
Salvador está entre seis capitais brasileiras com atividade de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco nas duas semanas mais recentes e sinal de crescimento na tendência de longo prazo.
Na Bahia, também há aumento dos casos graves associados à influenza B, enquanto as ocorrências relacionadas ao vírus sincicial respiratório (VSR) permanecem elevadas.
Os dados são da nova edição do Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada nesta quinta-feira (3). A análise considera informações até a Semana Epidemiológica 34, correspondente ao período de 23 a 29 de agosto.
O InfoGripe analisa separadamente o nível recente de atividade da SRAG e sua tendência de evolução. O primeiro indicador considera as duas semanas mais recentes, enquanto a tendência de longo prazo observa o comportamento dos casos nas últimas seis semanas.
Além de Salvador, Aracaju, Boa Vista, Goiânia, João Pessoa e Vitória apresentam atividade de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco acompanhada de sinal de crescimento até a Semana Epidemiológica 34.
Influenza B cresce na Bahia
Na Bahia, outro ponto de atenção é o aumento dos casos graves associados à influenza B. O mesmo movimento é observado em Mato Grosso e no Ceará.
De acordo com o InfoGripe, o período de sazonalidade da influenza A já se encerrou no país, enquanto a influenza B apresenta crescimento em alguns estados.
As ocorrências de SRAG associadas ao vírus sincicial respiratório continuam elevadas na Bahia. Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul apresentam cenário semelhante.
Na maior parte do país, porém, os casos relacionados ao VSR estão em queda. Roraima é a exceção, com retomada das hospitalizações associadas ao vírus.
Já a incidência de SRAG relacionada à Covid-19 permanece baixa em todas as unidades da Federação.
Rinovírus impulsiona aumento entre crianças e adolescentes
No cenário nacional, o InfoGripe mantém sinal de crescimento dos casos de SRAG entre crianças e adolescentes de até 14 anos. O movimento está associado principalmente ao rinovírus.
Alagoas, Goiás e Paraíba apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas duas semanas mais recentes e tendência de crescimento até a Semana 34. Nesses estados, o aumento ocorre principalmente entre crianças de até 4 anos.
Em Alagoas, também há crescimento nas faixas de 5 a 14 anos e de 15 a 49 anos. O rinovírus é o principal agente associado ao avanço, especialmente entre crianças e adolescentes. Em Alagoas e na Paraíba, o metapneumovírus também contribui para o cenário.
Outras dez unidades da Federação apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.
Rinovírus lidera entre os casos positivos recentes
Nas quatro semanas epidemiológicas mais recentes, o rinovírus foi detectado em 44,3% dos casos positivos de SRAG. O VSR apareceu em 31,9%; a influenza B, em 6,9%; a influenza A, em 3,6%; e o Sars-CoV-2, em 2,1%.
Entre os óbitos com resultado positivo no mesmo período, o rinovírus esteve presente em 34,2% dos registros; o VSR, em 24%; a influenza B, em 16,3%; a influenza A, em 14,3%; e o Sars-CoV-2, em 4,1%.
Os percentuais representam a presença dos vírus entre os casos positivos analisados e não devem ser interpretados necessariamente como categorias exclusivas, já que pode haver detecção simultânea de diferentes agentes respiratórios.
Brasil registra 144,6 mil casos de SRAG em 2026
Ao longo do ano epidemiológico de 2026, foram notificados 144.599 casos de SRAG no país. Desse total, 78.101 (54%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 50.925 (35,2%) tiveram resultado negativo e cerca de 7.323 (5,1%) ainda aguardavam resultado laboratorial.
Entre os casos positivos registrados no ano, o VSR foi detectado em 41,7%; o rinovírus, em 30,7%; a influenza A, em 17,5%; a influenza B, em 5,4%; e o Sars-CoV-2, em 3,8%.
A incidência de SRAG permanece mais elevada entre crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. A mortalidade é maior entre idosos, com destaque para influenza A, rinovírus e VSR. Entre crianças pequenas, VSR e rinovírus também aparecem entre os principais agentes associados às mortes.

