
Neymar está fora dos amistosos da Seleção Brasileira contra Panamá e Egito, na reta final de preparação para a Copa do Mundo de 2026.
O diagnóstico foi informado pelo médico da Seleção, Rodrigo Lasmar, após exames feitos em Teresópolis.
A previsão inicial é de duas a três semanas de recuperação, prazo que coloca em risco a presença do atacante na estreia do Brasil contra o Marrocos, em 13 de junho.
Uma lesão de grau 2 na panturrilha é, em geral, uma ruptura parcial das fibras musculares da panturrilha. Não é apenas uma “distensão leve”, mas também não costuma ser uma ruptura completa.
Em termos simples: parte do músculo rasgou, mas o músculo ainda mantém alguma continuidade e função.
A panturrilha é formada principalmente por músculos como o gastrocnêmio e o sóleo, que ajudam a impulsionar o corpo ao andar, correr, saltar e ficar na ponta dos pés.
A lesão costuma ocorrer quando o músculo é exigido de forma brusca, por exemplo em arrancadas, corrida, salto, mudança rápida de direção ou esforço excessivo.
O tratamento geralmente é conservador, isto é, sem cirurgia: repouso relativo, gelo, compressão, elevação da perna, controle da dor e reabilitação progressiva com fisioterapia.
Fontes médicas descrevem repouso, gelo, compressão e elevação como medidas comuns nas fases iniciais de lesões musculares da panturrilha.
Até o momento, não há anúncio de corte. A situação, porém, exige avaliação diária da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), porque a estreia brasileira está próxima e a Federação Internacional de Futebol (Fifa) permite a substituição de jogadores de linha por lesão grave apenas até 24 horas antes do primeiro jogo da seleção, mediante avaliação médica aceita pela entidade.
A preocupação aumentou porque o problema deixou de ser tratado apenas como um edema leve.
Na semana passada, o coordenador médico do Santos, Rodrigo Zogaib, havia dito ao ge que Neymar tinha uma pequena lesão na panturrilha, descrita como edema, e que o planejamento era entregá-lo apto à CBF.
A avaliação da Seleção trouxe um prognóstico mais longo.
O risco de ficar fora da Copa
O risco existe por três fatores: o grau da lesão, o prazo curto até a estreia e o histórico recente de problemas físicos do jogador.
Neymar não atua pela Seleção desde 2023 e voltou a ser convocado após um período marcado por recuperação de lesões e busca por ritmo no Santos.
A lesão não significa, por si só, que Neymar está fora da Copa. Significa que a Seleção terá de decidir se vale a pena manter no grupo um jogador que pode chegar sem ritmo, perder os amistosos e talvez não estar pronto para o primeiro jogo.
Essa decisão envolve avaliação médica, planejamento técnico e o limite imposto pelo regulamento da Fifa.

O que pesa a favor de Neymar
O principal ponto a favor é que o prazo estimado, de duas a três semanas, ainda deixa uma margem de recuperação dentro da fase de grupos. Se evoluir no melhor cenário, Neymar poderia se aproximar da liberação médica perto da estreia. Se a recuperação ficar mais próxima de três semanas, o retorno ficaria perto do segundo jogo do Brasil, contra o Haiti, em 19 de junho.
Outro fator é o peso técnico do jogador. Ancelotti já havia decidido incluí-lo entre os 26 convocados, e a Reuters informou que o treinador deixou claro que a escolha deveria estar baseada em condição física e forma, não em reputação. A lesão, portanto, não muda apenas o departamento médico; ela testa o critério que sustentou a convocação.
O que pesa contra
O ponto mais delicado é a falta de treinos com bola na fase decisiva de preparação. Neymar já perdeu o primeiro trabalho da Seleção na Granja Comary e foi encaminhado para exames complementares. A ausência também tira do atacante os dois amistosos que serviriam para recuperar ritmo e se ajustar ao time de Ancelotti.
O calendário aperta a decisão. A Copa começa em 11 de junho e vai até 19 de julho, segundo a Fifa. O Brasil estreia dois dias depois da abertura, contra o Marrocos, e ainda enfrenta Haiti e Escócia no Grupo C.

O que diz o regulamento
Pelo regulamento da Fifa para a Copa de 2026, um jogador inscrito na lista final pode ser substituído em caso de lesão ou doença grave até 24 horas antes da estreia da equipe. O substituto precisa sair da lista provisória, e a troca depende de relatório médico detalhado aceito pela área médica da Fifa.
Na prática, isso dá à CBF uma janela curta para decidir. Como o Brasil estreia em 13 de junho, a comissão pode esperar a evolução de Neymar, mas precisa considerar que uma eventual troca deve cumprir prazo e regras médicas da entidade.

