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Yemanjá em uma concha do mar é o presente dos pescadores em 2019

Fartura e abundância estão representadas no presente

Foto: Antonio Muniz
Yemanjá em uma concha: fartura e abundância
Yemanjá em uma concha: fartura e abundância

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Cobertura da Festa de Yemanjá:
Doris Pinheiro, Monalisa Leal, Rosana Andrade, Morgana Montalvão, Felipe Belmonte, Antonio Muniz, Iven Vit, Luiz Paulo San Martin, Roberto Aguiar, Djair Sant'Anna, Gina Marocci, Alberto Oliveira

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Mãe Jacira, do Ilê Axé Jibaiê, explica o significado da homenagem: "Fartura, abundância, a pérola é riqueza. Yemanjá vem muito aberta, mostrando o domínio dela com as águas do mundo. Ela está aberta com muita receptividade com todos que foram até ela", disse.

Desde a noite desta sexta-feira (1 de fevereiro) que as ruas principais do bairro do Rio Vermelho, em Salvador, começaram a receber moradores e visitantes para as homenagens à Rainha do Mar.

Entre eles, os integrantes dos blocos Filhos e Filhas de Marx. 

Os carnacomunas, como gostam de ser chamados, são amigos que a cada ano levam uma parte da história para a Festa de Yemanjá.

Eles saíram pela primeira vez em 2017, quando lembraram os 100 anos da revolução russa.

Em 2018, celebraram os 200 anos do nascimento de Marx.

E agora, em 2019, os 60 anos da revolução cubana.

A entrega do balaio à Rainha do Mar, no meio da tarde, traz uma homenagem à polonesa Rosa de Luxembrugo, ativista política, revolucionária, teórica marxista e que se tornou dirigente destacada do movimento comunista internacional.


O bloco Filhos e Filhas de Marx - Foto: Iven Vit

Yemanjá é reverenciada no Candomblé, Santeria, Umbanda, Xangô do Recife, Batuque, Xambá, Culto Tradicional de Ifá, Regla de Ocha, Omolokô, Terecô, Vodu haitiano e Vodu da Luisiana.


As primeiras homenagens a Yemanjá, neste 2 de fevereiro - Foto: Antonio Muniz

No Rio Vermelho, no dia 2 de fevereiro, acontece uma das maiores festas do mundo em honra da orixá. É a única festa do ciclo de festas populares de Salvador que é exclusivamente das religiões afro-brasileiras.

Não existe uma informação precisa, mas se acredita que a festa realizada pela Colônia Z-1, pelos pescadores do Rio Vermelho, começou como um presente organizado entre 1918 e 1924. A razão? A pescaria estava escassa.

E o presente com todos os preceitos, mãe de santo e rituais necessários só foi feito mesmo um pouco depois.

O primeiro presente aconteceu de forma singela, meio que num improviso. Falam até que um presente foi colocado numa caixa de sapatos e entregue ao mar.

Nunca houve um registro formal dessa história contada pelos pescadores que estavam lá na época e hoje eles não estão mais aqui, já foram repousar ...

O fato é de que de lá para cá, por muitas razões, a festa foi ganhando corpo e importância e hoje é a segunda mais pujante do ciclo-levando milhares de pessoas ao Rio Vermelho.

E tudo começa de madrugada, às 2h30 do dia primeiro, com um presente depositado no Dique do Tororó para Oxum. Em seguida, pescadores e povo de santo  do terreiro Odé Mirim seguem com o presente principal, que é pedido pela orixá à mãe de santo, em direção ao Rio Vermelho.

Em meio à alvorada de fogos o grande presente é depositado no caramanchão e os tambores começam a bater em louvor a Yemanjá. Todo o ritual em torno da oferta do presente dura sete dias.

Desde o dia anterior o caramanchão e a Casinha de Yemanjá já recebem oferendas e desde os primeiros momentos do dia 2 de fevereiro a imensa fila para entrega das oferendas se forma.


Colares para Yemanjá - Foto: Antonio Muniz

Programação Oficial da Festa no Rio Vermelho

2h30: antes das homenagens à Iemanjá, devotos saúdam Oxum, orixá das águas doces, às 2h30, no Dique do Tororó

5h: alvorada de fogos de artifício marca a chegada do presente principal ao Rio Vermelho. Durante todo o dia, uma enorme fila se forma para a entrega dos presentes.

15h30: procissão para a entrega do presente no mar (que é mantido em segredo pela colônia de pescadores) e dos cerca de 600 balaios com oferendas depositadas pelos devotos e admiradores

18h: encerramento da festa, mas a parte profana segue durante a noite, até as 22h. O dia ainda é marcado por diversas manifestações culturais, como rodas de capoeira, samba de roda e grupos de bairro.

Proibições – De acordo com a prefeitura, durante a festa, não será permitido nenhum tipo de faixa, placa, banner ou balão alusivos a marcas ou a políticos, no trecho que vai do Largo da Mariquita à praia da Paciência.

Só são permitidas manifestações sociais, culturais ou artísticas, desde que não sejam afixadas em postes ou em qualquer outro imobiliário urbano.

Festas a Yemanjá, pelo mundo

Luanda, Angola - Em Angola existe a crença na divindade que se chama Kianda, equivalente a Yemanjá, protetora dos pescadores e rainha das águas. Faz-se, todo ano, a Festa da Kianda em bairros praianos de Luanda, e na lagoa do Ibendoa, na província de Bengo.

Ibadan, Nigéria - Em Ibadan capital do estado de Oyo, na Nigéria, Yemanjá,  deusa padroeira, é reverenciada no antigo templo conhecido como Popo-Yemoja.

Durante três dias  cantos e dança tem, como ponto culminante, o momento em que a estátua de Iemanjá em madeira é levada em procissão de seu templo Popo-Yemoja para o palácio real de Olubadan,  e depois para Oja-Oba onde uma multidão aguarda a sua chegada, entoando cânticos em honra do orixá , cantando e dançando 

Havana, Cuba - Em Cuba as celebrações realizam-se todos os anos no dia 7 de setembro. Yemayá também tem as cores azul e branca, é uma rainha do mar negra, assume o nome cristão de La Virgen de Regla e faz parte da santería como santa padroeira dos portos de Havana.

Na santeria, Yemayá é a mãe de todos os seres vivos, bem como a proprietária dos oceanos e mares.

Montevidéu, Uruguai - Em Montevidéu fiéis se reúnem na praia de Ramirez no bairro Parque Rodó a cada 2 de fevereiro para celebrar o Dia de Iemanjá. Milhares de pessoas se sentam à espera do pôr do sol antes de lançar pequenos barcos com oferendas para o oceano.

No Brasil

João Pessoa, Paraíba - O feriado municipal consagrado a Nossa Senhora da Conceição, 8 de dezembro, é o dia de tradicional festa em homenagem a Yemanjá.

Todos os anos, na Praia de Tambaú, é instalado um palco circular cercado de bandeiras e fitas azuis e brancas e onde acontece o desfile dos orixás. Pela praia, encontram-se buracos com velas acesas, flores e presentes.

Pelotas, Rio Grande do Sul - Uma das maiores festas do Rio Grande do Sul, devido ao sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes, em Pelotas a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes vai até o Porto e, antes do encerramento da festividade católica, acontece um dos momentos mais marcantes da festa: as embarcações param e são recepcionadas por umbandistas que carregam a imagem de Yemanjá, proporcionando um encontro ecumênico assistido da orla por várias pessoas.