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Só 3 capitais têm uma qualidade
de vida pior que a de Salvador

A posição de Salvador também a coloca em situação desfavorável no Nordeste

Foto: LEIAMAISba
O Centro Histórico de Salvador
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Salvador aparece em 24º lugar entre as 27 capitais no IPS Brasil 2026, com 62,18 pontos. A capital baiana fica abaixo da média nacional e supera apenas Maceió, Macapá e Porto Velho. No Nordeste, está à frente somente de Maceió.

Salvador aparece na 24ª posição entre as 27 capitais brasileiras no Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, com 62,18 pontos em uma escala de 0 a 100.

A capital baiana fica à frente apenas de Maceió, Macapá e Porto Velho no ranking das capitais, segundo os dados divulgados pelo IPS Brasil 2026.

O relatório avalia a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros a partir de 57 indicadores sociais e ambientais, organizados em três dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades. O estudo aponta que o Brasil atingiu média de 63,40 pontos, com avanço sutil em relação ao ano anterior.

A nota de Salvador, de 62,18, fica 1,22 ponto abaixo da média brasileira, que foi de 63,40. A comparação exige cautela, porque a média nacional considera todos os municípios do país, e não apenas as capitais. Ainda assim, o dado mostra que a maior cidade da Bahia está abaixo do desempenho médio nacional no índice geral.

Entre as capitais, a distância para a líder é maior. Curitiba, primeira colocada, obteve 71,29 pontos, ou seja, 9,11 pontos acima de Salvador. Já Porto Velho, última colocada, marcou 58,59, ficando 3,59 pontos abaixo da capital baiana.

A posição de Salvador também a coloca em situação desfavorável no Nordeste. Entre as nove capitais nordestinas, a capital baiana aparece em 8º lugar, à frente apenas de Maceió, que teve 61,96 pontos. João Pessoa lidera a região, com 67,73.
O IPS Brasil classifica os municípios em nove grupos. Os grupos 1, 2 e 3, em tons de azul no mapa do relatório, reúnem os municípios com melhores desempenhos relativos. Salvador aparece no Grupo 3, ao lado de Maceió entre as capitais citadas nessa faixa.

Esse enquadramento mostra um contraste. Salvador não está entre os piores municípios do país, mas ocupa uma das posições mais baixas quando comparada apenas às capitais. O Grupo 3 teve média de 61,89 pontos, ligeiramente abaixo da nota de Salvador.

O Grupo 3 reúne 973 municípios, ocupa 10% do território nacional, abriga 12,3% da população brasileira e responde por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

O IPS Brasil não mede renda, arrecadação ou volume de investimentos. O índice mede resultados sociais e ambientais. A metodologia considera se as pessoas têm acesso a condições básicas de vida, bem-estar e oportunidades.
A dimensão Oportunidades teve o pior resultado nacional. Esse padrão se repete desde as edições anteriores do índice, segundo o relatório.

Entre os 12 componentes avaliados, Moradia teve a maior média nacional, com 87,95 pontos. Em seguida aparece Acesso à Informação e Comunicação, com 79,81.

Na outra ponta, os piores resultados ficaram em Direitos Individuais, com 39,14, Acesso à Educação Superior, com 45,97, e Inclusão Social, com 47,22.

Segundo o IPS Brasil, mesmo as capitais, que costumam apresentar melhor estrutura urbana e maior oferta de serviços, têm dificuldades graves em inclusão social. A coordenadora do índice, Melissa Wilm, afirmou que todas as capitais apresentam problemas nesse componente, associados a violência contra minorias, famílias em situação de rua e baixa paridade de gênero e raça nas câmaras municipais.

Desempenho de Salvador acende alerta regional

A comparação com outras capitais nordestinas reforça o alerta. Salvador fica atrás de João Pessoa, Natal, Aracaju, Teresina, São Luís, Fortaleza e Recife. A capital baiana supera apenas Maceió na região.

O resultado coloca Salvador 5,55 pontos abaixo de João Pessoa e 2,97 pontos abaixo de Fortaleza. Em relação a Recife, a diferença é menor, mas ainda negativa: 1,04 ponto.

O relatório aponta que, no componente Acesso ao Conhecimento Básico, os melhores resultados se concentram em municípios de São Paulo, Ceará e Goiás. Já municípios do Pará e da Bahia aparecem entre os desempenhos mais baixos nesse componente.

Esse dado não descreve sozinho a situação específica de Salvador, mas ajuda a contextualizar o ambiente estadual em que a capital está inserida. O componente considera indicadores como abandono no ensino fundamental, abandono e evasão no ensino médio, distorção idade-série, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino fundamental e reprovação no ensino médio.

Segurança e oportunidades puxam desafios nacionais

O relatório também identifica Segurança Pessoal como um dos maiores desafios para o progresso social no Brasil. O componente teve média nacional de 58,59 e apresentou situação crítica em municípios do litoral do Nordeste, além de áreas do Norte e do Centro-Oeste.

Na dimensão Oportunidades, os resultados nacionais foram os mais baixos. O relatório destaca que essa dimensão é a mais difícil de mensurar, porque envolve temas como direitos, liberdade de escolha, inclusão social e acesso à educação superior.

Para Salvador, a leitura do ranking sugere que o desafio não está apenas em melhorar indicadores isolados, mas em transformar a condição de grande centro urbano em progresso social mais consistente. A capital baiana está entre as maiores cidades do país, mas não acompanha o desempenho das capitais mais bem posicionadas.

O IPS Brasil 2026 mostra um avanço discreto no país. A pontuação nacional passou de 62,85 em 2024 para 63,05 em 2025 e chegou a 63,40 em 2026, em série recalculada com os mesmos parâmetros da edição atual.

Entre 2025 e 2026, 754 municípios migraram da categoria intermediária para grupos de melhor desempenho. O número de municípios nos grupos de pior desempenho caiu em 500.

Apesar dessa melhora, os dados revelam forte concentração territorial. Os municípios dos grupos 1, 2 e 3 representam cerca de 48% dos municípios brasileiros, mas abrigam aproximadamente 70% da população e respondem por 81% do PIB.

Capitais têm vantagem, mas Salvador fica atrás

O relatório afirma que o Grupo 1 concentra a maioria das capitais e boa parte dos municípios com mais de 200 mil habitantes. Salvador, no entanto, aparece apenas no Grupo 3, o que indica desempenho inferior ao das capitais mais bem avaliadas.

Na prática, isso significa que Salvador ocupa uma posição intermediária quando observada no conjunto dos municípios brasileiros, mas uma posição baixa quando comparada com capitais. O contraste é relevante porque capitais tendem a reunir maior oferta de serviços, infraestrutura, universidades, equipamentos culturais e redes administrativas.

A posição de Salvador no IPS Brasil 2026 aponta para uma capital que ainda enfrenta dificuldades para converter sua centralidade econômica, política e populacional em melhor qualidade de vida.

O índice não explica sozinho as causas do desempenho. Ele mostra o resultado agregado de indicadores sociais e ambientais. Ainda assim, a baixa colocação no ranking das capitais indica a necessidade de atenção especial a temas como educação, inclusão social, segurança, saneamento, acesso a oportunidades e qualidade dos serviços urbanos.

A comparação com o Nordeste torna o quadro mais sensível. Salvador, maior cidade da Bahia e uma das principais metrópoles brasileiras, fica atrás de capitais de menor porte, como João Pessoa, Natal, Aracaju e Teresina.

Deputado estadual Robinson Almeida (PT): "Salvador é uma cidade travada, onde trabalhadores passam horas no trânsito"
Foto: Divulgação

Deputado critica gestão de Salvador

O deputado estadual Robinson Almeida (PT) responsabilizou as administrações de ACM Neto e Bruno Reis, ambos do União Brasil, pelo resultado negativo de Salvador no Índice de Progresso Social (IPS Brasil) 2026.

Segundo Robinson, o desempenho de Salvador no levantamento expressa “anos de ausência de planejamento urbano, desmonte de serviços públicos e aprofundamento das desigualdades sociais” no município.

“Salvador perdeu protagonismo nacional e passou a simbolizar os efeitos de uma gestão baseada em marketing político e abandono estrutural da cidade. ACM Neto e Bruno Reis venderam uma imagem de modernidade, mas a população enfrenta diariamente um transporte precário, serviços públicos insuficientes e uma cidade cada vez mais desigual e cara para viver”, afirmou Robinson.

O deputado também criticou a política de mobilidade urbana da Prefeitura de Salvador. Ele apontou a retirada de linhas de ônibus em bairros populares e o aumento dos congestionamentos como problemas que afetam diretamente a rotina da população.

“A prefeitura desmontou linhas históricas, reduziu a oferta de ônibus e dificultou a vida de quem depende do transporte público para trabalhar e estudar. Hoje, Salvador é uma cidade travada, onde trabalhadores passam horas no trânsito por falta de planejamento e investimentos eficientes em mobilidade”, disse. “A situação só não é pior graças aos investimentos estruturantes feitos pelos governos do PT, o metrô é um exemplo prático e positivo disso”, completou.