Carnaval / Saúde

Misturar energético com álcool é
mais perigoso durante o carnaval

No período do Carnaval, os fatores de risco se acumulam

Foto: Ilustração Gemini IA
A combinação pode causar arritmias, desidratação e colapsos cardíacos
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A mistura de álcool com energético durante o Carnaval pode mascarar a embriaguez e aumentar riscos cardíacos, especialmente com calor e esforço físico. Especialistas alertam para desidratação, arritmias e mal-estar súbito e recomendam evitar a combinação, hidratar-se e respeitar limites.

De acordo com a cardiologista Marianna Andrade, coordenadora do serviço de Cardiologia do Hospital Mater Dei Salvador, o principal perigo está no efeito enganoso provocado pelos estimulantes.

“A cafeína e outros componentes fazem a pessoa se sentir mais desperta, reduzindo a percepção da embriaguez. Isso leva ao consumo excessivo de álcool sem que o organismo consiga sinalizar seus limites”, explica.

Segundo a especialista, o impacto no coração pode ocorrer rapidamente. “Essa combinação aumenta a frequência cardíaca, eleva a pressão arterial e favorece arritmias, inclusive em pessoas jovens e sem diagnóstico prévio de doença cardíaca”, afirma.

No período do Carnaval, os fatores de risco se acumulam. Horas prolongadas em pé, pouca hidratação, descanso insuficiente e exposição ao calor intenso elevam o estresse cardiovascular. “O álcool já provoca desidratação. Quando associado ao energético, esse efeito é potencializado, comprometendo a circulação e sobrecarregando o coração”, ressalta a médica.

Durante a festa, são frequentes os atendimentos de emergência relacionados a desmaios, palpitações, dor no peito, falta de ar e crises de ansiedade. “Muitos pacientes passam mal sem perceber que a mistura foi o principal gatilho”, relata Marianna Andrade.

Para reduzir os riscos, a orientação é evitar a combinação, alternar bebidas alcoólicas com água, manter uma alimentação adequada, respeitar os próprios limites e priorizar o descanso. “A festa passa, mas as consequências podem ficar. Cuidar do coração também faz parte do Carnaval”, conclui a cardiologista.

O que acontece no organismo

As bebidas energéticas contêm altas doses de cafeína e outros estimulantes, enquanto o álcool é um depressor do sistema nervoso central.

Quando consumidos juntos, os estimulantes reduzem a sensação de sonolência causada pelo álcool, levando a pessoa a subestimar o próprio nível de embriaguez. Com isso, aumenta a tendência de beber mais do que o planejado.

Principais riscos associados

Consumo excessivo de álcool, por falsa sensação de controle

Arritmias cardíacas e aumento da pressão arterial

Desidratação, agravada pelo efeito diurético do álcool

Maior risco de acidentes, incluindo direção sob efeito de álcool

Ansiedade, insônia e mal-estar intenso após o consumo

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o uso combinado pode intensificar efeitos adversos cardiovasculares, especialmente em pessoas com problemas cardíacos não diagnosticados. Já a Organização Mundial da Saúde aponta que a mistura está associada a maior incidência de comportamentos de risco, como brigas e consumo abusivo.

Pesquisas indicam que adolescentes e adultos jovens estão entre os principais consumidores dessa combinação, muitas vezes atraídos pelo sabor adocicado e pela promessa de “manter a energia” durante a noite. Especialistas destacam que o cérebro jovem é mais sensível aos efeitos da cafeína em altas doses.