de bens sob jurisdição norte-americana e limitações ao acesso a contas correspondentes ou contas de passagem nos Estados Unidos. O próprio texto da ordem inclui operadores de sistemas de cartão de crédito dentro da definição de instituição financeira estrangeira.

Na prática, a regra cria um forte desestímulo para bancos e empresas que ainda mantêm vínculos com entidades cubanas sancionadas. A lógica é simples: continuar operando em Cuba pode significar perder acesso ao sistema financeiro norte-americano, ao mercado dos EUA ou a ativos sob jurisdição americana.

Hotéis também reduzem presença

A suspensão dos cartões ocorre no mesmo momento em que grupos hoteleiros estrangeiros reduzem ou encerram operações em Cuba. A rede espanhola Meliá decidiu deixar de operar 15 dos 34 hotéis que administrava na ilha, de acordo com informações divulgadas pelo site estatal Cubadebate.

A Meliá era uma das principais parceiras estrangeiras de Cuba no turismo e operava cerca de 14 mil quartos antes da retirada parcial. A decisão foi anunciada após a ampliação das sanções norte-americanas e em meio ao agravamento das condições econômicas, energéticas e de demanda turística.

A perda de meios de pagamento internacionais agrava um setor que já vinha em queda. Cuba recebeu 1.810.663 visitantes internacionais em 2025, queda de cerca de 18% em relação a 2024 e o pior resultado desde 2002, excluídos os anos mais afetados pela pandemia, segundo dados da Oficina Nacional de Estatística e Informação (ONEI).

Antes da pandemia, o país recebia mais de 4 milhões de visitantes por ano (o turismo cubano atingiu cerca de 4,3 milhões de visitantes em 2019).

A retração é especialmente grave porque o turismo é uma das principais fontes de divisas de Cuba. O setor movimenta hotéis, restaurantes, transporte, aluguel de quartos, guias, táxis, comércio e serviços privados que dependem do consumo de estrangeiros.

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Fontes consultadas: Banco Central de Cuba, Casa Branca, Departamento do Tesouro dos EUA/OFAC, Oficina Nacional de Estatística e Informação de Cuba, e Cubadebate.