
O Partido Novo pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão preventiva do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues.
A solicitação foi encaminhada ao ministro André Mendonça nessa quinta-feira (3 de setembro), no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master e à Operação Compliance Zero. O partido também pede que Rodrigues seja afastado cautelarmente do comando da PF.
O requerimento complementa uma representação apresentada pelo Novo no dia anterior, 2 de setembro. Na primeira iniciativa, o partido pediu investigação sobre a atuação de Rodrigues, afastamento cautelar e providências para reduzir eventual risco de interferência nas apurações do caso Master.
Parte da argumentação apresentada pelo Novo se apoia em informações obtidas pela Polícia Federal a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Segundo a petição, mensagens atribuídas a Vorcaro fariam referência à necessidade de obter uma suposta “proteção de Andrei e de Paulo”.
O partido interpreta as menções como referências a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Reportagens também informaram que Vorcaro procurou interlocução com autoridades enquanto acompanhava investigações relacionadas ao banco e que mensagens extraídas de seu aparelho passaram a integrar a controvérsia analisada no STF.
O Novo sustenta que a permanência de Rodrigues na chefia da PF poderia representar risco à independência das investigações. O argumento é do partido e depende de avaliação judicial.
Relato de Vorcaro sobre ameaças
A petição de prisão preventiva também menciona informações atribuídas a um depoimento reservado de Daniel Vorcaro no âmbito do caso.
Segundo relatos publicados sobre o depoimento, Vorcaro afirmou ter sofrido pressões, ameaças e maus-tratos enquanto esteve sob custódia e alegou que haveria resistência dentro da Polícia Federal à possibilidade de uma colaboração premiada.
Ao relatar o depoimento, o gabinete de André Mendonça informou, segundo o Poder360, que o depoimento ocorreu a pedido da defesa de Vorcaro, que alegava estar sofrendo “graves intimidações” e solicitou ser ouvido com urgência.
Versões sobre a relação entre Vorcaro e Andrei divergem
Vorcaro afirmou, segundo reportagens sobre seu depoimento, que mantinha uma relação cordial com Andrei Rodrigues e demonstrou desconforto com a possibilidade de negociar uma colaboração com a própria Polícia Federal caso o diretor-geral fosse mencionado no acordo.
A versão sobre uma relação próxima é contestada. Reportagens anteriores registraram manifestação de interlocutores de Rodrigues segundo a qual os dois teriam tido contato apenas de forma limitada.
Também houve questionamentos de integrantes das instituições envolvidas sobre a consistência das acusações de Vorcaro.
Novo invoca regras da prisão preventiva
Na petição, o Novo sustenta que os elementos reunidos justificariam investigação sobre possíveis crimes e a adoção de medidas cautelares contra Rodrigues.
O partido cita regras do Código de Processo Penal sobre prisão preventiva e argumenta que a medida seria necessária para proteger as investigações de eventual interferência decorrente da posição hierárquica do diretor-geral da PF.
No pedido apresentado em 2 de setembro, o Novo já havia solicitado o afastamento cautelar de Rodrigues e a abertura de investigação sobre sua atuação no caso Master. O partido também defendeu providências destinadas a impedir eventual interferência hierárquica nas apurações.
No dia seguinte, a legenda elevou o grau da medida cautelar pretendida e pediu a prisão preventiva, sem abandonar o requerimento de afastamento.

