Para 72%, cortar gastos e reduzir a dívida pública é a principal medida para permitir queda sustentável dos juros
Redução de impostos e consolidação da reforma tributária foram citadas por 29% dos empresários industriais como prioridade
Equilíbrio fiscal e melhoria da gestão pública aparecem em seguida, com 22% das mençõesA redução de impostos e a consolidação da reforma tributária lideram as prioridades dos empresários industriais para o próximo governo, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nesta segunda-feira (22 de junho).
O tema foi citado por 29% dos entrevistados: 18% o apontaram como principal medida e 11% como segunda ação mais importante.
Na sequência, aparecem o equilíbrio fiscal e a melhoria da gestão pública, com 22% das indicações. Medidas de incentivo à indústria e à produção ficaram em terceiro lugar, citadas por 21% dos empresários industriais.
Segundo a CNI, o levantamento Prioridades da Indústria – percepções para o ciclo 2027-2030 ouviu 1.003 executivos de empresas industriais de pequeno, médio e grande portes, em todas as regiões do país, entre 7 de maio e 5 de junho de 2026.
“Quando a política fiscal e a política monetária não conversam entre si, as medidas para estimular o desenvolvimento produtivo se tornam menos efetivas”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Custo Brasil concentra demandas do setor
Entre as medidas consideradas mais importantes para as empresas e para a melhora do ambiente de negócios, a redução de impostos voltou a liderar as respostas, com 45% das menções.
Em seguida, 26% apontaram a redução dos juros e a ampliação da oferta de crédito. O incentivo à indústria e à produção apareceu novamente em terceiro lugar, com 21%.
A taxa de juros também aparece como preocupação central. Para 72% dos empresários industriais, o próximo governo deve cortar gastos para reduzir a dívida pública e, com isso, criar condições para uma queda sustentável dos juros. A autonomia do Banco Central foi citada por 11%, e a ampliação da concorrência entre bancos, por 6%.

“A sociedade brasileira espera respostas para termos um país mais justo, com mais oportunidades e menos desigualdade, mas ao mesmo tempo não pode conviver com riscos de manutenção de juros estratosféricos e de excessos de gastos públicos”, afirma Alban.
Investimentos devem ficar estáveis para 41%
Sobre os planos de investimento para os próximos quatro anos, a pesquisa indica um cenário de estabilidade.
Entre os empresários industriais, 41% afirmaram que pretendem manter o nível atual de investimentos. Outros 28% disseram que planejam ampliar os aportes. Já 9% preveem redução, enquanto 20% afirmaram que não pretendem investir no período.
Carga tributária, mão de obra e juros pesam no setor
Na avaliação dos últimos 12 meses, os fatores que mais afetaram negativamente a indústria foram a alta carga tributária, a indisponibilidade de mão de obra e a taxa de juros elevada.
Em uma escala de 1 a 5, na qual 1 significa “não afetou” e 5 indica “afetou muito”, a alta carga tributária alcançou nota média de 4,4. A indisponibilidade de mão de obra e a taxa de juros elevada ficaram empatadas, com 4,1.
A pesquisa foi realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, a pedido da CNI. Foram entrevistados 1.003 executivos de empresas industriais de pequeno, médio e grande portes, em todas as regiões do país, entre 7 de maio e 5 de junho de 2026.


