
O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), anunciou que não será candidato à Presidência da República e permanecerá no cargo até o fim do mandato, em dezembro.
A decisão foi tomada após conversa com a família e comunicada ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
Com a decisão, o governador deixa de participar da disputa interna do PSD para escolha do candidato presidencial. Ratinho Junior era apontado como principal nome da legenda, à frente dos governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.
Apesar de demonstrar interesse desde 2025, ele não havia confirmado oficialmente a intenção de disputar o Palácio do Planalto.
Mesmo fora da corrida presidencial, Ratinho Junior informou que seguirá à disposição do PSD e participando do debate nacional e que continuará atuando politicamente a partir do Paraná.
Reeleito com quase 70% dos votos válidos em 2022, Ratinho Junior defende a manutenção de uma gestão voltada a um Estado mais eficiente, com foco na educação, diálogo institucional e fortalecimento do Estado Democrático de Direito.
Ao final do mandato, previsto para dezembro, Ratinho Junior pretende retornar à iniciativa privada e assumir a presidência do grupo de comunicação fundado por seu pai, o apresentador Ratinho, do SBT.
Supresa dos aliados
Horas antes do anúncio, deputados estaduais da base governista participaram de um almoço com Ratinho Junior no Palácio Iguaçu, em Curitiba, em clima de despedida. A expectativa era de que o governador deixasse o cargo até o fim da semana seguinte para viabilizar a candidatura presidencial, com lançamento previsto para quarta-feira (25).
Segundo parlamentares ouvidos pela Gazeta do Povo, a decisão de recuar indica que Ratinho Junior deve priorizar a eleição de um sucessor no governo do Paraná. A avaliação entre aliados é de que o governador pretende usar a alta popularidade para transferir votos ao nome escolhido pelo PSD.
No plano nacional, aliados também apontam que o acirramento da polarização política influenciou a decisão. De acordo com um deputado estadual, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal opositor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou esse cenário, tornando o recuo do governador uma estratégia política.
Comunicado divulgado pelo PSD do Paraná também descarta a possibilidade de Ratinho Junior disputar o Senado. A intenção é que ele percorra o estado durante a campanha para apoiar o candidato da legenda ao governo. Pesquisa Quaest divulgada em agosto de 2025 indicou que 70% dos paranaenses defendiam a eleição de um sucessor indicado por Ratinho Junior, enquanto o governador registrava 84% de aprovação.
Aliados também avaliam que a permanência no cargo fortalece a articulação política diante da movimentação do senador Sergio Moro, que deve disputar o governo estadual após se filiar ao PL e firmar alianças com partidos da base paranaense. A leitura é de que Ratinho Junior terá mais condições de coordenar a campanha local permanecendo no estado.
No início do mês, Ratinho Junior havia afirmado à Gazeta do Povo que pretendia deixar o cargo até 4 de abril para atender à legislação eleitoral e se dedicar ao projeto nacional. Oficialmente, a desistência foi atribuída a uma "profunda reflexão com a família". Nos bastidores, o apresentador Ratinho teria aconselhado o filho a priorizar a sucessão estadual.
A decisão também ocorre em meio às dificuldades do PSD em consolidar uma candidatura presidencial competitiva. Segundo pesquisa Quaest divulgada no dia 11, Ratinho Junior aparecia com até 7% das intenções de voto, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro registravam mais de 30% nos cenários testados.
Nos próximos dias, o governador deve anunciar o nome apoiado pelo PSD para a disputa ao governo do Paraná. Após a saída de Rafael Greca para o MDB, a disputa interna envolve o secretário das Cidades, Guto Silva, o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, e o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, que também passou a ser cotado.
Aliados afirmam que a desistência da candidatura presidencial deve acelerar a definição do sucessor e a estratégia eleitoral estadual do PSD.
Partido insiste em candidatura
A desistência de Ratinho Junior não altera a estratégia do PSD de lançar candidato próprio ao Palácio do Planalto. A informação foi confirmada pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab.
A estratégia da sigla é oferecer uma alternativa ao cenário político marcado pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como principal nome da oposição.
“O PSD se mantém firme em sua decisão de apresentar aos brasileiros uma candidatura a presidente da República, que com certeza será a ‘melhor via’, contrapondo-se a essa polarização de propostas radicais que em nada contribuem para o que o Brasil precisa”, declarou Kassab.
