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Furtos de celulares crescem e se concentram em poucas cidades

Salvador registra o quarto maior número de furtos de celulares no País (São Luís lidera)

Foto: Ilustração GPT Imagens IA
O aparelho é levado sem que o dono perceba
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Em 2025, os roubos de celulares caíram 18,6%, no Brasil, enquanto os furtos cresceram 0,9%, tornando-se maioria. O crime concentra-se em poucas cidades, com São Paulo respondendo por 20% das ocorrências nacionais, sustentado por um mercado ilegal de aparelhos.

Os crimes envolvendo celulares mudaram de perfil no Brasil em 2025.

Enquanto os roubos diminuíram, os furtos mantiveram trajetória de crescimento e passaram a representar a maior parte das ocorrências detalhadas pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo o levantamento, foram registrados 483.561 furtos e 308.723 roubos.

Entenda
A diferença entre roubo e furto


O furto acontece quando alguém pega um bem que pertence a outra pessoa sem usar violência ou ameaça.

Exemplos:
-- Uma pessoa entra em um carro destrancado e leva um celular.
-- Alguém coloca um produto dentro da mochila e sai de uma loja sem pagar.
-- Um ladrão entra em uma casa vazia e leva objetos enquanto os moradores estão ausentes.

Nesses casos, a vítima perde o bem, mas não é intimidada nem agredida.

O roubo ocorre quando alguém subtrai um bem usando violência física ou grave ameaça contra a vítima.

Exemplos:
-- Um assaltante aponta uma arma e exige o celular.
-- Um criminoso empurra uma pessoa e toma sua bolsa.
-- Alguém ameaça a vítima com uma faca para obrigá-la a entregar dinheiro.

Aqui, além da perda do bem, há um ataque à liberdade e à integridade física ou psicológica da vítima.

Uma forma simples de lembrar

-- Furto = leva o bem sem confrontar a vítima.
-- Roubo = leva o bem com violência ou ameaça.

É por isso que, no dia a dia, quando alguém diz que foi "assaltado", normalmente está se referindo a um roubo, e não a um furto.

O que diz a lei brasileira

O Código Penal diferencia os dois crimes justamente por esse elemento:

-- Furto: subtrair coisa alheia móvel, sem violência ou grave ameaça.
-- Roubo: subtrair coisa alheia móvel mediante violência à pessoa ou grave ameaça, ou depois de reduzir a vítima à impossibilidade de resistência.

Em razão dessa diferença, o roubo é considerado um crime mais grave e, em regra, recebe penas mais severas do que o furto.

Os dados do Anuário indicam uma mudança clara: os furtos superam os roubos e exigem estratégias de prevenção e investigação diferentes das adotadas para crimes praticados com violência ou ameaça.

Durante anos, o crime contra celulares esteve associado principalmente ao assalto. Os dados de 2025, porém, mostram comportamentos distintos entre as duas modalidades.

Os roubos recuaram 18,6% em comparação com o ano anterior. Já os furtos cresceram 0,9%. A diferença reforça o peso das ocorrências em que o aparelho é retirado sem violência ou ameaça direta à vítima.

Os furtos podem ocorrer em ambientes de grande circulação, como transporte coletivo, eventos, centros comerciais e áreas movimentadas. Nesses locais, aglomeração, distração e uso frequente do telefone podem criar oportunidades para a subtração.

Isso não significa que todos os casos sigam o mesmo padrão. Os dados apresentados permitem identificar uma mudança estatística, mas não comprovam, por si sós, uma estratégia coordenada entre os autores dos crimes.

Queda dos roubos não elimina o problema

A redução dos roubos representa um resultado positivo, mas não significa que o impacto dos crimes envolvendo celulares tenha se tornado pequeno.

O anuário aponta mais de 830 mil aparelhos subtraídos em um ano. Além do custo do equipamento, a vítima pode perder acesso a documentos, contas digitais, aplicativos bancários, carteiras eletrônicas, mensagens, fotografias e redes sociais.

O smartphone também é utilizado como instrumento de autenticação para serviços financeiros e plataformas digitais. Por isso, sua subtração pode abrir caminho para tentativas de fraude, invasão de contas e uso indevido de informações pessoais.

O prejuízo, portanto, deixou de se limitar ao valor comercial do aparelho. Ele pode envolver recuperação de contas, bloqueio de serviços, emissão de documentos, troca de senhas e contestação de operações financeiras.

Ocorrências se concentram em poucos municípios

O levantamento também mostra forte concentração territorial. Embora roubos e furtos de celulares sejam registrados em diferentes regiões do país, alguns municípios apresentam taxas muito superiores às demais cidades listadas.

São Luís aparece na primeira posição, com 1.517 ocorrências por 100 mil habitantes, seguida por Belém, com 1.487, e São Paulo, com 1.390,5.

Além da taxa elevada, a capital paulista se destaca pelo volume absoluto. Segundo o anuário, São Paulo reúne cerca de 5,6% da população do Brasil, mas concentra 20% dos roubos e furtos de celulares registrados no país.

A diferença mostra que o fenômeno não está distribuído de maneira homogênea. Também indica que políticas de prevenção, investigação e fiscalização podem precisar de desenhos específicos para os municípios com maior incidência.

Mercado ilegal amplia o valor dos aparelhos para o crime

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública associa a continuidade desse tipo de delito à existência de um mercado capaz de absorver os equipamentos subtraídos.

Um celular pode ser revendido inteiro, desmontado para aproveitamento de componentes ou reutilizado depois de intervenções destinadas a dificultar sua identificação. Essas possibilidades aumentam sua liquidez no comércio clandestino.

De acordo com a análise apresentada no anuário, a pessoa que subtrai o aparelho pode representar apenas a primeira etapa de uma rede que envolve receptadores, intermediários e revendedores.

Essa circulação rápida dificulta a recuperação do equipamento e a identificação de todos os participantes. Também ajuda a explicar por que o enfrentamento não pode se limitar ao momento do roubo ou furto.

O combate à receptação, a fiscalização de canais de revenda e o rastreamento de aparelhos aparecem, nesse contexto, como frentes importantes para reduzir a rentabilidade da atividade ilegal.

Roubos e furtos seguem lógicas diferentes

Roubos e furtos apresentam distribuições próprias ao longo do dia e ocorrem em tipos distintos de ambiente.

Nos roubos, há violência ou ameaça direta. Nos furtos, a subtração ocorre sem que a vítima perceba imediatamente ou sem confronto com o autor.

Essa diferença interfere na escolha dos locais, na exposição da vítima e nas medidas de prevenção. Áreas públicas, transporte coletivo, centros comerciais, eventos e espaços com concentração elevada de pessoas podem favorecer furtos, sobretudo quando o aparelho fica visível ou acessível.

A elevada utilização de smartphones em atividades profissionais, financeiras e sociais ajuda a explicar a amplitude do problema, mas não substitui a análise estatística do perfil das vítimas.

Combate à receptação é um dos principais desafios

Os dados mostram que reduzir os roubos é apenas uma parte do enfrentamento. O crescimento dos furtos e a concentração territorial das ocorrências sugerem a necessidade de combinar prevenção, policiamento, investigação e controle do mercado de receptação.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, enfraquecer os canais que permitem transformar os aparelhos em dinheiro pode reduzir o incentivo econômico para novas ocorrências.

Nas cidades com taxas mais elevadas, ações direcionadas podem incluir investigação de redes de receptação, fiscalização de estabelecimentos e plataformas de revenda, integração entre forças de segurança e mecanismos para facilitar a identificação e a devolução de aparelhos recuperados.

A concentração dos registros em poucos municípios também permite priorizar recursos e avaliar políticas locais de maneira mais precisa.

Mudança exige novas estratégias de segurança

O retrato apresentado pelo anuário é de uma criminalidade em transformação. O roubo praticado com violência perdeu participação, enquanto o furto passou a ocupar uma parcela maior dos registros.

Os dados disponíveis não permitem concluir que essa mudança decorra exclusivamente de uma estratégia deliberada de organizações criminosas. Eles mostram, porém, que as duas modalidades apresentam comportamentos diferentes e convergem para um mercado ilegal capaz de dar destino aos aparelhos.

Por isso, a resposta pública precisa ir além da redução dos assaltos. O desafio inclui prevenir furtos em locais movimentados, investigar redes de receptação, dificultar a revenda e proteger as informações digitais armazenadas nos dispositivos.

Sem diminuir a capacidade de transformar celulares subtraídos em fonte de lucro, a queda dos roubos pode não ser suficiente para reduzir o impacto do problema sobre a população.