
O número de mortos no desastre que atingiu o Nepal após um colapso de rocha e gelo no Himalaia chegou a 1.003, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (1º de setembro). Outras 3.916 pessoas estão desaparecidas no país, entre elas 583 estrangeiros, de acordo com a agência de gestão de desastres nepalesa. No lado chinês da fronteira, autoridades registravam 16 mortos e 546 desaparecidos.
A tragédia começou em 26 de agosto, na região montanhosa entre Nepal e Tibete. Análises de imagens de satélite indicam que o colapso envolveu o leito rochoso sob uma geleira, liberando grandes volumes de rocha, gelo e água de degelo.
A massa avançou pelos vales e cursos d'água e desencadeou enchentes rápidas que destruíram vilarejos, estradas, pontes e instalações de geração de energia.
Um dos principais desafios das equipes de resgate é alcançar trabalhadores de projetos hidrelétricos atingidos pela inundação e pelos fluxos de detritos.
639 pessoas continuam retidas ou isoladas em diferentes instalações hidrelétricas. O primeiro-ministro Balendra Shah informou que 279 trabalhadores já haviam sido retirados de projetos atingidos.
Equipes usam escavadeiras e equipamentos para romper rochas e retirar água das entradas de túneis. Especialistas e equipes de Nepal, Índia e China também participam das operações. Pontes temporárias foram construídas para recuperar o acesso a áreas isoladas.
Estradas voltaram a funcionar em partes de Nuwakot, enquanto energia elétrica e comunicações começaram a ser restabelecidas em algumas regiões.
Imagens anteriores mostravam sinais de instabilidade
Uma avaliação elaborada pelo grupo internacional HiRISK identificou retrospectivamente sinais de instabilidade em imagens de satélite produzidas antes do desastre.
Segundo o relatório, havia alterações na superfície da geleira. Imagens de 24 de agosto também mostravam água de degelo com coloração marrom e uma fissura avançando pelo leito rochoso nos dias anteriores ao colapso.
Os sinais, porém, não significam que a data e a magnitude do desastre pudessem ser previstas com segurança. A avaliação chama atenção para a possibilidade de ampliar o monitoramento por satélite e os sistemas de alerta em regiões sujeitas a múltiplos riscos naturais.
De acordo com o HiRISK, não havia um sistema de alerta precoce para riscos relacionados a geleiras na área atingida. Devido à velocidade da avalanche inicial, o tempo disponível muito perto da origem provavelmente seria insuficiente para uma evacuação eficaz. Mais abaixo no vale, sistemas adequados poderiam oferecer dez minutos ou mais de antecedência, segundo os pesquisadores.
Alerta de 14 minutos permitiu retirada de escola
Um episódio ocorrido em Bidur mostra a diferença que alguns minutos de aviso podem fazer.
Mais de 900 estudantes e 16 funcionários da Tribhuvan Trishuli Secondary School foram retirados depois que a escola recebeu um aviso sobre a aproximação da inundação. Segundo o diretor Rajendra Dawadi, houve cerca de 14 minutos para organizar a evacuação. O prédio foi destruído posteriormente pela enchente.
O primeiro-ministro Balendra Shah afirmou que o desastre evidencia riscos crescentes enfrentados pela região do Himalaia em um cenário de mudanças climáticas. A televisão estatal chinesa também associou a instabilidade da geleira aos efeitos de longo prazo do aquecimento global.
Cientistas que analisaram o episódio, no entanto, ressaltam que ainda não é possível atribuir diretamente este colapso específico à mudança climática. O aquecimento pode favorecer processos que desestabilizam ambientes de alta montanha, como perda de gelo e degradação do permafrost, mas determinar o peso desses fatores neste evento exige investigação adicional.

