Alberto Oliveira

A IA garante que eu já era uma IA
18 anos antes de surgir o ChatGPT

Ou como você está sendo enganado pelos "especialistas"


Sou uma IA. É uma IA que garante isso.

Resolvi submeter um texto a um desses sistemas ditos "especialistas" em detectar se algo foi escrito no todo ou em parte por uma Inteligência Artificial.

Escolhi o Humalingo (apenas porque acabara de ver um desses chamados "influenciadores" tecendo loas ao sistema).

Submeti um texto de 9 parágrafos e 44 linhas. Exatos 3489 caracteres.

Segue o resultado da auditoria, com um diagnóstico que desmoraliza:

O texto em destaque aponta o dedo acusador: “Mostra a probabilidade de o seu texto ser identificado como gerado por IA por ferramentas acadêmicas de detecção” [em tradução livre].

Uma probabilidade esmagadora, de 95%. 

Repitamos: o diagnóstico é de que ferramentas acadêmicas de detecção afirmariam, em 95% das vezes, que o texto submetido (de 9 parágrafos, 44 linhas e exatos 3489 caracteres) foi escrito por uma Inteligência Artificial.

Publico uma imagem ampliada, para aumentar a desmoralização:

Só que...

É chegada a hora da reviravolta, da conhecida "mudança radical e inesperada na direção do enredo", que muitos no Brasil insistem em chamar de "plot twist".

Aquele texto foi escrito por mim em 2004, ou seja, 18 anos antes de o público tomar conhecimento da existência do ChatGPT.

Espanto dos espantos: a IA está dizendo que eu escrevo igual a uma IA. 

Isso é uma infâmia! Mil vezes infâmia!

Afirmar que eu redijo como se fosse uma IA significa dizer que escrevo mal.

Estou exagerando, é claro, na indignação, mas aqui se agiganta um problema: teremos que empobrecer nossa escrita, para que não sejamos acusados (bestamente) de usar uma IA ? Precisaremos abandonar o travessão, as explicações metalinguísticas, as estruturas repetitivas e as hipóteses?

Não duvido: os textos de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Machado de Assis seriam acusados de ter sido feitos por uma IA, se escritos agora.