Política

Eleições 2026: Na Bahia 52,6% dos candidatos têm ensino superior

É 4 vezes mais que o registrado entre a população com mais de 25 anos, no Estado, onde só 13,1% têm curso superior

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Dos 1.220 registros existentes no arquivo do TSE analisado em 25 de agosto de 2026, 52,6% são de pessoas com ensino superior completo e 91,9% concluíram pelo menos o ensino médio. Na população baiana de 25 anos ou mais, os percentuais usados na comparação são de 13,1% e 48,2%. O levantamento também identifica diferenças por gênero, raça ou cor, cargo e partido.

Mais da metade dos registros de candidatura existentes na base analisada para as eleições de 2026 na Bahia é de pessoas com ensino superior completo.

Dos 1.220 registros presentes em arquivo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) gerado nessa terça-feira (25 de agosto), 642, ou 52,6%, informam graduação concluída.

Na população baiana de 25 anos ou mais, 13,1% tinham ensino superior completo em 2025, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) Educação, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A proporção encontrada nos registros eleitorais é, portanto, aproximadamente quatro vezes a observada entre os adultos do estado.

A diferença também aparece quando se considera a conclusão do ensino médio. Entre os registros do TSE analisados, 91,9% são de pessoas que concluíram pelo menos essa etapa. Na população baiana de 25 anos ou mais, o percentual equivalente é de 48,2%.

Os números mostram que as pessoas presentes na base eleitoral analisada têm escolaridade muito superior à da população adulta usada como referência. 

Mais de nove em cada dez concluíram o ensino médio

A distribuição das sete categorias de escolaridade informadas ao TSE ajuda a dimensionar a concentração.

Dos 1.220 registros, 642 são de pessoas com ensino superior completo. Outros 147, ou 12%, informam ensino superior incompleto, e 332, equivalentes a 27,2%, ensino médio completo.

Nas demais categorias aparecem 39 registros com ensino médio incompleto, 30 com ensino fundamental completo, 26 com fundamental incompleto e quatro de pessoas que declararam apenas ler e escrever.

Somadas as três categorias a partir do ensino médio completo, são 1.121 registros, ou 91,9% do total. Os 99 restantes, equivalentes a 8,1%, são de pessoas que não concluíram o ensino médio.

Na população baiana de 25 anos ou mais, 51,8% não haviam concluído a educação básica em 2025, segundo a PNAD Contínua. Isso significa que 48,2% tinham concluído pelo menos o ensino médio.

Diferença de idade entre as bases tem efeito pequeno

A comparação exige uma ressalva: os universos da PNAD e do TSE não são rigorosamente iguais.

Os indicadores populacionais utilizados consideram pessoas de 25 anos ou mais. A legislação eleitoral, porém, permite concorrer a determinados cargos antes dessa idade.

A idade mínima constitucional também não é aferida da mesma forma para todos os cargos: ela depende do posto disputado e das regras previstas na legislação eleitoral.

Para testar apenas o efeito dessa diferença entre os universos estatísticos, o levantamento tomou a data da eleição como corte analítico e identificou nove registros de pessoas que teriam menos de 25 anos naquele momento, ou 0,7% do total. Esse corte não representa a regra jurídica de aferição da idade mínima para todos os cargos.

Excluídos os nove registros, a proporção com superior completo passa de 52,6% para 52,9%. A parcela com pelo menos ensino médio completo fica em 91,8%. A diferença etária, portanto, praticamente não altera o resultado geral do levantamento.

Há ainda outra ressalva. Os números são uma fotografia do arquivo do TSE de 25 de agosto de 2026. Pedido de registro não significa que a candidatura já tenha sido deferida: cabe à Justiça Eleitoral analisar os requisitos e decidir pelo deferimento ou indeferimento.

Mulheres têm proporção ligeiramente maior de graduadas

A diferença de escolaridade por gênero é menor do que a encontrada em outros recortes.

Entre os 421 registros de mulheres, 54,9% são de pessoas com ensino superior completo. Entre os 799 registros de homens, a proporção é de 51,4%, diferença de 3,5 pontos percentuais.

Na parte inferior da distribuição, 5,5% das mulheres não concluíram o ensino médio, ante 9,5% dos homens.

Na população baiana de 25 anos ou mais, a diferença também favorecia as mulheres em 2025: 15,8% tinham superior completo, contra 10% dos homens.

A distância entre os gêneros é de 5,8 pontos percentuais na população e de 3,5 pontos entre os registros eleitorais analisados.

Isso não permite concluir que a disputa eleitoral, por si só, tenha provocado a redução da diferença. O levantamento mostra apenas que homens e mulheres presentes na base do TSE têm percentuais de graduação muito superiores aos de seus respectivos grupos na população.

Diferença por cor ou raça supera 20 pontos percentuais

O contraste é maior quando os registros são divididos por raça ou cor.

Entre os 268 registros de pessoas brancas, 70,9% informam ensino superior completo. A proporção é de 48,1% entre os 618 registros de pessoas pardas e de 46,2% entre os 314 de pessoas pretas.

A diferença entre brancos e pretos chega a 24,7 pontos percentuais. Entre brancos e pardos, são 22,8 pontos.

O contraste também aparece entre quem não concluiu o ensino médio: estão nessa situação 4,1% dos registros de pessoas brancas, 7,4% dos pardos e 12,4% dos pretos.

Para comparar os registros eleitorais com a população, pretos e pardos precisam ser reunidos, seguindo a categoria disponível na tabela da PNAD utilizada no levantamento. Juntos, são 932 registros, dos quais 442 têm superior completo, ou 47,4%.

Em 2025, 22,3% das pessoas brancas de 25 anos ou mais na Bahia tinham superior completo. Entre pessoas pretas ou pardas, eram 11%.

Em pontos percentuais, a distância entre brancos e pretos ou pardos é de 11,3 pontos na população e de 23,5 pontos nos registros eleitorais. Em termos proporcionais, porém, a taxa entre brancos é cerca de duas vezes a de pretos ou pardos na população e aproximadamente 1,5 vez entre os registros.

Os dados não sustentam a afirmação simples de que a desigualdade racial “aumenta” ou “diminui” na disputa eleitoral. O que eles mostram é que a graduação é mais frequente entre os registros de todos os grupos analisados, mas permanece uma diferença considerável entre pessoas brancas e pretas ou pardas.

Grupos pequenos exigem cautela

Há apenas 15 registros de pessoas indígenas na base. Sete têm superior completo, cinco estão na faixa de ensino médio completo ou superior incompleto e três não concluíram o ensino médio.

A proporção de graduados, de 46,7%, deve ser interpretada com cautela: com apenas 15 casos, uma única observação altera o indicador em aproximadamente 6,7 pontos percentuais.

A categoria amarela reúne somente cinco registros, dos quais três informam superior completo. O número também é insuficiente para uma interpretação robusta.

Graduação é mais frequente entre registros para deputado federal

Os cargos majoritários apresentam percentuais elevados de pessoas com graduação, mas os números absolutos são pequenos.

Seis dos sete registros para vice-governador têm superior completo, assim como nove dos 11 registros para segundo suplente de senador. Entre os sete registros para governador, cinco têm graduação; entre os dez para senador, são sete.

As disputas proporcionais permitem uma comparação com bases maiores.

Entre os 533 registros para deputado federal, 297, ou 55,7%, têm superior completo. Na disputa para deputado estadual, são 311 dos 642 registros, equivalentes a 48,4%

A proporção de pessoas graduadas é 7,3 pontos percentuais maior entre os registros para deputado federal do que entre os de deputado estadual.

Diferença entre partidos supera 60 pontos percentuais

O perfil educacional também varia entre partidos.

Para reduzir a instabilidade causada por grupos muito pequenos, o levantamento compara no ranking apenas siglas com pelo menos 20 registros. Esse é um critério descritivo da análise e não equivale a um teste de significância estatística.

Entre as legendas que atendem ao corte, o PSD apresenta a maior proporção de registros de pessoas com superior completo: 83,3%, ou 35 entre 42.

O Mobiliza aparece no outro extremo, com 20,8%, ou 11 entre 53. A distância entre os dois percentuais é de 62,5 pontos.

A média de todo o universo analisado é de 52,6%.

A diferença também aparece na parcela sem ensino médio concluído. No Mobiliza, ela chega a 28,3% dos registros; no Agir, a 28,6%; e no Solidariedade, a 18,5%. No PV e no Missão, nenhum dos registros está nessa faixa.

Como o levantamento foi feito

A análise utiliza 1.220 registros únicos presentes no arquivo consulta_cand_2026_BA.csv, do Tribunal Superior Eleitoral, com geração em 25 de agosto de 2026.

Os cálculos de escolaridade, gênero, raça ou cor, cargo e partido foram realizados sobre esse universo.