
A Serasa Experian identificou 2.860.957 tentativas de fraude de identidade entre janeiro e junho de 2026 em processos de cadastro e validação de identidade analisados por suas soluções.
O número representa alta de 32,9% em relação ao primeiro semestre de 2025, segundo o Mapa da Fraude divulgado pela empresa.
O levantamento considera exclusivamente ocorrências detectadas durante processos de entrada de clientes e validação de identidade para contratação de serviços, etapa conhecida como onboarding. Não entram nessa base fraudes transacionais identificadas posteriormente em compras, pagamentos, transferências ou outras movimentações.
Segundo a Serasa Experian, o volume equivale a cerca de uma tentativa a cada 5,5 segundos. A empresa estima que a identificação desses casos tenha evitado R$ 3,77 bilhões em prejuízos potenciais no semestre, mais de R$ 20 milhões por dia, em média.
Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude da Serasa Experian, afirma que os números indicam pressão de fraudadores ainda na etapa anterior à liberação de contas, crédito e outros serviços. Segundo ele, a validação de identidade precisa combinar diferentes mecanismos de segurança desde o início do relacionamento entre empresas e clientes.
Varejo teve maior crescimento
O Varejo registrou a maior alta no número de tentativas de fraude de identidade entre os setores comparados pela Serasa, com crescimento de 120,7% frente ao primeiro semestre de 2025. Telefonia avançou 51,4% e Serviços, 40,2%.
Em participação no total, porém, o setor financeiro continuou concentrando a maior parcela das ocorrências. Meios de Pagamento, Bancos e Cartões e Financeiras responderam juntos por 61,1% das tentativas identificadas pela empresa. Meios de Pagamento liderou isoladamente, com cerca de 42,6% do total, seguida por Telefonia, com aproximadamente 22,1%.
Há diferença entre participação no total e taxa de risco, que mede a proporção de casos considerados de alto risco sobre o volume analisado em cada segmento. Por esse segundo critério, Telefonia registrou a maior taxa no semestre, de 3,56%, ante média geral de 1,94%, segundo o e-book.
Bartolassi afirma que tentativas de fraude de identidade podem aparecer em jornadas como abertura de contas, solicitação de crédito, habilitação de linhas telefônicas, credenciamento de estabelecimentos e acesso a serviços digitais.
O risco no Dia dos Namorados
O Dia dos Namorados apresentou a maior taxa de risco entre as datas comemorativas analisadas pela Serasa Experian no primeiro semestre de 2026. O indicador chegou a 2,42%, o que significa 22,2% acima da média do semestre. Isso corresponde a mais de duas ocorrências com indícios de fraude a cada 100 validações realizadas na data.
O Dia das Mães apareceu em seguida, com taxa de 2,21%, ou 11,6% acima da média semestral. O Ano Novo teve taxa de 2,08%, ou 5,1% acima da média.
Segundo Bartolassi, fraudadores podem adaptar as abordagens às características de períodos de maior consumo, explorando elementos como urgência, apelo emocional e procura por produtos e serviços.
Geração Z teve o maior volume entre as gerações exibidas
Entre as gerações apresentadas no gráfico divulgado pela Serasa Experian, a Geração Z (grupo de pessoas nascidas aproximadamente entre 1997 e 2012) registrou o maior número de tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre de 2026, com cerca de 505 mil ocorrências, alta de 27,3% em relação ao mesmo período de 2025.
A Geração X (faixa demográfica de pessoas nascidas aproximadamente entre 1965 e 1980) aparece com aproximadamente 484 mil ocorrências, crescimento de 19,5%, e os Millennials (grupo de pessoas nascido entre 1981 e 1996), com 389 mil, alta de 19,2%. Baby Boomers (são as pessoas nascidas no período de pós-guerra, entre 1946 e 1964) tiveram cerca de 161 mil registros e as gerações Alfa (grupo de pessoas nascidas aproximadamente entre 2010 e 2024) e Beta (grupo demográfico formado por pessoas nascidas a partir de 2025 até 2039), 36 mil.
A empresa ressalta que o maior volume em determinada geração não significa necessariamente maior vulnerabilidade individual. Segundo Bartolassi, a distribuição das tentativas pode acompanhar o grau de atividade econômica e digital dos diferentes públicos.
Nordeste apresentou maior alta
O Sudeste registrou cerca de 844,3 mil tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre de 2026, maior volume entre as regiões no gráfico divulgado pela Serasa Experian. O Nordeste teve aproximadamente 433,6 mil; o Sul, 216,2 mil; o Centro-Oeste, 162 mil; e o Norte, 149,3 mil.
Na comparação com o primeiro semestre de 2025, todas as regiões tiveram aumento. O Nordeste apresentou a maior alta, de 14%, seguido pelo Sudeste, com 13,8%. Norte e Centro-Oeste cresceram 7,8% cada, enquanto o Sul avançou 7,9%.
Quando calculados sobre a base de 2.666.496 ocorrências informada na metodologia -- que inclui registros classificados como “não definido” ou “não identificado” -- o Sudeste corresponde a 31,7% e o Nordeste, a 16,3% do total.


