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Passagem aérea pode ficar até 20% mais cara com alta do querosene

A Petrobras encareceu o querosene de aviação em 55%

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A Petrobras elevou em 55% o preço do querosene de aviação, impulsionada pela alta do petróleo após conflito no Oriente Médio. Especialistas estimam aumento de até 20% nas passagens. O combustível pode chegar a 45% dos custos das companhias aéreas, e o governo avalia medidas para reduzir impactos.

O aumento de 55% no preço do querosene de aviação anunciado pela Petrobras nessa quarta-feira (1º de abril) pode provocar elevação de até 20% nas passagens aéreas, segundo especialistas do setor.

O reajuste ocorre em meio à alta do petróleo impulsionada pela guerra no Oriente Médio e deve impactar diretamente os custos das companhias aéreas.

A Petrobras informou que o reajuste médio de 55% no querosene de aviação, combustível derivado do petróleo utilizado por aviões e helicópteros, passa a valer a partir deste mês. O aumento reflete a valorização do petróleo no mercado internacional, influenciada pela guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O preço do combustível é atualizado mensalmente pela Petrobras, sempre no primeiro dia do mês. Em março, o reajuste médio havia sido de 9%, enquanto em fevereiro houve redução de 1%. Com a nova alta, o setor aéreo enfrenta uma escalada significativa nos custos operacionais.

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil, o combustível representa cerca de 30% das despesas totais das companhias aéreas. Com o novo aumento e a alta anterior, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas afirma que esse percentual pode chegar a 45% dos custos operacionais.

A tabela divulgada pela Petrobras mostra reajustes entre 53,4% e 56,3% nos 14 pontos de venda. Em Ipojuca, na região metropolitana do Recife, o litro passou de R$ 3,49 para R$ 5,40. Já em São Luís, o valor subiu de R$ 3,45 para R$ 5,38, considerado o menor preço entre as localidades informadas.

A Petrobras comercializa o combustível para distribuidoras, que posteriormente fazem o transporte e a venda para companhias aéreas e outros consumidores finais nos aeroportos. A estatal responde por cerca de 85% da produção nacional de querosene de aviação, embora o mercado seja aberto à concorrência.

O aumento está relacionado à escalada do preço do petróleo após o início da guerra, em 28 de fevereiro. A região concentra importantes produtores e rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial. O barril do tipo Brent chegou a superar US$ 101, após ter sido cotado próximo de US$ 70 antes do conflito.

Para reduzir os impactos, a Petrobras anunciou a possibilidade de parcelamento do pagamento pelas distribuidoras. O governo também avalia outras medidas para amenizar os efeitos sobre o setor aéreo.

Segundo Maurício França, sócio da L.E.K. Consulting, o impacto sobre o preço das passagens deve variar entre 10% e 20%, com projeção mais provável próxima de 15%.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas afirma que o reajuste pode afetar a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, reduzindo a conectividade e dificultando a expansão do transporte aéreo. A entidade também destaca que, apesar de mais de 80% do combustível ser produzido no Brasil, a precificação segue a paridade internacional, ampliando os efeitos das oscilações externas.

Diante do cenário, o Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta com medidas para reduzir a pressão sobre o setor aéreo. As discussões ainda estão em andamento.

Mais petróleo

A produção de petróleo e gás natural no país bateu recorde em fevereiro de 2026, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (1º) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Foram produzidos 5,304 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), medida que abrange tanto o petróleo quanto o gás natural. O recorde anterior foi registrado em outubro de 2025, com 5,255 milhões de boe/d. 

Considerando apenas o petróleo, foram extraídos 4,061 milhões de barris por dia (bbl/d) - uma variação positiva de 2,7% na comparação com o mês anterior e um aumento de 16,4% em relação ao mesmo mês de 2025. 

Já a produção de gás natural em fevereiro foi de 197,63 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d). Nesse caso, houve crescimento de 2,3% frente a janeiro, e de 24,5% na comparação com fevereiro de 2025. 

A produção foi obtida em 6.079 poços, sendo 582 marítimos e 5.497 terrestres. Os campos marítimos produziram 98% do petróleo e 87,8% do gás natural do país.

Os campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcio com outras empresas, foram responsáveis por 89,46% do total produzido.

Pré-sal 

O pré-sal respondeu por 80,2% da produção brasileira, com um total de 4,243 milhões de boe/d em fevereiro. Houve crescimento de 2,3% em relação ao mês anterior e de 20,1% na comparação com o mesmo mês de 2025. 

Foram extraídos 3,264 milhões de bbl/d de petróleo e 155,56 milhões de m³/d de gás natural de 181 poços no pré-sal. 

O Campo de Tupi, na Bacia de Santos, foi o maior produtor do país tanto para o petróleo quanto para o gás natural, com 865,98 mil barris por dia e 42,87 milhões de m³/d. 

Já as instalações com as maiores produções foram o navio-plataforma FPSO Almirante Tamandaré, no Campo de Búzios, para o petróleo, com 197.903 bbl/d; e o navio-plataforma Marechal Duque de Caxias, no campo de Mero, para o gás natural, com 12,37 milhões de m³/d.