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Brasil de Ancelotti só empata (e
no sufoco) com a fraca Austrália

Os escolhidos pelo técnico italiano deixam um deserto entre a defesa e o ataque

Seleção Brasileira: um deserto de jogadas pela área central do campo
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Brasil empata com a Austrália no primeiro jogo após a Copa e, apesar da renovação do elenco, volta a mostrar dificuldades de articulação. A análise encontra semelhanças com a derrota para a Noruega, mas ressalva que um amistoso é insuficiente para definir o ciclo até 2030.

O Brasil iniciou o ciclo pós-Copa do Mundo com novos jogadores, mas apresentando dificuldades coletivas semelhantes às vistas na eliminação para a Noruega.

Nesta sexta-feira (25), a Seleção empatou por 1 a 1 com a Austrália, em Townsville, no primeiro compromisso desde a queda nas oitavas de final do Mundial de 2026.

Nestory Irankunda abriu o placar para os australianos em cobrança de falta no segundo tempo. O Brasil evitou a derrota nos acréscimos: após escanteio cobrado por Raphinha, Rayan, que havia saído do banco, marcou de cabeça.

O resultado isolado diz pouco sobre um trabalho que mira a Copa do Mundo de 2030. O desempenho, porém, oferece um primeiro ponto de comparação com o fim do ciclo anterior. Contra adversários e contextos diferentes, o Brasil voltou a apresentar dificuldades para conectar os setores e transformar sua presença no campo ofensivo em chances claras.

Brasil teve mais a bola, mas encontrou dificuldades para criar

Carlo Ancelotti escalou Hugo Souza; Matheuzinho, Marquinhos, Vitor Reis e Douglas Santos; Danilo e Bruno Guimarães; Raphinha, Estêvão, Endrick e Vinicius Júnior. Matheuzinho e Vitor Reis fizeram suas estreias pela Seleção principal.

O Brasil teve mais posse e circulou a bola durante boa parte da partida, mas nem sempre conseguiu fazer essa superioridade territorial se transformar em desequilíbrio da defesa australiana.

E até chegou a marcar com Estêvão antes do intervalo, mas o gol foi anulado após revisão do lance. Em outros momentos, a Austrália conseguiu pressionar a saída brasileira e explorar perdas de posse em transições.

Comparação com a Noruega está na conexão entre os setores

Na eliminação para a Noruega, o Brasil perdeu por 2 a 1 nas oitavas de final da Copa. Erling Haaland marcou duas vezes no segundo tempo, e Neymar descontou de pênalti nos acréscimos.

A comparação entre aquela partida e o empate com a Austrália não está na quantidade de posse. Os cenários foram diferentes. O ponto em comum aparece sobretudo na dificuldade de estabelecer conexões consistentes entre defesa, meio-campo e ataque.

Contra a Noruega, a Seleção teve problemas para avançar de maneira coordenada e reagir coletivamente depois de ficar em desvantagem. Diante da Austrália, o Brasil teve mais controle territorial, mas em diferentes momentos também dependeu de ações individuais, ataques pelos lados e bolas enviadas diretamente ao setor ofensivo.

A diferença é relevante: não se trata de afirmar que as duas partidas foram iguais, mas de identificar uma dificuldade semelhante em contextos distintos.

Brasil recorreu aos lados e às bolas aéreas

Com dificuldades para encontrar espaços por dentro, o Brasil aumentou o uso de bolas longas e jogadas pelos lados.
O empate também veio pelo alto, mas em uma situação de bola parada. Já nos acréscimos, Raphinha cobrou escanteio e Rayan cabeceou para marcar.

O lance premiou a pressão brasileira no fim, mas, por ter surgido em uma cobrança de escanteio, não deve ser tratado isoladamente como evidência de que o time encontrou uma solução para seus problemas de construção em jogo corrido.

A comparação com o fim da Copa ganha outro elemento quando o Brasil fica atrás no placar.

Contra a Noruega, a Seleção sofreu o primeiro gol de Haaland no segundo tempo e não conseguiu estabelecer uma pressão suficiente para evitar que o adversário ampliasse. Neymar descontou de pênalti apenas nos acréscimos.

Diante da Austrália, Ancelotti também precisou modificar a equipe depois de Irankunda abrir o placar. O treinador aumentou a presença ofensiva e lançou novos jogadores.

A pressão brasileira cresceu, assim como a presença de jogadores perto da área australiana. Ainda assim, a reação ocorreu principalmente por ataques laterais, bolas aéreas e ações dos atletas que entraram durante a partida, mais do que por uma mudança evidente no funcionamento coletivo.

Rayan acabou decidindo uma dessas jogadas nos acréscimos.

O empate, portanto, muda o resultado da comparação com a Noruega, mas não encerra a questão levantada pelo desempenho: como transformar alterações individuais e maior presença ofensiva em uma resposta coletiva mais organizada quando o plano inicial não funciona?

Antes da partida, Ancelotti rejeitou a ideia de ruptura completa com o trabalho anterior.

“Não é que começamos um novo trabalho, continuamos o trabalho feito até um ano e tentando melhorar”, afirmou o treinador.

A continuidade também pode ser observada em algumas dificuldades apresentadas em campo.

Isso não significa que o empate com a Austrália permita antecipar como será o Brasil até 2030. O jogo ocorreu apenas 82 dias depois da eliminação no Mundial, houve estreias e o treinador ainda testa alternativas para a próxima etapa do trabalho.

A Seleção terminou a Copa com dificuldades para conectar seus setores e encontrar soluções coletivas quando ficou em desvantagem. No primeiro compromisso depois do Mundial, teve mais posse e maior presença territorial, mas voltou a encontrar obstáculos para transformar esse domínio em criação consistente.

Os nomes começaram a mudar. Alguns dos problemas coletivos, por enquanto, permanecem.