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Morre o cantor Netinho (60 anos)

Conhecido por sucessos como "Milla", Netinho ajudou a popularizar a axé music no Brasil

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Netinho, um dos principais nomes do axé music, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador, após complicações de um linfoma não Hodgkin. Conhecido por sucessos como “Milla” e “Beijo na Boca”, o cantor ajudou a popularizar a música baiana no Brasil. A despedida será reservada.

O cantor Netinho, um dos principais nomes da axé music, morreu na manhã desta terça-feira (13 de outubro), aos 60 anos, em Salvador.

O artista estava internado no Hospital Aliança Star desde 30 de setembro e enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, diagnosticado em 2025.

Segundo comunicado divulgado por sua assessoria, a doença evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.

Nascido Ernesto de Souza Andrade Júnior, em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Netinho construiu uma carreira de quase quatro décadas. Tornou-se conhecido nacionalmente durante a expansão da axé music nos anos 1990, quando o gênero ultrapassou os limites do Carnaval de Salvador e conquistou espaço nas rádios, na televisão e nos grandes eventos musicais brasileiros.

Da Banda Beijo ao sucesso nacional

A trajetória profissional de Netinho ganhou impulso em 1987, quando passou a integrar a Banda Beijo, vinculada ao bloco carnavalesco de mesmo nome. À frente do grupo, destacou-se com músicas como “Beijo na Boca”, que ajudaram a consolidar a popularidade da axé music.

Em 1993, iniciou carreira solo, ampliando sua presença no mercado fonográfico. O repertório reunia ritmos dançantes, influências da música baiana e canções românticas, combinação que contribuiu para conquistar públicos de diferentes regiões do país.

O maior sucesso de sua trajetória veio com “Milla”, composição de Manno Góes que ganhou projeção nacional em sua voz, em 1996. A música tornou-se uma das canções mais conhecidas do axé e ajudou a impulsionar o álbum Netinho ao Vivo!.

Outros sucessos, como “Menina” e “Preciso de Você”, também marcaram a carreira do cantor. A presença de suas músicas em trilhas sonoras de produções televisivas ampliou a circulação de seu trabalho e contribuiu para sua popularidade.

Netinho integrou uma geração de artistas que transformou o Carnaval baiano em uma importante plataforma de projeção da música produzida no estado. Sua trajetória acompanhou o crescimento dos trios elétricos, das micaretas e dos grandes eventos de axé em diferentes regiões brasileiras.

Axé brasileiro chegou à Europa

Um dos episódios marcantes de sua carreira ocorreu em 1990, durante a Copa do Mundo da Itália. Na ocasião, Netinho comandou apresentações em um trio elétrico brasileiro levado a Turim, onde animou torcedores durante a competição.

A iniciativa representou uma experiência pioneira de internacionalização do trio elétrico, estrutura que se tornou um dos símbolos mais conhecidos do Carnaval da Bahia.

A participação de Netinho nesse movimento reforçou sua ligação com a expansão da axé music, tanto no Brasil quanto no exterior.

Problemas de saúde e afastamento dos palcos

A carreira do cantor também foi marcada por graves problemas de saúde. Em 2013, Netinho enfrentou complicações hepáticas e acidentes vasculares cerebrais que exigiram internações prolongadas, cirurgias e um extenso período de recuperação.

Os problemas comprometeram temporariamente sua capacidade de falar e cantar. Após anos de tratamento e reabilitação, voltou a se apresentar publicamente em dezembro de 2017.

Em fevereiro de 2025, o cantor recebeu o diagnóstico de linfoma não Hodgkin do tipo B, um câncer que afeta o sistema linfático. A doença foi divulgada publicamente em março, após uma internação motivada por dores nas costas e dificuldades para caminhar.

Netinho passou por tratamento com quimioterapia e anunciou a remissão da doença ainda em 2025. Entretanto, em maio de 2026, o câncer voltou a se manifestar, exigindo a retomada do tratamento.

O agravamento de seu estado de saúde levou a uma nova internação no Hospital Aliança Star, em Salvador, em 30 de setembro. De acordo com a assessoria, as complicações associadas ao linfoma provocaram falência renal e disfunção múltipla de órgãos.

Despedida reservada à família

Em comunicado divulgado nas redes sociais, a equipe de Netinho confirmou a morte e informou que o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, com a presença apenas de familiares e amigos próximos. Segundo a assessoria, a decisão atende a um desejo manifestado pelo próprio artista.

A nota também recuperou uma declaração que, segundo a equipe, Netinho costumava fazer durante os últimos meses de tratamento:

“Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte.”

O cantor deixa uma filha, Bruna Trindade Andrade, médica que atua na Bahia.

Legado para a música baiana

A morte de Netinho representa a perda de um dos artistas associados à consolidação da axé music como fenômeno nacional. Sua carreira atravessou diferentes fases da indústria musical brasileira, desde o crescimento dos blocos e trios elétricos até a expansão dos grandes shows e eventos populares.

Ao lado de outros intérpretes da música baiana, ajudou a levar o repertório do Carnaval de Salvador a públicos que passaram a consumir o axé durante todo o ano.

Canções como “Milla”, “Menina” e “Beijo na Boca” permanecem associadas à memória musical dos anos 1990 e ao período em que o axé conquistou projeção nacional.

Netinho deixa uma trajetória marcada pelo sucesso popular, pela relação com o Carnaval baiano e pela contribuição à difusão de um dos movimentos musicais mais representativos da Bahia.

O que é o linfoma não Hodgkin, câncer que atingiu o cantor Netinho?

O linfoma não Hodgkin é um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, uma rede de vasos, gânglios e órgãos que participa da defesa do organismo contra vírus, bactérias e outras ameaças.

Para compreender a doença, imagine que o corpo humano possui um sistema de vigilância, formado por células especializadas em identificar e combater agentes que podem provocar doenças. Algumas dessas células são chamadas de linfócitos, um tipo de glóbulo branco.

O linfoma surge quando determinados linfócitos sofrem alterações e começam a se multiplicar de maneira descontrolada. Em vez de desempenharem normalmente suas funções de defesa, essas células cancerígenas podem se acumular nos gânglios linfáticos, também conhecidos como ínguas, e atingir órgãos como o baço, o fígado e a medula óssea.

Os sintomas variam conforme o tipo de linfoma e a região afetada. Entre os mais comuns estão:

-- Aparecimento de ínguas geralmente indolores no pescoço, nas axilas ou na virilha
-- Febre persistente sem causa aparente
-- Suores intensos durante a noite
-- Perda de peso involuntária
-- Cansaço excessivo
-- Coceira persistente na pele

Esses sintomas também podem ocorrer em outras doenças e, isoladamente, não significam que uma pessoa tenha câncer.

É um câncer agressivo?

Depende. A expressão linfoma não Hodgkin reúne dezenas de doenças diferentes. Algumas apresentam crescimento lento e podem permanecer controladas durante anos. Outras evoluem rapidamente e exigem tratamento imediato.

No caso de Netinho, foi divulgado o diagnóstico de um linfoma não Hodgkin de células B. Essas células são responsáveis, entre outras funções, pela produção de anticorpos que ajudam o organismo a combater infecções.

Entretanto, a identificação como linfoma de células B, isoladamente, não permite determinar a agressividade da doença. Para isso, é necessário conhecer o subtipo específico.

Existe tratamento e possibilidade de cura?

Sim. Muitos linfomas não Hodgkin podem ser tratados com sucesso, e alguns são potencialmente curáveis.

O tratamento depende do subtipo, do estágio da doença e das condições clínicas do paciente. Pode incluir quimioterapia, imunoterapia, medicamentos direcionados às células cancerígenas e, em determinadas situações, radioterapia ou transplante de células-tronco.

Em alguns casos, o câncer desaparece dos exames após o tratamento. Essa condição é chamada de remissão. Entretanto, a remissão não significa necessariamente cura definitiva, pois a doença pode retornar.

Como o linfoma pode provocar a morte?

Em casos graves, o câncer pode comprometer órgãos essenciais ao funcionamento do organismo. Além disso, a própria doença e, em determinadas circunstâncias, as complicações do tratamento podem enfraquecer as defesas do paciente, aumentando o risco de infecções e outras complicações.

Segundo as informações divulgadas pela assessoria de Netinho, o linfoma evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.

Isso significa que os rins perderam a capacidade de desempenhar adequadamente suas funções e que outros órgãos vitais também passaram a funcionar de maneira insuficiente. Quando vários órgãos entram em falência, o organismo pode deixar de conseguir manter funções indispensáveis à vida