As mulheres representam 34,86% das 20.712 candidaturas registradas para as eleições de 2026, mas sua participação cai para 20,04% quando são considerados apenas os candidatos a presidente da República, governador e senador.
A participação feminina cai para 17% nas disputas pelos governos estaduais e 15% na Presidência
No conjunto analisado, são 7.220 mulheres e 13.492 homens. Entre os 529 registros para Presidência, governos estaduais e Senado, porém, há 106 mulheres e 423 homens. Já nas candidaturas a deputado federal, estadual ou distrital, a participação feminina chega a 35,33%.
Os dados foram analisados a partir de um arquivo da base de candidaturas de 2026, disponibilizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), gerado em 23 de agosto, às 8h30.
Participação feminina diminui nos cargos majoritários
A diferença entre homens e mulheres varia mais de acordo com o cargo disputado do que entre regiões do país.
Nas candidaturas a deputado federal, estadual ou distrital, há 6.824 mulheres em um universo de 19.315 registros, participação de 35,33%.
Entre os candidatos a presidente, governador ou senador, são 106 mulheres em 529 candidaturas, ou 20,04%.

A distância entre as candidaturas proporcionais e o grupo formado por Presidência, governos e Senado é de 15,29 pontos percentuais.
O dado também aparece quando se observa o destino das candidaturas femininas. Das 7.220 mulheres na base, 94,52% concorrem a deputado federal, estadual ou distrital. Apenas 1,47% disputam Presidência, governo estadual ou Senado.
Entre os homens, 92,58% estão nas eleições proporcionais e 3,14% disputam esses três cargos majoritários.
Os números descrevem a distribuição das candidaturas, mas não explicam suas causas. A base, isoladamente, não permite atribuir a diferença a decisões deliberadas dos partidos.
Presidência tem duas mulheres entre 13 candidatos
A disputa pela Presidência apresenta a menor participação feminina entre os cargos analisados.
São duas mulheres e 11 homens, o que deixa a presença feminina em 15,38%. As candidatas que pediram registro são Samara Martins, da Unidade Popular (UP), e Clariana Barão, do Democracia Cristã (DC).
Entre as candidaturas a vice-presidente, a proporção é maior: cinco dos 13 registros são de mulheres, equivalente a 38,46%.
Assim, a participação feminina entre candidatos a vice é 23,08 pontos percentuais superior à encontrada entre os postulantes à Presidência.
Mulheres são 17% dos candidatos aos governos estaduais
O mesmo contraste aparece nas disputas pelos governos.
Entre 199 candidatos a governador registrados no arquivo, 34 são mulheres e 165 são homens. A participação feminina é de 17,09%.
Nas candidaturas a vice-governador, há 85 mulheres e 117 homens em um total de 202 registros. Nesse grupo, a proporção feminina sobe para 42,08%.
Isso significa que a participação de mulheres entre candidatos a vice-governador é cerca de 2,5 vezes a registrada entre os candidatos a governador.
Seis estados não têm mulher candidata a governadora
Amapá, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Rondônia não apresentam nenhuma mulher candidata ao governo no arquivo analisado.
Somados, os seis estados têm 38 candidaturas masculinas ao cargo e nenhuma feminina.
No outro extremo, Pará e São Paulo são os únicos estados em que as mulheres aparecem em maioria nas candidaturas ao governo: cada um registra quatro mulheres e três homens, participação feminina de 57,14%.
No Rio Grande do Sul, três dos sete candidatos são mulheres, ou 42,86%.
A distribuição mostra que a baixa participação nacional nas disputas pelos governos não ocorre de maneira uniforme pelo país.
Senado tem candidatas em todas as unidades da Federação
A participação feminina é maior no Senado do que nas disputas pela Presidência e pelos governos, mas continua minoritária.
Dos 317 candidatos ao Senado no arquivo, 70 são mulheres e 247 são homens. A presença feminina fica em 22,08%.
Todas as unidades da Federação têm ao menos uma candidata ao Senado, mas nenhuma alcança maioria feminina.
Rondônia registra o maior percentual: quatro mulheres entre dez candidatos, ou 40%. Santa Catarina aparece em seguida, com cinco mulheres entre 13 registros, participação de 38,46%. No Rio Grande do Norte, cinco das 14 candidaturas são de mulheres, ou 35,71%.
Na outra ponta, Tocantins tem uma mulher entre 13 candidatos, ou 7,69%. Sergipe registra uma entre 11, ou 9,09%, e o Piauí, duas entre 21, ou 9,52%.
O caso de Sergipe mostra como o percentual geral de mulheres pode esconder diferenças entre cargos. O estado apresenta a maior participação feminina no conjunto das candidaturas estaduais analisadas, mas uma das menores proporções na disputa pelo Senado.
Vices e suplentes têm participação feminina maior
Quando vice-presidente, vice-governador e as duas suplências do Senado são agrupados, as mulheres representam 33,41% das candidaturas: são 290 mulheres e 578 homens.
No Senado, mulheres representam 22,08% dos candidatos titulares. Entre primeiros suplentes, a participação sobe para 30,37%; entre segundos suplentes, chega a 30,89%.
Os números mostram presença feminina proporcionalmente maior nas posições de vice e suplência do que entre os titulares das respectivas disputas, mas não permitem explicar as razões dessa distribuição.
Nenhum estado chega a 40% de mulheres
Retiradas as candidaturas nacionais a presidente e vice-presidente, nenhum estado alcança 40% de mulheres no conjunto dos cargos.
Sergipe aparece na primeira posição, com 157 mulheres entre 405 candidaturas, ou 38,77%. Amapá e Goiás têm 38,05%, e o Rio Grande do Norte, 37,65%.
São Paulo registra a menor proporção: 860 mulheres entre 2.606 candidaturas, ou 33%. Ao mesmo tempo, é o estado com o maior número absoluto de registros no arquivo.
A diferença entre Sergipe e São Paulo é de 5,77 pontos percentuais, bem menor do que as distâncias observadas entre determinados cargos.
Diferenças regionais são menores que diferenças entre cargos
O Centro-Oeste apresenta a maior proporção de mulheres no recorte regional: 35,93%.
Na sequência aparecem Norte, com 35,80%; Nordeste, com 35,45%; Sul, com 34,77%; e Sudeste, com 33,70%.
A distância entre Centro-Oeste e Sudeste é de pouco mais de dois pontos percentuais. Como comparação, a diferença entre a participação de mulheres nas candidaturas a vice-governador, de 42,08%, e a governador, de 17,09%, é de quase 25 pontos.
Na Bahia, presença feminina cai nas disputas por governo e Senado
A Bahia tem 1.217 candidaturas no arquivo analisado: 420 de mulheres e 797 de homens. A participação feminina é de 34,51%, próxima dos 34,86% encontrados no conjunto nacional da base.
A participação feminina cai para 14,29% entre os candidatos ao governo e para 10% entre os postulantes ao Senado.
Entre candidatos a vice-governador, por outro lado, três dos sete registros são de mulheres.

O percentual de 72,73% entre segundos suplentes do Senado é elevado, mas corresponde a um universo de apenas 11 registros. O número absoluto é importante para evitar que o percentual seja interpretado fora de escala.
Partidos apresentam diferenças relevantes entre tipos de candidatura
As legendas também mostram variações quando se comparam as candidaturas proporcionais com Presidência, governos e Senado.
No PL, por exemplo, há cinco mulheres e 42 homens entre os 47 candidatos a presidente, governador ou senador, participação feminina de 10,64%.
No Novo, são duas mulheres e 22 homens nesses cargos, ou 8,33%.
O Avante não apresenta mulher entre suas 11 candidaturas a Presidência, governos ou Senado no arquivo analisado.
O PSOL registra diferença menor: mulheres são 38,87% das candidaturas proporcionais e 35,48% entre os candidatos aos três cargos majoritários considerados.
A UP é a exceção mais evidente. Mulheres são maioria entre seus candidatos a presidente, governador ou senador: 23 mulheres e 18 homens, participação de 56,10%. Entre as candidaturas da legenda aos governos, são 12 mulheres e cinco homens.

O percentual de 34,86% de mulheres no arquivo de 2026 é próximo da proporção observada nas Eleições Gerais de 2022.
Dados divulgados pelo TSE indicam que as mulheres representaram cerca de 34% das candidaturas em 2022.
Base é um retrato de 23 de agosto
O número de registros pode variar conforme o momento da extração e os critérios utilizados. Em divulgação de 21 de agosto, por exemplo, o TSE informou ter considerado 20.560 candidaturas para o cálculo oficial dos percentuais usados na distribuição de recursos partidários e eleitorais, das quais 34,85% eram de mulheres.
No arquivo analisado para esta reportagem, o campo referente à situação da candidatura aparece como “#NE” em todos os registros. Assim, não é possível afirmar com base somente nesse material quais candidaturas estavam deferidas, indeferidas, pendentes de julgamento ou em outra condição.
Foram comparados os registros classificados por sexo, cargo, unidade da Federação, região e partido. Para a comparação entre tipos de disputa, a reportagem separou três grupos: deputados federais, estaduais e distritais; candidatos titulares a presidente, governador e senador; e candidaturas a vice-presidente, vice-governador e suplentes do Senado.
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Foram utilizadas Inteligências Artificiais na preparação desta reportagem

