
O Nordeste registrou cerca de 1,1 milhão de empresas com dívidas negativadas em março, conforme o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. No período, a região acumulou aproximadamente 6,1 milhões de débitos em atraso, que totalizaram cerca de R$ 18 bilhões.
A Bahia teve o maior volume de CNPJs inadimplentes entre os estados nordestinos, com 324.660 empresas negativadas. Em seguida aparecem Pernambuco, com 211.005, e Ceará, com 188.390.
Na análise proporcional, o Rio Grande do Norte apresentou uma das maiores dívidas médias por empresa, de R$ 20.839,97. O estado também registrou um dos maiores tickets médios da região, no valor de R$ 3.365,04.
No Brasil, a inadimplência empresarial voltou a avançar em março de 2026 e chegou a 8,9 milhões de CNPJs. O número representa crescimento em relação a fevereiro e mantém o indicador próximo do recorde da série histórica, alcançado em dezembro de 2025.
O total de dívidas negativadas no país chegou a 62 milhões, com valor somado de R$ 212,8 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente tinha cerca de sete contas em atraso. A dívida média por CNPJ foi de R$ 23.992,97, enquanto o ticket médio ficou em R$ 3.431,12.

A economista-chefe da datatech, Camila Abdelmalack, avalia que a inadimplência segue pressionada por um ambiente financeiro restritivo.
“O contingente de empresas com restrições de crédito segue elevado, refletindo a persistência de um ambiente financeiro ainda significativamente apertado. Apesar do início do ciclo de flexibilização monetária, as expectativas correntes para a taxa terminal indicam um ajuste insuficiente para promover uma reversão mais consistente das condições de crédito. O patamar ainda restritivo dos juros ao final do ciclo, aliado a spreads elevados e critérios de concessão mais cautelosos, limita a recomposição da capacidade financeira das empresas e dificulta a normalização da inadimplência no curto prazo”, explica.
Segundo Camila, a inadimplência empresarial tende a recuar de forma lenta porque o indicador mede um estoque acumulado de dificuldades financeiras.
“Como se trata de um indicador de estoque, a inadimplência incorpora um acúmulo de pressões financeiras ao longo do tempo, o que torna sua reversão mais lenta. Em paralelo, o processo de desaceleração da atividade econômica tende a impactar o faturamento das empresas e dificultar a recomposição de caixa. Nesse contexto, ainda não há sinais consistentes de inflexão na trajetória da inadimplência”, complementa.
O setor de serviços concentrou a maior parcela de empresas negativadas em março, com 55,5% do total. O comércio aparece na sequência, com 32,4%, seguido pela indústria, com 8,1%, e pelo setor primário, com 0,9%.
A maior parte das dívidas em atraso tem origem no setor não financeiro, que responde por cerca de três quartos das pendências. Esse grupo inclui débitos com serviços, utilities, telefonia, varejo, securitizadoras, cooperativas e fornecedores da cadeia produtiva.
Esse perfil indica o peso do crédito comercial no financiamento do capital de giro das empresas. Já as dívidas com bancos, cartões de crédito e financeiras representam uma fatia menor, embora ainda relevante, em um cenário de crédito mais caro e seletivo.
“Uma parte importante das dívidas inadimplidas está relacionada a negociações com fornecedores e prestadores de serviços, que são amplamente utilizadas pelas empresas como forma de financiar a operação e equilibrar o fluxo de caixa. Em um ambiente de juros elevados e maior seletividade no crédito bancário, esse tipo de endividamento ganha ainda mais espaço, mas se torna mais difícil de administrar quando há acúmulo de pendências. Esse cenário acaba prolongando o processo de regularização financeira das empresas”, afirma Camila.
Na divisão regional do país, o Sudeste reuniu o maior número de empresas inadimplentes. São Paulo liderou o levantamento, com 3.049.372 CNPJs negativados. Depois aparecem Minas Gerais, com 873.579, e Rio de Janeiro, com 860.493. Paraná, com 582.437, e Rio Grande do Sul, com 510.021, também estão entre os estados com maior volume.
As micro e pequenas empresas continuaram sendo a maior parte dos negócios inadimplentes no Brasil. Em março, esse grupo somou 8,4 milhões de CNPJs negativados, com 56,3 milhões de dívidas e R$ 185,3 bilhões em débitos.
Cada micro e pequena empresa inadimplente acumulava, em média, 6,7 contas negativadas. A dívida média foi de R$ 21.948,02 por CNPJ, enquanto o ticket médio ficou em R$ 3.293,51.
Camila Abdelmalack afirma que esse segmento é mais vulnerável ao crédito restritivo.
“As micro e pequenas empresas são mais sensíveis a um ambiente de crédito restritivo, pois dependem majoritariamente de linhas de curto prazo e têm menor poder de negociação. Com os juros ainda em patamar elevado e a concessão de crédito mais seletiva, essas empresas enfrentam maior dificuldade para recompor o capital de giro. Esse quadro é agravado por desafios estruturais de gestão financeira, como menor capacidade de planejamento, controle de fluxo de caixa e alongamento de passivos, o que contribui para a persistência da inadimplência”, analisa.

