
A décima edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) foi aberta na noite dessa quarta-feira (5 de agosto), no Largo do Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador. A cerimônia reuniu música e poesia em um espetáculo conduzido pela cantora e compositora Belô Velloso, com direção cênica de Edvard Passos.
A edição de 2026 homenageia a poeta baiana Myriam Fraga (1937–2016), idealizadora da Flipelô e uma das responsáveis pela criação da Fundação Casa de Jorge Amado. O tributo também se estende ao artista plástico Calasans Neto, que ilustrou obras da escritora e livros de Jorge Amado.
A programação gratuita segue até domingo (9), em espaços do Pelourinho e de seu entorno. Estão previstos bate-papos, mesas literárias, lançamentos, saraus, oficinas, exposições, contações de histórias e apresentações musicais. Entre os convidados anunciados estão Ana Maria Gonçalves, Itamar Vieira Junior, Carla Madeira, Milton Hatoum, Gregório Duvivier, Tracy Mann e Pablo Fidalgo.
Escritores apresentam novos trabalhos
Entre os participantes da festa está a escritora Maria do Carmo, de Mutuípe, que participa da Flipelô pela primeira vez e apresenta o livro de poemas Trilhas de Alforria. A publicação aborda igualdade de direitos, ancestralidade e enfrentamento ao racismo.
Em entrevista à Agência Brasil, a autora afirmou que a gratuidade das feiras literárias amplia o acesso à cultura e favorece o encontro entre literatura, música, dança e teatro. Para ela, eventos desse tipo também fortalecem a representatividade de diferentes autores e públicos.
A escritora Magnólia Gomes de Oliveira apresenta o romance Destinos Entrelaçados, ambientado em Feira de Santana. A obra acompanha duas pessoas que se conhecem por acaso, iniciam um relacionamento e enfrentam obstáculos para permanecer juntas.
Fundadora do coletivo Autores da Resistência e do grupo Passeio Literário, criado nas redes sociais, Magnólia destacou o papel da Flipelô no incentivo à leitura e na aproximação entre escritores e novos públicos.
Também participa da programação o escritor Domingos Ailton, atual secretário de Cultura e Turismo de Jequié. Ele apresenta o romance Anésia Cauaçu, inspirado na trajetória da personagem histórica que viveu na região de Jequié e integrou o cangaço no início do século 20. A participação do autor e seu cargo constam da relação oficial de convidados da festa.
Domingos Ailton também é responsável pela Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié (Felisquié). Segundo ele, o evento completará dez anos em 2026 e homenageará o centenário de nascimento do geógrafo baiano Milton Santos — informações que ainda precisam ser confirmadas na programação oficial da Felisquié.
Edição celebra os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado
Criada e realizada pela Fundação Casa de Jorge Amado, a Flipelô teve sua primeira edição em 2017. A ideia surgiu depois que Myriam Fraga participou, em 2006, da Festa Literária Internacional de Paraty, que naquele ano homenageou Jorge Amado.
Além de celebrar sua décima edição, a festa marca os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado e os 25 anos da morte do escritor, ocorrida em 2001. A programação busca preservar seu legado, estimular o interesse pela literatura — especialmente entre os jovens — e fortalecer autores e o mercado editorial.
As atividades estão distribuídas por locais como a Fundação Casa de Jorge Amado, o Teatro Sesc-Senac, o Museu Eugênio Teixeira Leal, o Largo Tereza Batista, a Casa Motiva e outros espaços do Centro Histórico. A agenda completa, com horários e locais, está disponível nos canais oficiais da Flipelô.
