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Caos no pré-carnaval de São Paulo (tumulto e fuga pelos telhados)

Dois blocos foram programados para desfilar na mesma via, em horários próximos

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A coincidência de dois megablocos na Rua da Consolação, em São Paulo, causou superlotação e tumulto no pré-carnaval. Apesar de público recorde, prefeitura, PM e organizadores não detalharam falhas, número de foliões nem atendimentos.

Segundo a Folha de S.Paulo, o encontro dos megablocos Acadêmicos do Baixo Augusta e do DJ Calvin Harris, nesse domingo (8 de fevereiro), causou superlotação e confusão na rua da Consolação, no centro de São Paulo. Milhares de pessoas ficaram comprimidas contra grades de proteção, e parte do público precisou improvisar rotas de fuga para escapar do tumulto.

Os dois blocos estavam programados para desfilar na mesma via, em horários próximos. O Acadêmicos do Baixo Augusta tinha início previsto para as 11h, enquanto o bloco da Skol começaria às 14h. A coincidência de data, local e grande expectativa de público contribuiu para a formação de uma multidão que ocupou diversos quarteirões da região central da capital paulista.

De acordo com a Folha, entre os foliões estavam cinco amigos adolescentes que acabaram encurralados no meio da multidão. Dante Granata e Matheus Del Debbio Fernandes, ambos de 16 anos, e Vinicius Zimath, Pedro Ribas e Gustavo Andrade, de 17, relataram que optaram por permanecer em uma área que inicialmente parecia menos cheia, próxima às caixas de som.

Com o avanço do bloco, o número de pessoas aumentou rapidamente. O calor intenso e a dificuldade para encontrar água levaram o grupo a tentar se deslocar para um local mais vazio. No entanto, a movimentação tornou-se cada vez mais difícil. Dante contou à Folha de S.Paulo que, ao caminhar, as pernas ficavam presas e as pessoas caíam umas sobre as outras, enquanto várias passavam mal sem possibilidade de atendimento imediato.

Na tentativa de deixar o local, os amigos seguiram em direção a uma rua próxima, mas foram empurrados pela multidão. Matheus afirmou que precisou empurrar dezenas de pessoas para não ser arrastado pelo fluxo desordenado.

A situação se agravou nas proximidades do portão do Corpo de Bombeiros, que foi aberto para permitir o atendimento de foliões que se sentiram mal. Segundo a Polícia Militar, ao menos 30 pessoas receberam auxílio no local, sem necessidade de encaminhamento a hospitais. Ainda assim, outras dezenas entraram no espaço para fugir do aperto, o que também resultou em superlotação interna.

Diante da falta de saída, algumas pessoas passaram a escalar um muro nos fundos da área. O grupo seguiu por um telhado até alcançar um prédio vizinho. Pedro descreveu que as telhas afundavam com o peso das pessoas, enquanto muitos demonstravam sinais de pânico e exaustão.

A saída só foi possível quando encontraram uma escada que dava acesso a um condomínio privado. O porteiro autorizou a passagem, permitindo que os jovens chegassem à rua Bela Cintra. Gustavo relatou alívio ao deixar o local e afirmou que diversas pessoas choravam ao perceber que estavam fora de perigo.

A administração municipal afirmou que o público foi recorde e que acionou um plano de contingência. No entanto, não respondeu aos questionamentos do Estadão sobre os motivos que levaram à autorização de dois megablocos de grande porte na mesma rua e no mesmo dia, nem esclareceu eventuais falhas de planejamento ou execução que tenham contribuído para o caos.

Apesar de mencionar o número elevado de foliões, nenhuma das partes envolvidas apresentou estimativas oficiais de público. Também não foram divulgadas informações detalhadas sobre a estrutura montada para atender a multidão. A Polícia Militar informou que não houve feridos, mas não apresentou dados sobre o total de pessoas que passaram mal ou precisaram de atendimento.

Em nota divulgada no domingo, a prefeitura informou que o recorde de público levou à liberação de vias de acesso como rotas de escape e à retirada de gradis para melhorar a circulação. A administração municipal acrescentou que, a partir das 14h55, foi acionado um plano de contingência, com abertura de ruas transversais para saída do público, bloqueio da entrada no circuito da Consolação e atuação da Guarda Civil Metropolitana na condução do trio elétrico.

Por volta das 16h, a gestão municipal afirmou que o desfile seguia sem novos incidentes, com acompanhamento da GCM e da Polícia Militar, e que os postos médicos permaneceram em funcionamento para atender foliões que procuraram auxílio.