Política

TSE faz confusão com número de seções alteradas no segundo turno

O Tribunal divulgou informação errada

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A Justiça Eleitoral corrigiu de 4.352 para 343 o número de seções eleitorais que tiveram seus locais de votação alterados entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2026, marcado para domingo (25). Segundo o presidente do Colégio de Presidentes dos TREs, Carlos Roberto Silva, o erro ocorreu porque foram contabilizadas mudanças acumuladas desde 2024, e não apenas entre os dois turnos deste ano.

A Justiça Eleitoral reduziu de 4.352 para 343 o número de seções eleitorais que tiveram seus locais de votação alterados entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2026, marcado para domingo (25 de outubro). A correção ocorreu após a identificação de um erro na comparação dos dados, que levou à divulgação de informações incorretas no sábado (17).

Segundo o presidente do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel), desembargador Carlos Roberto Silva, o levantamento inicial contabilizou mudanças realizadas desde as eleições municipais de 2024, em vez de considerar apenas as alterações ocorridas entre os dois turnos deste ano.

A assessoria de imprensa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atribuiu o problema a falhas na alimentação do sistema pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).

Em entrevista à Agência Brasil, Silva esclareceu que as 4.352 alterações inicialmente anunciadas não correspondiam à quantidade de seções eleitorais transferidas entre os dois turnos. O número refletia modificações acumuladas entre 2024 e 2026.

Os dados vêm sendo revisados nos últimos dias. Na terça-feira (20), o sistema da Justiça Eleitoral apontava 441 seções com mudanças de local. Na atualização desta quarta-feira, o total caiu para 343. Esse número não corresponde necessariamente à quantidade de endereços modificados, já que um mesmo local de votação pode abrigar várias seções eleitorais.

O presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, explicou, durante sessão plenária na terça-feira, que o sistema utilizado pela Justiça Eleitoral começa a primeira semana após o primeiro turno contabilizando alterações acumuladas desde o pleito anterior. Os registros passam, então, por uma revisão para identificar as mudanças efetivamente realizadas entre as duas etapas da votação.

O ministro apresentou exemplos de divergências entre os registros nacionais e os levantamentos estaduais. Em Minas Gerais, o sistema ELO indicava 38 locais de votação modificados, enquanto o TRE identificava apenas 17. No Piauí, apareciam 18 alterações no sistema, mas o tribunal regional havia confirmado somente quatro.

Nunes Marques também afirmou que os dados de 2026 representam uma redução de 85% no número de urnas alteradas entre os dois turnos, em comparação com as eleições de 2022. A informação foi apresentada pelo ministro, mas o material divulgado não esclarece a base de cálculo utilizada para chegar a esse percentual.

As mudanças de endereço são determinadas pelos juízes eleitorais responsáveis pelos cartórios e podem ocorrer por diferentes motivos, incluindo problemas estruturais nos prédios utilizados para votação e danos provocados por fenômenos climáticos. Após a decisão, o TRE correspondente comunica a alteração ao TSE por meio do sistema ELO.

Carlos Roberto Silva, que também preside o TRE de Santa Catarina, ressaltou que a transferência de locais de votação é um procedimento habitual nas eleições. Segundo ele, quando isso acontece, a Justiça Eleitoral utiliza veículos de comunicação locais e instala avisos nos endereços antigos para orientar os eleitores.

O desembargador afirmou que a expectativa é de poucas alterações adicionais até domingo. Novas transferências, entretanto, não estão descartadas, especialmente diante de situações excepcionais, como danos provocados por tempestades em escolas utilizadas como locais de votação.

Diante dessa possibilidade, a Justiça Eleitoral recomenda que os eleitores confirmem seus locais de votação antes de sair de casa no domingo (25).

A consulta deve ser realizada exclusivamente pelos canais oficiais, como o aplicativo e-Título, na opção "Onde votar", os portais dos TREs ou o serviço de Autoatendimento Eleitoral do TSE, disponível em https://www.tse.jus.br/servicos-eleitorais/autoatendimento-eleitoral#/.

A recomendação também busca evitar que os eleitores sejam induzidos ao erro por mensagens compartilhadas em grupos de WhatsApp e redes sociais. Nos últimos dias, circularam links não oficiais com informações sobre locais de votação cuja confiabilidade não é garantida.