Comportamento

Jovens brasileiros estão entre os que se casam mais cedo no mundo

Eles são conservadores e os que mais flertam em redes sociais

91% dos entrevistados de até 26 anos acreditam em amor para a vida toda

O setor nupcial no Brasil vem enfrentando um período duro de adaptação, não só para se adequar à nova realidade da pandemia e do distanciamento social, mas também para acolher os casais cada vez mais jovens que se casam no país.

A geração Z, que contempla os nascidos entre 1997 e 2015, começa a se casar, de acordo com pesquisa realizada pelo site Casamentos.com br com mais de 2.117 respostas de casais brasileiros, e novas demandas passam a surgir.

O site, especialista do setor nupcial no país e parte do grupo internacional TheKnot Worldwide, presente em mais de 11 países, fez uma extensa pesquisa entre seus principais mercados: Espanha, Itália, França, México e Brasil.

A pesquisa contou com a participação de noivos de diferentes faixas etárias, e mostrou diferenças significativas entre a geração Z e os millennials, grupo que vem logo antes dos Z, nascidos no começo da década de 80.

Estes são alguns dos aspectos mais importantes que apareceram na pesquisa comparativa entre Brasil e os demais países.

Mais cedo - O Brasil é um dos países em que mais cedo se casa, com um total de 56% dos noivos abaixo de 26 anos, em comparação com 15% em média dos demais países europeus, como França, Itália e Espanha. No Brasil, 53% dos entrevistados tinham 26 anos ou menos, enquanto  41% entre 27 e 40 anos ou mais.

Perfil mais conservador - Os jovens brasileiros que se casam hoje em dia são mais conservadores. 11% deles dizem se casar por motivos religiosos, em comparação com 3% na Espanha, por exemplo. Ficam noivos cedo e não querem conviver antes do casamento (57% preferem esperar diante de 4% dos franceses).

Planos de família dependem da economia - Os brasileiros também são os que mais desejam esperar para engravidar depois do casamento. 48% dos noivos desejam esperar pelo menos 2 anos antes de pensar em filhos. Além do maior número de 'não temos planos de ter filhos” em comparação com os demais países. Muitos casamentos foram postergados para 2022, um total de 30%.

Seres sociais - Além de apps de paquera, o Brasil é o país que mais flerta pelo Instagram e um dos que mais valoriza as fotos para as redes sociais. 

Sustentável, e não só da boca para fora - A sustentabilidade deixa de ser um desejo distante e passa a ser um valor cada vez mais cedo. No caso dos millennials, 44,8% disse ser importante ou muito importante levar em consideração os aspectos sustentáveis do casamento, enquanto que entre a geração Z este número sobe para 52,9%.

Diferenças entre os casamentos millennials e a geração Z no Brasil - Mais românticos e de perfil mais conservador, 91% dos entrevistados de até 26 anos acreditam em amor para a vida toda, enquanto os millennials responderam “Talvez, quem sabe” mais do que os Z. Entre a geração mais nova, 59% dos entrevistados conheceram sua cara metade antes dos 19 anos, enquanto para os millennials esse dado representa apenas 15%.

Ambas as gerações conhecem seus companheiros em lugares semelhantes, mas principalmente para os Z, a melhor forma de conhecer gente é através dos amigos. Isso se deve ao fato de que a vida social é mais ativa do que dos millennials. Mesmo em tempos pré-pandemia, surpreende o fato de que ficar com pessoas na balada fica cada vez mais fora de moda, já que entre millennials representa um 14,5% das formas de conhecer pessoas, mas apenas 9,4% entre os Z.

Ao olhar para os casais que se conhecem pela internet, para os millennials os principais meios eram os aplicativos de namoro (com o Tinder ganhando em disparada de outros apps) e, embora para os Z eles também sejam um meio muito importante, o Instagram abre caminhos de forma muito mais ampla do que para seus sucessores. 13% dos Z afirmam ter se conhecido no Instagram, enquanto para os mais velhos, a rede social representou apenas 3,8%.

Nativos digitais por definição, os Z começam a mostrar diferenças visíveis no uso da tecnologia entre gerações. Os mais jovens estão mais dispostos a compartilhar tudo de seus casamentos nas redes sociais (inclusive com lives), enquanto mais millennials responderam considerar este momento mais íntimo (13% dos millennials Vs. 9% dos Z). De fato, 9 em cada 10 entrevistados planejam compartilhar parte deste grande dia em suas redes sociais, por isso a escolha do fotógrafo é das decisões mais importantes

Prioridades

A geração Z prefere casamentos menores em relação aos millennials, que contam com listas de convidados de mais de 125 pessoas em média. Por isso, a experiência para os convidados desponta como prioridade: música e decoração apontam como prioridade entre os Z, enquanto que para os millennials o mais importante é a comida e a bebida. Outra diferença curiosa está na participação dos pets no grande dia. Quase 30% dos Z faz questão de que seus bichinhos de estimação estejam presentes - e façam parte - na cerimônia, seja carregando as alianças ou participando do ensaio fotográfico. Esse número cai para 19% entre os millennials.

Embora não seja simples estipular as diferenças de maneira tão marcada entre os Z e os millennials - por se tratar de faixas etárias abrangentes de gerações vizinhas - os pontos apontados pela pesquisa nos mostram algumas tendências que estão começando a marcar o ritmo das mudanças dos próximos casamentos.