Política

Empresa ligada a ACM Neto recebeu 5,45 milhões do Master

É o que revela reportagem da Folha de S. Paulo

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Documentos da Receita obtidos pela Folha de S.Paulo apontam que o Banco Master declarou pagamentos milionários a ex-ministros, políticos, escritórios e empresas entre 2022 e 2025. Os citados afirmam, em geral, que os serviços foram legais. Vorcaro foi preso novamente em março e negocia delação.

Documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado e obtidos pela Folha de S.Paulo mostram que o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, declarou pagamentos milionários entre 2022 e 2025 a escritórios de advocacia, consultorias e empresas ligadas a políticos, ex-ministros e empresários, entre eles Michel Temer, Antônio Rueda, ACM Neto, Henrique Meirelles, Guido Mantega, Fabio Wajngarten e pessoas próximas a Jaques Wagner.

A A&M Consultoria Ltda, empresa do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, recebeu R$ 5,45 milhões entre 2023 e o ano passado.

A consultoria declarou que os serviços foram prestados regularmente, mas disse não poder confirmar os valores mencionados por não ter acesso aos dados fiscais atribuídos ao caso. Em nota, a empresa afirmou que o contrato foi firmado quando seus sócios não ocupavam cargos públicos e informou ter apresentado petição à Procuradoria-Geral da República e ao STF para oferecer esclarecimentos e pedir apuração sobre o vazamento de informações sigilosas.

Mensagens citadas na reportagem mostram que Vorcaro relatou um encontro com ACM Neto ao empresário e ex-ministro Fábio Faria. Em troca de mensagens de 22 de maio de 2024, o banqueiro afirmou: "Mas está tudo certo. Estou indo para Brasília. Amanhã acho que assina Augusto [Lima]. ACM foi lá em casa". 

Os documentos da Receita também registram R$ 12 milhões pagos entre 2022 e 2025 à BN Financeira, empresa de Bonnie Bonilha, nora do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner.

Conselho de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva relatou, em entrevista a Eduardo Moreira e Leandro Demori, no ICL Notícias -- 1ª edição, nesta quarta-feira, uma conversa que teve com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sobre o Caso Master.

“Eu disse para o companheiro Alexandre de Moraes: ‘Você fez uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de janeiro, não permita que joguem fora a sua biografia. Se sua mulher estava advogando, diga isso claramente. Não tem que pedir licença para trabalhar, mas é importante afirmar que, na Suprema Corte, estará impedido de votar em casos que envolvam sua esposa.”

O escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, recebeu R$ 80,2 milhões em pagamentos do Banco Master, em 2024 e 2025, em contrato firmado no início de 2024 e que previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, segundo dados da Receita Federal citados pela Folha de S.Paulo.

Procurado pela Folha, o escritório afirmou que “não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”. 

Processo contra a delação premiada

O ministro Alexandre de Moraes liberou nesta quarta-feira, para julgamento, a ação que pede a fixação de limites para acordos de delação premiada.

Moraes, relator do caso, pediu a inclusão do processo na pauta do plenário físico do Supremo.

A ação está em tramitação desde 2021 e foi protocolada pelo PT. O partido defende que a Corte determine a adoção de parâmetros para os acordos de colaboração firmados com investigados.

A legenda defende que a delação assinada com quem está preso deve ser considerada nula. O partido quer garantir que a delação cruzada, quando um acusado delata outro, não seja usada para decretação de medidas cautelares.

A ação também quer garantir liberdade das partes para pactuar as cláusulas dos acordos, conforme limites pré-estabelecidos em lei.

A data do julgamento ainda não foi definida. Caberá ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, agendar a sessão.

O julgamento ocorre no momento em que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e seu cunhado, o empresário Fabiano Zettel, preparam uma proposta de delação premiada.