
Sou uma IA. É uma IA que garante isso.
Resolvi submeter um texto a um desses sistemas ditos "especialistas" em detectar se algo foi escrito no todo ou em parte por uma Inteligência Artificial.
Escolhi o Humalingo (apenas porque acabara de ver um desses chamados "influenciadores" tecendo loas ao sistema).
Submeti um texto de 9 parágrafos e 44 linhas. Exatos 3489 caracteres.
Segue o resultado da auditoria, com um diagnóstico que desmoraliza:

O texto em destaque aponta o dedo acusador: “Mostra a probabilidade de o seu texto ser identificado como gerado por IA por ferramentas acadêmicas de detecção” [em tradução livre].
Uma probabilidade esmagadora, de 95%.
Repitamos: o diagnóstico é de que ferramentas acadêmicas de detecção afirmariam, em 95% das vezes, que o texto submetido (de 9 parágrafos, 44 linhas e exatos 3489 caracteres) foi escrito por uma Inteligência Artificial.
Publico uma imagem ampliada, para aumentar a desmoralização:

Só que...
É chegada a hora da reviravolta, da conhecida "mudança radical e inesperada na direção do enredo", que muitos no Brasil insistem em chamar de "plot twist".
Aquele texto foi escrito por mim em 2004, ou seja, 18 anos antes de o público tomar conhecimento da existência do ChatGPT.
Espanto dos espantos: a IA está dizendo que eu escrevo igual a uma IA.
Isso é uma infâmia! Mil vezes infâmia!
Afirmar que eu redijo como se fosse uma IA significa dizer que escrevo mal.
Estou exagerando, é claro, na indignação, mas aqui se agiganta um problema: teremos que empobrecer nossa escrita, para que não sejamos acusados (bestamente) de usar uma IA ? Precisaremos abandonar o travessão, as explicações metalinguísticas, as estruturas repetitivas e as hipóteses?
Não duvido: os textos de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Machado de Assis seriam acusados de ter sido feitos por uma IA, se escritos agora.

