
A Orquestra Sinfônica da Bahia apresenta, no sábado (16 de maio), a segunda edição de 2026 do “Psiconcerto”, iniciativa que aproxima música clássica e psicanálise. A apresentação será realizada às 17h, na Biblioteca Central do Estado da Bahia, no bairro dos Barris, em Salvador. A entrada é gratuita, limitada à capacidade do espaço, com acesso do público a partir das 16h.
Nesta edição, o projeto terá como tema “O Medo”.
A regência será do maestro Carlos Prazeres, com participação das psicólogas e psicanalistas Anna Flynn e Malu Moraes. A programação alterna execuções musicais e comentários sobre o tema a partir da perspectiva psicanalítica.
O repertório reúne duas obras relacionadas ao medo. A primeira é a “Sinfonia de Câmara em Dó menor”, do compositor russo Dmitri Shostakovich (1906-1975). A segunda é “Psycho: A Short Suite”, do norte-americano Bernard Herrmann (1911-1975), composta para a trilha sonora de “Psicose” (1960), filme de suspense psicológico dirigido pelo britânico Alfred Hitchcock.
Segundo Carlos Prazeres, a música criada por Herrmann para o clássico de Hitchcock “emprega dissonâncias e efeitos instrumentais agressivos nas cordas para gerar no espectador uma sensação de desconforto e apreensão”. Sobre Shostakovich, o maestro afirma que a obra do compositor russo tem forte carga emocional. “Ela reflete o medo da guerra, da ditadura, da fome e, de forma mais ampla, todos os temores que assombravam a sociedade da época”, explica.
Convidada para comentar o tema sob o olhar da psicanálise, Malu Moraes destaca que a abordagem será acessível também a pessoas sem familiaridade com a área.
"Vamos refletir sobre a diferença entre o medo e a angústia, sobre a relação entre o medo e o tempo e sobre as interessantes aproximações entre o medo e o desejo. Com a música de Shostakovich, vamos pensar na relação do medo com o social, em como esse afeto pode ocupar um lugar central em uma sociedade. Já com a trilha de ‘Psicose’, vamos pensar em como a música pode criar uma atmosfera para o medo”, afirma.
A apresentação integra a semana comemorativa pelos 215 anos da Biblioteca Central do Estado da Bahia. Fundada em 13 de maio de 1811, a instituição é considerada a mais antiga da América Latina e a primeira biblioteca pública do Brasil.

