Brasil

Temporal deixa 4 pessoas desaparecidas no Sul do País

Defesa Civil alerta para novas tempestades, granizo e risco de inundações

O temporal que atingiu o Rio Grande do Sul durante a madrugada desta segunda-feira (21 de setembro), deixou quatro pessoas desaparecidas, provocou danos em dezenas de municípios e retirou centenas de moradores de suas casas.

Segundo balanço divulgado ao longo do dia pela Defesa Civil, ao menos 64 municípios registraram ocorrências, com 624 pessoas desalojadas e quatro desabrigadas.

As condições meteorológicas ainda exigem atenção. Em atualização publicada às 13h41, a Defesa Civil estadual informou que Norte, Vales e Serra poderiam receber mais 50 a 80 milímetros de chuva em 12 horas, depois de acumulados de 100 a 150 milímetros registrados em alguns pontos. No total do evento, os volumes poderiam superar 200 milímetros em áreas dessas regiões.

Fique sabendo
A força da chuva

-- Chuva fraca: abaixo de 5 mm/h
-- Chuva moderada: entre 5 e 25 mm/h
-- Chuva forte: entre 25,1 e 50 mm/h
-- Chuva muito forte: acima de 50 mm/h

Para a tarde e a noite desta segunda, a previsão indicava possibilidade de novas tempestades, queda de granizo e rajadas superiores a 90 km/h, principalmente no Noroeste, Norte e Nordeste do estado.

Bombeiros procuram quatro pessoas em Caxias do Sul

O Corpo de Bombeiros realiza buscas por quatro pessoas desaparecidas em duas ocorrências provocadas pelas fortes chuvas em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha.

Três pessoas -- uma mulher e duas crianças -- estavam em um veículo arrastado pela correnteza na localidade de Parada Cristal. Um homem que também estava no carro conseguiu ser resgatado. As equipes seguem trabalhando para localizar os desaparecidos.

Em outra ocorrência, um homem desapareceu enquanto trabalhava na limpeza de uma galeria pluvial em Caxias do Sul. Segundo as informações disponíveis, ele teria sido arrastado pela força da água. As buscas também permaneciam em andamento nesta segunda-feira.

As informações sobre os desaparecidos são provisórias e podem mudar conforme o avanço das operações de busca.

Rajadas passam de 100 km/h e causam danos

Os temporais provocaram destelhamentos, quedas de árvores e postes, alagamentos e danos a estruturas em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

Em Rio Grande, no Sul do estado, a Defesa Civil municipal registrou rajadas de 113,7 km/h. O temporal provocou destelhamentos, quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia e alterações em serviços públicos.

+100 km/h
Força do temporal
Rajadas passaram de 100 km/h durante os temporais no Rio Grande do Sul
Entenda a intensidade
O que a velocidade do vento significa
Compare a velocidade das rajadas com os efeitos que diferentes intensidades de vento podem provocar.
Classificação
Velocidade
Efeitos observados
Calmaria
0 a 5 km/h
Folhas paradas, fumaça sobe verticalmente
Brisa leve
6 a 11 km/h
Movimento de folhas, sensação no rosto
Brisa moderada
12 a 28 km/h
Move galhos, levanta poeira e papel
Vento forte
29 a 49 km/h
Galhos balançam, guarda-chuvas viram
Rajadas muito fortes
50 a 74 km/h
Pode causar quedas de galhos e objetos
Tempestade/Vendaval
Risco elevado
Acima de 75 km/h
Ventos dessa intensidade podem provocar danos estruturais e quedas de árvores.

Registros reunidos durante o episódio indicaram rajadas ainda mais fortes em outros pontos do estado. Os valores variam conforme a estação meteorológica e o horário de medição e devem ser considerados dentro desse recorte.

A instabilidade está relacionada à passagem de uma frente fria associada a um ciclone extratropical sobre o Oceano Atlântico. A atuação do sistema favoreceu chuva intensa, tempestades e ventos fortes no Sul do Brasil.

Rios têm risco de inundação

Além dos danos provocados pelo vento e pelas enxurradas, a Defesa Civil monitora a elevação de rios e arroios.

Em boletim publicado às 13h44 desta segunda-feira, o órgão apontou risco de inundação em trechos dos rios Jacuí, Taquari, Caí, Paranhana e Sinos.

A chuva também provoca elevação de cursos d'água na região hidrográfica do Guaíba, aumentando o risco de alagamentos, enxurradas e inundações.

No final da tarde, o Rio Caí, em Nova Palmira, e o Rio Paranhana, em Igrejinha, já apresentavam níveis dentro de limiares de inundação.

O que fazer durante os temporais

A orientação das autoridades é evitar áreas alagadas ou com correnteza e não permanecer próximo a árvores, postes e estruturas vulneráveis durante tempestades. Motoristas e pedestres não devem tentar atravessar pontos inundados.

Em situações de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193. A população também deve acompanhar alertas e atualizações dos órgãos oficiais.