Política

Flávio Bolsonaro pede ao mundo que monitore eleições no Brasil

O senador disse que, caso seja eleito, pretende retomar pautas defendidas durante o governo Bolsonaro

Foto: Bruno Peres | Agência Brasil
NOS ESTADOS UNIDOS
O senador Flávio Bolsonaro
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Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, pediu monitoramento internacional das eleições brasileiras durante discurso na CPAC, nos EUA. Ele criticou o governo Lula, defendeu Jair Bolsonaro, destacou recursos estratégicos do Brasil e afirmou que pretende vencer em 2026 caso o processo eleitoral seja considerado justo.

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, pediu nesse sábado (28 de março) que a comunidade internacional acompanhe as eleições brasileiras e afirmou acreditar na vitória caso o processo seja “justo e livre”.

O discurso ocorreu durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em Dallas, nos Estados Unidos, segundo a Gazeta do Povo.

Durante sua participação no terceiro dia da CPAC, considerada o maior fórum conservador do mundo, Flávio Bolsonaro foi apresentado pelo deputado Eduardo Bolsonaro e iniciou sua fala mencionando o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que, segundo ele, está em prisão domiciliar.

O senador exibiu imagens do ex-presidente e destacou a relação de proximidade entre Jair Bolsonaro e o ex-presidente norte-americano Donald Trump, estabelecendo comparações entre ambos.

De acordo com o senador, Jair Bolsonaro teria sido preso não por corrupção, mas em razão de uma atuação que classificou como abusiva do Judiciário. Ele também afirmou que o ex-presidente foi acusado de “insurreição” após a contestação dos resultados eleitorais, situação que, segundo Flávio, também teria ocorrido com Trump.

Para o parlamentar, a motivação seria política. “A verdadeira razão é a mesma: o maior líder político do meu país está na prisão por defender nossos valores conservadores sem medo e por se opor ao sistema com tudo que tinha”, declarou.

Flávio Bolsonaro também destacou ações do pai durante o governo, citando o combate à pandemia, à criminalidade e a defesa de valores conservadores. Segundo ele, Jair Bolsonaro teria enfrentado interesses de elites globais, criticado agendas ambientais consideradas radicais e se oposto ao que chamou de agenda woke.

Ao abordar as relações internacionais, o senador ressaltou o potencial estratégico do Brasil, mencionando a população superior a 220 milhões de habitantes, a disponibilidade de água doce, terras agrícolas e recursos energéticos.

Ele afirmou que o país poderia reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação à China, especialmente no fornecimento de minerais críticos, como terras raras, utilizadas em tecnologias avançadas, inteligência artificial e equipamentos de defesa. “Sem esses componentes, a inovação tecnológica americana se torna impossível”, afirmou.

Durante a apresentação, Flávio exibiu imagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e criticou a política externa brasileira. Segundo ele, o atual governo estaria se aproximando da China e adotando posições contrárias aos interesses dos Estados Unidos em temas como Venezuela, Irã, Cuba e combate ao narcotráfico.

O senador também mencionou o cancelamento do visto do assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Darren Beattie, após o diplomata manifestar interesse em visitar Jair Bolsonaro. Para Flávio, o episódio evidenciaria a tensão atual entre os dois países.

Ao longo do discurso, o parlamentar reafirmou sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026. Segundo ele, a decisão foi tomada a pedido do pai e representa a continuidade de um projeto político conservador. Flávio afirmou ainda que busca ampliar sua base de apoio entre empresários, jovens e famílias. “Estou construindo um movimento que o Brasil não via há anos”, declarou.

O senador disse que, caso seja eleito, pretende retomar pautas defendidas durante o governo Bolsonaro, incluindo o combate ao crime organizado, oposição à agenda ambiental e defesa de valores tradicionais. Também afirmou que pretende fortalecer a relação entre Brasil e Estados Unidos.

Na parte final da fala, Flávio Bolsonaro pediu atenção internacional ao processo eleitoral brasileiro. Ele afirmou não desejar interferência externa, mas defendeu monitoramento das eleições. “Não queremos interferência nas eleições brasileiras, como a administração Biden fez para trazer Lula ao poder”, disse. “Mas precisamos de eleições livres e justas.”

O senador solicitou que governos e instituições do que chamou de “mundo livre” acompanhem o processo eleitoral, avaliem o sistema de votação, monitorem a liberdade de expressão e adotem pressão diplomática para garantir o funcionamento das instituições. “Se nosso povo puder se expressar livremente e se os votos forem contados corretamente, vamos vencer”, afirmou.

Encerrando o discurso, Flávio Bolsonaro declarou que pretende retornar à conferência no futuro como presidente do Brasil. Segundo ele, uma eventual vitória representaria o fortalecimento de uma aliança conservadora no hemisfério ocidental. “Estaremos celebrando o nascimento da mais forte aliança conservadora na história do hemisfério”, concluiu, conforme a Gazeta do Povo.