
Tivesse o ex-ministro Fernando Haddad (o das taxas) lido e seguido o exemplo do escritor Graciliano Ramos e o presidente Lula teria uma assombração a menos a lhe tirar o sono neste ano de campanha eleitoral.
O autor de "Vidas Secas" foi prefeito de Palmeiras dos Índios, nas Alagoas. No dia 11 de janeiro de 1930, redigiu e enviou ao então governador Álvaro Paes um relatório que entrou para a história por sua clareza e simplicidade.
Reproduzo parte do que escreveu sobre as receitas:
"No orçamento do ano passado houve supressão de várias taxas que existiam em 1928. A receita, entretanto, calculada em 68:850$000, atingiu 96:924$985.
E não empreguei rigores excessivos. Fiz apenas isto: extingui favores largamente concedidos a pessoas que não precisavam deles e pus termo às extorsões que afligiam os matutos de pequeno valor, ordinariamente raspados, escorchados, esbrugados pelos exatores".
O ex-ministro Haddad (o das taxas) teria prestado um enorme favor à imagem do Governo Lula se houvera colocado em prática os ensinamentos do mestre Graciliano (em especial os trechos que destaquei).
Mas o que fez o ex-ministro Haddad (o das taxas)?
Segundo levantamento da Gazeta do Povo, criou uma medida para ampliar a carga tributária a cada 27 dias, muitas delas mirando exatamente o bolso daqueles que Graciliano chamou de "matutos de pequeno valor".
Lembremo-nos da hoje famosa "taxa das brusinhas" (assim mesmo, com um "r" indigesto tomando o lugar do "l").
"Paz e prosperidade", desejava Graciliano ao final do seu relatório. Quase um século depois, continuamos sem uma nem outra.
